Esportes

Santos pode ter de pagar multa de R$ 70 mi em ‘Caso Neymar’

O valor da multa é superior ao valor arrecadado pelo Santos na venda dos direitos de Neymar

Clayton Neves Publicado em 30/06/2015, às 10h59

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O valor da multa é superior ao valor arrecadado pelo Santos na venda dos direitos de Neymar

Um documento assinado pelas diretorias do Santos e Barcelona pode representar mais um duro golpe nas finanças do time da Vila Belmiro. O jornal espanhol “Marca” apresentou trecho do contrato da transferência de Neymar firmado entre os dois clubes em 2013. No documento, Luis Alvaro Oliveira Ribeiro, então presidente do Santos, e Sandro Rosell, então presidente do Barcelona, se comprometem a dividir o pagamento de indenização em caso de vitória definitiva do grupo DIS na Justiça da Espanha.

Conforme apurou o blogueiro do UOL Rodrigo Mattos, a DIS cobra na Justiça cerca de 40 milhões de euros referentes a que teria direito na negociação de Neymar. Santos e Barcelona teriam de pagar o valor em partes iguais caso a sentença seja transitada em julgado favoravelmente ao grupo DIS. Na cotação desta segunda-feira (29), 20 milhões de euros equivalem a R$ 70 milhões.

O valor da multa é superior ao valor arrecadado pelo Santos na venda dos direitos de Neymar. O grupo DIS alega ter sido enganado e recebido menos do que o valor real da transação do atacante para o clube catalão, em 2013. O processo foi aberto em junho em Madri. O documento em que Santos e Barça se ajudariam no pagamento da indenização também tem a assinatura dos então vice-presidentes dos clubes, Odílio Rodrigues e Josep Maria Bartomeu.

A “união” entre Santos e Barcelona no pagamento de uma eventual vitória da DIS na Justiça foi um pedido da diretoria santista, que na época temia ser processada pelo investidor. A DIS detinha 40% dos direitos econômicos de Neymar. Estão envolvidas no novo processo judicial na Espanha o atacante Neymar, Neymar Santos (pai do atleta), Josep Maria Bartomeu (atual presidente do Barcelona), Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro (ex-presidente do Santos) e Odílio Rodrigues (ex-vice-presidente do Santos). O crime de fraude prevê detenção de 3 a 7 anos.

ENTENDA O CASO
Quando contratou Neymar, o Barcelona informou ter desembolsado 57,1 milhões de euros para tirar o atleta do Santos. Posteriormente, o clube catalão admitiu que o gasto foi muito maior: quase 100 milhões de euros. Desse total, mais 40 milhões de euros vieram para a empresa do pai de Neymar no Brasil por conta dos direitos do jogador.

A questão é que o Santos respondia por 55% dos direitos do atleta, e a DIS detinha 40%. Os 5% restantes pertenciam ao grupo de investidores Teisa. Mesmo não tendo porcentagem na negociação com o Barcelona, a família de Neymar recebeu a maior parte da transação, conforme contrato firmado entre a N & N -empresa da família do atacante- e o clube.

O documento mostra que os pais de Neymar ganharam 40 milhões de euros, enquanto o Santos -que tinha a maior parte dos direitos de Neymar- levou 17 milhões de euros. O UOL teve acesso ao contrato firmado entre Barcelona e a N&N.

Internamente, pessoas do estafe do jogador dizem que a nova cobrança é contraditória em relação à ação criminal movida pelo fisco espanhol contra o Barcelona. Alegam que o clube teve que pagar multa porque os €40 milhões de euros foram considerados salário do jogador. Assim, esse dinheiro não poderia ser considerado parte da transferência. Mas o contrato entre Neymar e a N&N, empresa de seu pai, diz que esta detêm os direitos sobre sua transferência.

EMPRÉSTIMO
A diferença do valor informado pelo Barcelona em relação ao valor real aconteceu, entre outros fatores, porque a diretoria catalã não contabilizou valores depositados à N&N desde 2011. O Barça dizia que os depósitos feitos a partir de 2011 eram “por “direito de preferência” na contratação.

O primeiro pagamento ocorreu em novembro de 2011, dias antes da final do Mundial de Clubes entre Santos e Barcelona. A N & N recebeu 10 milhões de euros do Barça “a título de empréstimo”, conforme contrato assinado. O documento apresentava que a família teria de devolver a quantia caso não fosse concretizada a contratação. A Justiça espanhola, no entanto, entendeu que os depósitos caracterizavam clara intenção de ocultar a transação, burlando o fisco e outros envolvidos.

Jornal Midiamax