Enquanto para a Administração Municipal a construção de um reservatório para captação de água da chuva é a opção mais viável e com custo reduzido, moradores se dizem indignados com todos os problemas que a obra deve gerar, antes e depois de concluída.

Após o início das obras pela Prefeitura de Três Lagoas para a construção de um reservatório para captar e reter águas pluviais, os moradores do Bairro Jardim Dourado, local em que o “piscinão” será edificado, em Três Lagoas, se dizem revoltados e afirmam ser contrários à construção. Para eles, deveria ter havido uma consulta prévia aos maiores interessados – a população local.

A revolta foi exposta por todos os moradores entrevistados pelo Midiamax. Segundo eles, a qualidade de vida na região está ameaçada, pois a exemplo de outro piscinão na Cidade, localizado no Bairro Paranapungá, o reservatório traz malefícios constantes e das mais variadas formas, como a alta incidência de mosquitos pernilongos e do mau cheiro intermitente. Além do risco de terem suas residências alagadas, caso a bomba apresente defeito, tal como já ocorreu, por duas vezes, no reservatório daquele bairro.

“Um piscinão, além de comprometer a beleza do local, gera muitos mosquitos, acúmulo de lixo, bichos peçonhentos, mau cheiro e ainda corre o risco de transbordar e a água suja invadir nossas casas”, reclamou o morador, Tiago Arantes Heitor.


A obra

A obra foi anunciada pela Prefeitura como mecanismo para drenar a água da chuva daquela região e, através de tubulações, levá-la até a Lagoa Maior.

As escavações já começaram e as tubulações, interligando um condomínio fechado ao local, já foram executadas.

Conforme analisado pela Secretaria de Obras e Serviços Públicos de Três Lagoas, o piscinão é a opção mais viável naquela situação. “As bacias de retardo (piscinões) é a opção cujo custo é bem mais reduzido do que o sistema de drenagem convencional. Esse método tem sido empregado nos grandes centros urbanos”, explicou o secretário da pasta, Getúlio Neves da Costa Dias.


População

Para os moradores do Jardim Dourado, eles deveriam ter sido consultados antes. A adoção desta forma de solucionar o problema do acúmulo da água de chuva pelas ruas, pela Prefeitura, desrespeitou o direito do cidadão em participar na tomada de decisões que irão, de alguma forma, afetá-los. Segundo Heitor, esta região fica há 500 metros de uma galeria de drenagem.

“Solicitamos uma audiência com a prefeita Márcia Moura (PMDB) para expor nossa indignação e apontar soluções possíveis e viáveis para evitar a construção do piscinão. Apresentaremos à Márcia um abaixo-assinado, com mais de 180 assinaturas de pessoas que indicam serem contrárias à obra do piscinão. Porque fazer uma obra cara enquanto a galeria para águas pluviais passa aqui tão perto? Isso demonstra a falta de respeito conosco, que contribuímos com o IPTU esperando que esse valor seja revertido em obras para nosso benefício”, afirmou Heitor, exaltado.

Ainda de acordo com o informado pelos moradores, o que provocou a construção do piscinão foi a implantação de um condomínio fechado no Bairro vizinho, Jardim das Paineiras.

“Esse espaço era para ser destinado a Posto de Saúde, creche e praça, conforme indicado na própria planta do Município deste local. A Prefeitura liberou o alvará para a construção do loteamento fechado, nas proximidades, sem avaliar de que forma a água da chuva iria escoar. Agora somos obrigados a acatar um piscinão aqui. Por que não constroem essa obra lá dentro do condomínio?” Questionou o morador Bento Luiz Ferreira.

“Quando eles querem se eleger, nos mostram seu projeto de governo. Por que ninguém veio fazer uma reunião conosco para apresentar essa proposta do piscinão?”, indagou outra moradora, Roseli Marchetto.


Paranapungá

João Alves Ataíde mora a 20 anos, na mesma casa, no Bairro Paranapungá. O aposentado disse ter acompanhado da porta de sua residência tudo o que culminou na construção daquele piscinão, localizado defronte sua propriedade.

“Aqui era uma região, que, na época da chuva, ficava intransitável. A rua virava um rio. O então prefeito, Issam Fares (PTB) – 1997 a 2004, construiu uma galeria para escoar essa água, mas como a população jogava lixo nos bueiros, a tubulação sempre entupia. Na primeira gestão da Simone Tebet (PMDB), ela inventou de construir esse piscinão. Além do transtorno gerado pela obra, onde até um jovem morreu afogado quando resolveu nadar naquele local,, hoje temos inúmeros problemas causados por essa construção”, iniciou a conversa.

De acordo com Ataíde, a quantidade de mosquitos, ao cair à tarde, é algo que dificulta a vida de quem mora em torno ao piscinão.

“Temos que manter o ventilador ligado, independente de estar frio ou calor. Na frente de minha casa não é possível permanecer, assim que o sol começa a baixar. São milhares de pernilongos que aparecem por causa da água suja acumulada no piscinão. Infelizmente não tenho meios para me mudar daqui, mas desejei isso desde que vi esse reservatório ser construído”, alegou.

Ataíde contou que o piscinão do Paranapungá transbordou duas vezes. Uma delas ocorreu durante o feriado de carnaval.

“Uma das enchentes foi na época do carnaval. Choveu muito e a bomba, que escoa essa água para a galeria de drenagem, estragou. Não sabíamos a quem recorrer, pois tudo estava fechado. A água começou a invadir as casas e o transtorno só foi resolvido quando um funcionário veio na quarta-feira de cinzas”, informou.


Desvalorização

A desvalorização dos imóveis também gera temor pelos moradores do Jardim Dourado. Para uma das moradoras, Rafaela Carla Panuchi, o preço das residências naquele local sofrerá queda considerável.

“Construímos nossas casas com muito suor e trabalho. Agora sofremos o risco de ter nosso bem desvalorizado pelo fato do piscinão ficar nas proximidades. O condomínio particular, gerador dessa medida pública, é destinado a pessoas de alto poder aquisitivo. Para estes, a obra não causará transtorno, pois não fica dentro do loteamento. Porém, para nós, com renda mais baixa, irá ser um problema constante e duradouro”, finalizou a moradora.

Ainda não há previsão para a conclusão das obras, mas elas deverão ser finalizadas antes do período das chuvas, iniciado normalmente em novembro.