Desde o dia 02 deste mês, carros com placas estrangeiras estão pagando o dobro para abastecer em postos de combustíveis (surtidores) na Bolívia, segundo relata reportagem do jornal La Razon. A prática, muito utilizada por moradores das cidades de fronteira como Corumbá, pelo fato de trazer significativa economia ao encher o tanque dos veículos, perde assim grande parte da vantagem.

A resolução aprovada pela Agência Nacional de Hidrocarburos da Bolívia (ANH), no dia 1º de agosto, fixa o preço de 8,39 bolivianos para o que chama de gasolina especial internacional. Em câmbio atual, o litro do combustível passou a custar R$ 1,90. Já para o carro com placa da Bolívia, o valor é de 3,74 bolivianos, o que corresponde a R$ 0,84.

Se o motorista optar pelo diesel, o preço praticado para carro com placa estrangeira é de 8,58 bolivianos por litro, ou R$ 1,94. Já o veículo nacional, paga 3,72 bolivianos, valor que corresponde também a R$ 0,84. Ainda conforme a reportagem, o subsídio representa para o Estado boliviano um gasto anual que supera os US$ 500 milhões. Essa cifra não leva em conta o gasto adicional que acumula a YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos) para a compra de diesel importado a preços internacionais.

O Orçamento Geral do Estado Boliviano projetou que para 2011, caso haja necessidade, o país gaste 520 milhões de dólares para a compra de óleo diesel, gasolina e GLP (gás liquefeito de petróleo).

Contrabando

O Ministério da Economia da Bolívia estima que 60% dos combustíveis importados são contrabandeados. No dia 02 de agosto, dois caminhões foram apreendidos na cidade de Puerto Quijarro, na fronteira com Corumbá. Segundo relata o jornal Opinión, eles estariam carregados com combustíveis contrabandeados.

A apreensão foi realizada numa operação conjunta com a Agência Nacional de Hidrocarburos (ANH), Exército e Ministério Público, segundo informou o Ministério de Hidrocarburos e Energia (MHE). “Na operação foram apreendidos dois caminhões, um da marca Scania e outro Volvo, e também foram presos os proprietários de origem brasileira.” O mesmo documento aponta que a carga de cada caminhão continha aproximadamente 1.300 litros de diesel.