Nove senadores já se inscreveram para falar na sessão plenária de hoje em apoio às ações da presidente Dilma Rousseff no combate à corrupção. A informação é de Pedro Simon (PMDB-RS), que está à frente do que chamou de movimento de suporte à chefe do Executivo, que estaria às voltas com pressões em sua própria base parlamentar contra uma ação moralizadora.

Além de Simon, estão inscritos Cristovam Buarque (PDT-DF), Ana Amélia (PP-RS), Paulo Paim (PT-RS), Marcelo Crivella (PRB-RJ), Pedro Taques (PDT-MT), Wilson Santiago (PMDB-PB), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e Eduardo Braga (PMDB-AM). Conforme a assessoria do parlamentar gaúcho, ele conta ainda com Luiz Henrique (PMDB-SC), Casildo Maldaner (PMDB-SC) e Roberto Requião (PMDB-PR), entre outros.

— Vamos demonstrar ao Brasil o pensamento de uma grande maioria do Senado em relação à hora que estamos vivendo. A tese é dar força à presidente para que ela faça um governo com integridade moral e ética. Vários parlamentares virão aqui dizer o seguinte: presidente, conte conosco — assegurou Simon, ao encerrar a sessão da sexta.

Incluído entre os senadores considerados independentes, apesar de o PDT fazer parte da base aliada, Cristovam garantiu sua participação.

— Logo que [Simon] me convidou para a segunda-feira, inscrevi-me imediatamente, porque quero estar nesse grupo — assegurou.

Prós e contras

Simon explicou que não se trata de apoio programático a Dilma Rousseff. De acordo com o parlamentar, há entre senadores simpáticos à “faxina” promovida pela presidente quem é a favor e quem é contra o programa do governo. E não se trata, igualmente, acrescentou Simon, de “apoio unânime no sentido de que ela não tenha cometido equívocos”.

Entre os possíveis erros de Dilma, estaria a maneira autoritária de tratar os integrantes do governo e parlamentares. A presidente deveria ter “mais jogo de cintura”, no entender de Pedro Simon.

Ele acredita que, ainda assim, não se justificariam eventuais movimentos dentro do Congresso contra a presidente da República, inclusive com ameaças de votar projetos capazes de complicar a vida do Executivo ou de impedir a aprovação de matérias importantes.

— Seria uma pressão do Congresso para que a presidente saia dessa linha de seriedade — avaliou o senador do PMDB.

Simon relatou ainda o resultado de contatos que tem mantido com dirigentes de instituições da sociedade:

— A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e várias outras entidades estão fazendo um movimento nacional no sentido da seriedade e da responsabilidade. Não vai ser nem aqui, dentro do Congresso, nem na Justiça, muito menos no Executivo que vão nascer as formas para se encaminhar isso. Que venha o povo, que ele nos pressione, que ele nos coloque contra a parede — disse o senador.