Das três casas que foram colocadas a leilão, pertencentes ao grupo criminoso conhecido como ‘Clã Morinigo’, apenas uma recebeu lance até agora. Trata-se da casa que fica no Carandá Bosque, avaliada em R$ 1.235.000 e com área total de 360 metros quadrados.

A família Morinigo foi alvo da Operação Status, realizada em 2020, acusada dos crimes de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, em Mato Grosso do Sul e também outros estados. De alto padrão, todas as casas leiloadas ficam em Campo Grande e foram avaliadas em mais de R$ 1 milhão.

O único lance dado até o momento foi na residência que fica no Carandá Bosque. O valor inicial é de R$ 617.500,00. O imóvel mais caro fica no Bairro Chácara Cachoeira e foi avaliado em R$ 1.570.000 e tem lance inicial de R$ 750 mil.

A área total do sobrado é de 529,13 metros quadrados com garagem coberta para cinco carros, duas suítes, dois quartos, sala de estar, sala de TV, sala de espera, barzinho, sala de câmeras, lavanderia, cozinha, lavabo, dois banheiros, despensa e piscina.

O segundo fica no Bairro Carandá Bosque II e tem avaliação de mercado fixada em R$ 1.533.000. O lance inicial é de R$ 766.500 para o sobrado com área de 363,03 metros quadrados, garagem para dois carros, quatro suítes, dois quartos, sala de estar, sala de TV, cozinha, lavabo, jacuzzi e área gourmet.

O acabamento foi projetado em porcelanatos, texturas, vidros temperados, caixilhos de alumínio, detalhes em gesso, concepção luminotécnica, climatização, aquecimento e monitoramento.

(Reprodução, Regina Aude Leilões)

O último sobrado colocado em leilão tem lance de R$ 617.500 e fica no Bairro Carandá Bosque I. O imóvel foi avaliado em R$ 1.235.000 e tem área total de 360 metros quadrados. A casa tem garagem, três suítes, sala de estar, sala de TV, cozinha, lavabo, piscina, área gourmet. O projeto também foi finalizado com acabamentos de padrão superior.

Os lances podem ser dados até o dia 4 de outubro às 14h (horário de Mato Grosso do Sul). A visitação acontece nos dias 21 e 22 de setembro das 8h30 às 11h30.

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Ostentação do ‘Clã Morinigo’

Emidio Morinigo Ximenez, Jefferson Garcia Morinigo e Kleber Garcia Morinigo foram denunciados por formação de organização criminosa e tráfico internacional de drogas.

Eles foram alvos, em 2020, da deflagração da Operação Status. Ela apurou crimes e a prática de lavagem do dinheiro originário do tráfico, conforme a acusação, com mais frequência em Mato Grosso do Sul.

A defesa dos Morinigo pediu a remessa dos autos para uma das varas criminais de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. Isso porque lá está uma das propriedades do grupo – a Paraíso do Manso Resort, que integraria um patrimônio milionário ostentado pela família.

A defesa dos denunciados aponta que a compra da propriedade remonta à data anterior “à suposta ocorrência do delito de tráfico internacional de drogas descrita na denúncia”. O mesmo valeria para uma aeronave, comprada em 2015. Os fatos da Status começaram a ser apurados em 2018, isto é, dois anos antes da deflagração da operação.

Assim, eles se valem da aquisição dos bens antes das investigações para apontar não ser competência da Justiça Federal o processamento do caso. Isso porque as propriedades não seriam advindas do tráfico internacional de drogas – o que é competência dessa esfera do Judiciário.

Defesa cita envolvimento do “Clã Morinigo” no tráfico, mas no Brasil

Como forma de reforçar a acusação, os advogados apontaram que as provas indicaram que o Clã Morinigo, no passado, “tão somente esteve implicado em processo de tráfico de drogas e crimes associados no âmbito nacional, respondendo por seus supostos ilícitos sempre à Justiça Comum”.

Dessa forma, e considerando que a compra do imóvel seria o primeiro ato apontado de lavagem na ação penal, exigiria a remessa dos autos para o local onde fica a propriedade. Isto é, Chapada dos Guimarães.

Ação segue na Justiça Federal, decide juiz

O MPF (Ministério Público Federal) se manifestou contra o pedido. O juiz competente, por sua vez, afastou a incompetência da Justiça Federal no caso. Segundo ele, a Procuradoria sustentou que os réus se apresentavam “sob a falsa aparência de empresários bem-sucedidos nos ramos de revenda de veículos de luxo, construção e atividade agropecuária”.

 Na verdade, segundo a ação, o grupo foi responsável pela importação de grande quantidade de cocaína do Paraguai entre 2015 e 2020.

Sobre o resort, apesar de o imóvel estar no nome da mulher de um corréu, não há qualquer movimentação bancária o envolvendo. Houve só o uso para registro de bens pertencentes ao grupo criminoso. “Consta, ainda, vários indícios de que a propriedade era pertencente à família ‘Morinigo’ e decorria da prática criminosa da organização”, cita a decisão.

Além disso, o juiz salienta haver vários indícios da atuação do grupo no tráfico internacional de drogas, “notadamente por meio da importação de cocaína do exterior”. Isso seria comprovado pelas apreensões durante a investigação, informativos sobre negociação com doleiros e casas de câmbio e vínculos dos envolvidos com o local. Lá, eles se refugiariam para não responder pelos crimes.

“O alto padrão das transações realizadas e a estrutura logística e estrutural do grupo criminoso também são indicativos da atuação internacional da organização criminosa, já que destoam do que se observa, na prática, quanto aos traficantes que atuam no âmbito doméstico”, destacou a decisão. Ela ainda descartou a possibilidade de a lavagem de capitais anteceder ao tráfico de drogas, diante de elementos levantados na investigação.