A perda da autoridade dos pais sobre os filhos pode ser um dos mais importantes fatores para o aumento da deliquencia entre menores de idade.

A perda da autoridade dos pais sobre os filhos pode ser um dos mais importantes fatores para o aumento da deliquencia entre menores de idade. Além disso, o abandono familiar nos aspectos de criação e atenção também motiva a procura por grupos clandestinos, que acabam oferecendo um falso apoio e envolvem os adolescentes em práticas de perversidade e vício. O alerta é da delegada titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), Regina Márcia Rodrigues.

Lidando diariamente com o drama de crianças e adolescentes vítimas da violência física, sexual, moral, e que, ao mesmo tempo, podem também estar na condição de infratores, a delegada relata que, na maioria dos casos, não existe em casa um controle familiar, chegando até ao abandono de convívio.

“Quando chega um caso aqui na delegacia de menores de idade que se tornaram vítimas, na maioria dos casos, verificamos que esta ‘rebeldia’ que o fez sair de casa foi por conta do modelo educacional que recebe. São pais ausentes que não acompanham os filhos na escola, não se preocupam com as amizades e, quando cobram, partem para a violência”, diz a delegada Regina Rodrigues.

De acordo com a delegada, é muito comum a sociedade e os próprios pais cobrarem da polícia, do conselho tutelar e da escola o papel educador, porém o verdadeiro responsável pela escolha de um caminho bom ou ruim é a família. “Muitos se tornam agressivos, e também podem ser vítimas, porque já em casa sofrem maus tratos, surras, e a família é negligente. Um filho problemático, certamente, não tem orientação correta, não tem exemplo de retidão familiar. Muitos pais pecam também por serem muito permissivos”, alerta a delegada.

Congresso do Bulimento

A delegada recorda um fato recente que chamou bastante a atenção da mídia e da sociedade, que foi a descoberta de um grupo de adolescentes que se organizaram para manter encontros íntimos e ingerir bebidas alcoólicas, em uma casa localizada no bairro Iracy Coelho, em Campo Grande.

Liderados por um adolescente de 15 anos, que cedia a casa para os encontros, os adolescentes foram ouvidos na DEPCA e alguns na Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), sendo alguns na condição de vítima e outros e infratores. Segundo a delegada Regina Rodrigues, a maioria deles se mostrou praticamente à beira do abandono do convívio familiar.

O grupo, que se organizou com camisetas, comunidade no Orkut denominada Congresso do Bulimento, na verdade, começou com uma boa causa: um grupo de dança apoiado pela própria escola em que os adolescentes estudavam. Quando a diretoria começou a desaprovar as coreografias sensuais resolveu dissolver o grupo. Porém, os adolescentes resolveram procurar outro local para os encontros, mas desta vez com bebidas, som alto, festas e relações sexuais.

Os que têm mais de 14 anos e mantiveram relações sexuais com mais novos vão responder por estupro de vulnerável. Já os pais, explica a delegada Regina Rodrigues, podem responder por abandono de incapaz, abandono intelectual e ainda contravenções penais. “Vamos ouvir novamente estes pais e analisar caso a caso, pois eles possivelmente foram negligentes na criação dos filhos e isto trouxe danos tanto para os menores quanto para a família. Agora é hora de reestruturar tudo isto, nem que seja por meio da severidade da lei que pune”, finaliza a delegada.