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Seis homens que participaram de linchamento por vingança em Campo Grande são indiciados

Morte de Daniel Demondes foi motivada por vingança depois que seu filho assassinou com um tiro Lucas Jonathan, de 16 anos, no Jardim Anache. Cinco homens estão com prisão temporária na 2ª DP e um soldado detido na Polícia do Exército.

Arquivo Publicado em 29/12/2010, às 19h43

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Morte de Daniel Demondes foi motivada por vingança depois que seu filho assassinou com um tiro Lucas Jonathan, de 16 anos, no Jardim Anache. Cinco homens estão com prisão temporária na 2ª DP e um soldado detido na Polícia do Exército.

O delegado Fábio Anderson Ribeiro Sampaio, da Segunda Delegacia de Polícia da Capital, revelou em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira que ficou a cargo da Justiça a qualificação do crime de homicídio contra Daniel Delmondes dos Santos, 38, no dia 5 de dezembro deste ano, no bairro Jardim Anache. Ele foi morto em sessão de linchamento depois que seu filho atirou e matou o adolescente Lucas Jonathan Pereira Lopes, 16 anos.

Caracterizado como crime por vingança, o assassinato de Daniel Delmondes teve a participação de pelo menos seis pessoas já indiciadas, além de menores de idade. Contra ele foram aplicados chutes, tapas, socos, pedradas e 17 facadas. Agora, a Justiça define se foi por motivo torpe e se a vítima teve chance de defesa.

Foram indiciados pelo crime Paulo Roberto Lopes, 41 anos (pai de Lucas); Nilson da Silva Roma, 19 anos; Éverton Rafael Pereira (soldado que está preso na Polícia do Exército), 22 anos; Celso Mendonça Pereira, 37 anos; Eleandro da Silva Araújo, 18 anos e Cléverson Rafael Pereira, 21 anos.

Segundo o delegado Fábio Anderson, era do conhecimento da esposa de Daniel que o filho deles havia comprado um revólver por R$ 650 e não denunciou o fato à polícia. Ela pode responder por omissão na cautela de arma de fogo.

O filho de Daniel e a vítima teriam se desentendido e o garoto atirou em Lucas, que morreu no local. Segundo o delegado Fábio, Lucas e Eleandro ingeriam bebidas alcoólicas quando houve a confusão que acabou em morte.

Daniel Delmondes, pai do adolescente que atirou, foi até o local do crime porque sua esposa contou que o filho deles tinha saído de casa armado. O homem se deparou com a cena do crime e ainda tentou socorrer Lucas, segundo o que apurou o delegado. “Vamos tentar socorrer seu filho. Depois você vê o que faz comigo. Olha seu filho: ele levou um tiro na barriga”, teria dito Daniel depois que Celso Mendonça incitava veementemente uma espécie de “corretivo” contra o homem, já que seu filho tinha fugido do local.

Segundo o que apurou a investigação, Celso Mendonça, que é tio de Éverton e Cléverson, foi quem teria incitado os autores a agredir Daniel Delmondes. Ele teria gritado por várias vezes; “este é o pai do assassino. Não vamos deixar este cara sair daqui. Se não achar o filho, vamos matar o pai”.

Celso e Éverton ainda teriam feito buscas no Jardim Anache e região na tentativa de capturar o menor que atirou contra Lucas, mas sem sucesso. Talvez, a tragédia iria ser ainda maior.

O pai de Lucas, Paulo Roberto Lopes, nega que tenha participado da morte de Daniel Delmondes, mas segundo o que foi apurado, ele teria dado a primeira das 17 facadas contra o homem. Na sequência, Nilson da Silva Roma desferiu outros golpes e por último um menor apreendido e que era amigo do Lucas – o mesmo que tentou assumir toda responsabilidade do crime no início.

“Não matei ninguém, mas fiquei cego e não sabia o que fazer”, disse Paulo na coletiva desta quarta-feira. Segundo ele, a população ficou revoltada depois que, sem sucesso, o homem ainda tentou reanimar o filho com respiração boca a boca e massagens no peito.

Rixa

Segundo o delegado Fábio Anderson, Lucas e o adolescente que o assassinou poderiam ser integrantes de gangues rivais na região. Já havia uma rixa antiga entre eles.

Jornal Midiamax