Durou somente 5 jogos a passagem de Diego Aguirre pelo comando do Santos. O treinador uruguaio não resistiu à derrota por 3 a 0 para o Cruzeiro, na Vila Belmiro, quinta-feira (14), e acabou demitido nesta sexta (15). E, antes mesmo de dispensar o treinador, o time recebeu a notícia de que terá de disputar 2 jogos com portões fechados.

Assim, Aguirre é o terceiro comandante dispensado na gestão do presidente Andres Rueda somente em 2023. Antes, caíram Odair Hellmann e Paulo Turra.

“Por decisão do Comitê de Gestão e da coordenadoria de futebol, o técnico Diego Aguirre não comanda mais o time profissional do Santos Futebol Clube. O treinador recebeu a notícia da decisão via coordenador técnico Alexandre Gallo na tarde desta sexta-feira. Também deixam os cargos os auxiliares-técnicos, Juan Verzeri e Juan Andres Iraola, e os preparadores físicos Fernando Piñatares e Ignácio Piñatares. O Santos FC agradece os serviços prestados e deseja boa sorte em novos desafios”, informou o clube.

Dessa forma, na partida diante do Bahia, na segunda-feira, Marcelo Fernandes comanda o time interinamente, informou o clube.

Assim como seu antecessor, Aguirre não teve muito tempo para trabalhar no clube. Turra caiu após 7 jogos. O uruguaio caiu antes, após derrotas para Fortaleza (4 a 0), e América-MG (ambas por 2 a 0) e para o (3 a 0). Consequentemente, o único momento de felicidade no clube veio nos 2 a 1 de virada no fim contra o Grêmio.

Aguirre indicou que não duraria no time após derrota

Bastante abatido na coletiva após o revés duro para o Cruzeiro, na Vila Belmiro, Aguirre já parecia prever que não teria futuro longo no clube. Apesar de descartar entregar o cargo, assumiu que o trabalho, “o mais difícil da carreira” de 21 anos como treinador, não estava rendendo.

“Não tenho problemas de reconhecer que as coisas não estão como imaginávamos. Não conseguimos buscar o empate, tomamos 3 gols e tudo foi muito difícil”, disse, na coletiva. Ele evitou, contudo, dizer que o problema pelo baixo rendimento fosse somente da comissão técnica. “Todos somos culpados”.

Aguirre chegou ao Santos com a dura missão de resgatar o futebol do time. Então, além de acertar com um clube na zona de rebaixamento, tinha algumas missões, como acertar o setor defensivo, que vinha de 8 jogos seguidos sofrendo gol. Não conseguiu e agora são 13 partidas com a defesa vazada de maneira consecutiva.

Também não conseguiu acertar o sistema ofensivo, um dos piores do Brasileirão –com apenas 21 gols marcados. Assim, sob sua direção, o time só foi às redes contra os gaúchos. Dessa forma, deu pouco trabalho aos goleiros adversários. O esquema que não deu certo contra o Cruzeiro acabou com a paciência da direção e dos torcedores, que o chamaram de “burro” na substituição de Marcos Leonardo.

O técnico optou por barrar Lucas Lima diante do Cruzeiro e, com a suspensão de Soteldo, acabou sem armadores. Assim, Jean Lucas jogou na posição e nada fez nos 45 minutos iniciais contra os mineiros. Acabou substituído por Furch no intervalo. O time ficou com quatro homens na frente e carente de um meia. O treinador se rendeu ao ex-titular somente quando levou 2 a 0 e já não tinha mais forças para reagir.

Santos deverá jogar sem torcedores na Vila Belmiro como punição imposta pelo STJD (Santos FC, Divulgação)
Santos deverá jogar sem torcedores na Vila Belmiro como punição imposta pelo STJD (Santos FC, Divulgação)

Santos sofre punição do STJD e deve voltar a jogar com portões fechados

A fase do Santos é ruim tanto dentro como fora de campo. Antes mesmo de anunciar a demissão de Diego Aguirre, o clube recebeu a notícia de que terá que disputar mais duas partidas com os portões fechados por causa de uma nova punição imposta pela 4.ª Comissão Disciplinar do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).

Além da perda de mando, o Santos recebeu uma de R$ 36 mil. As punições vieram por causa de objetos atirados por torcedores no gramado da Vila Belmiro durante a vitória sobre o Grêmio, por 2 a 1, pela 20.ª rodada do Brasileirão.

Curiosamente, foi bem diante do Grêmio que o Santos voltou a ter torcida na Vila Belmiro após cumprir a punição de 4 jogos com os portões fechados. A pena inicial era de 8 partidas, mas o clube conseguiu diminuir a pena.

Dessa forma, o Santos “caiu” no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, parágrafo II, que prevê punição por “deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir lançamento de objetos no campo ou local da disputa do evento desportivo”.

O Santos deve entrar com recurso para tentar ter público na partida contra o Vasco, marcada para o dia 1.º de outubro (domingo), às 15h (de MS), pela 25.ª rodada do Brasileirão. Caso a punição não seja revertida, o clube alvinegro jogará portões fechados também diante do Red Bull Brasil, no dia 19 de outubro (quinta-feira).

Assim, após perder para o Cruzeiro por 3 a 0 na “despedida” de Aguirre, o Santos aparece na 17.ª colocação do Brasileirão, com 21 pontos, 4 a menos do que o Goiás, o primeiro time fora da zona de rebaixamento.