Pequenos produtores do município de já estão no período de colheita da melancia e comemoram o resultado desta . O motivo é que a preparação da terra para o plantio da cultura começou mais cedo este ano. Para corrigir a acidez do solo e aumentar a capacidade produtiva, os produtores utilizaram calcário agrícola. Por meio de carretas, todo o transporte deste insumo foi feito sem custo pelo governo do Estado, através da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural).

Com a parceria, o pequeno produtor compra o calcário e não precisa gastar a mais com o frete, valor que quase triplica o custo do insumo agrícola. Esta assistência às associações de pequenos produtores de diversos municípios de Mato Grosso do Sul é realizada desde o ano 2007 e já beneficiou mais de 550 produtores do Estado com transporte de cerca de três mil toneladas de calcário.

“É uma ação que possibilita ao agricultor familiar a diminuição dos custos de produção, livrando dos custos com transporte, que acabam sendo mais altos do que o investimento feito para a aquisição do produto. Há também o aumento da sua renda, uma vez que o calcário é um dos maiores instrumentos que existem para melhorar a produtividade”, afirma o diretor-presidente da Agraer, José Antônio Roldão.

Conforme Roldão, o solo devidamente corrigido com o calcário absorve de forma melhor os nutrientes que resultam diretamente na qualidade do produto obtido. “No município de Eldorado, por exemplo, temos casos de produtores que aumentaram até o dobro de sua produção através deste projeto, e que dizem que não conseguiriam arcar com os custos do transporte do calcário se não fosse a iniciativa do governo do Estado”, comenta.

Em Eldorado, membros da Atel (Associação de Pequenos Produtores de Avicultura, Suinocultura e Hortifrutigranjeiros) contaram com a parceria do Estado e já estão colhendo melancias de boa qualidade. De acordo com a coordenadora municipal da Agraer, Eliziane Wits, pelo menos 14 carretas foram necessárias para fazer a entrega de um total de 350 toneladas de calcário. “O calcário foi entregue entre os meses de junho e novembro para 15 produtores.

Este insumo quando chegava nas carretas era descarregado diretamente na área onde seriam plantadas as sementes de melancia”, explica. De acordo com Eliziane Wits, além do apoio no transporte do calcário, os produtores tiveram toda a assistência técnica da Agraer, com a presença de agrônomo e inclusive de tratores com grade aradora. “Antes de jogar o calcário na terra, foi feita a análise do solo, onde o profissional colheu uma amostra e levou para o laboratório”, informou.

Colheita e boa safra

Após a análise do solo para a correção, o agrônomo recomendou aos agricultores a quantidade necessária de insumos para ser utilizada na área. Conforme a Agraer, o calcário corrigiu 550 hectares de solo em Eldorado. A expectativa nesta safra era de colher 12,5 mil toneladas de melancia, mas com a produtividade, a Associação de Pequenos Produtores do município já prevê uma colheita de 16,5 mil toneladas da fruta. Alguns produtores já se preparam para o período da safrinha.

Melancia de casca fina, polpa bem vermelha e doce. É assim que o pequeno produtor, Helton Gouveia define a qualidade da fruta desta safra. Ele corrigiu o solo de duas áreas com o uso do calcário no mês de junho e já está colhendo a fruta que tem destino certo – a região sul do país. “Já colhi 500 toneladas, e falta ainda outras 150 para colher. Em 12 anos de produção, nunca vi uma produção igual a essa. O tempo certo para corrigir o solo e o clima adequado foi importante para ter esse resultado”, observou. Com mais qualidade, o preço médio do quilo da melancia está sendo comercializado a R$ 0,40 contra R$ 0,15 no ano passado.

O lucro começa a chegar, segundo Helton Gouveia, com a parceria do Estado. Sem custo com o frete que representa 70% do valor do calcário, o produtor pode investir na produção. “Com esse dinheiro que sobrou do frete do calcário a gente pôde comprar mais adubo e veneno. Não tinha visto um governo ajudar o agricultor igual a esse”, salientou.

A tonelada do calcário custa em média R$ 95, mas com o auxílio do Estado no transporte deste insumo, esse valor cai para R$ 30 a tonelada. “A acidez do solo come a metade do adubo. Pra economizar com o frete, a gente comprava pouco calcário e colocava apenas na linha que ia receber as sementes. A terra era preparada em apenas 15 dias, e por isso não adiantava nada”, lembrou Helton Gouveia.

A opinião é compartilhada pelo colega, Altamir Noronha que explica que é preciso corrigir o solo num período de pelo menos 90 dias antes do plantio das sementes. Ele considera que a safra de boa qualidade deve-se à chegada mais cedo do calcário. “Com a ajuda do governo veio mais calcário e preparamos a terra mais cedo. Antes, a distribuição do calcário no solo era superficial e a semente germinava muito fraca”, comparou.