Na manhã deste sábado (2), dezenas de moradores do Jardim Noroeste bloquearam a entrada do bairro em protesto para reivindicar melhorias. A manifestação ocorre após viatura do Samu atolar durante socorro e um homem morrer.

Valmira Rigoti, de 54 anos, presidente da associação de moradores, conta que resolveu fazer a manifestação como um grito de alerta. Ela afirma que o bairro está abandonado. “Há tempos não somos ouvidos, só recebemos promessas e estamos cansados. Queremos asfalto, rede de drenagem no bairro, porque quando chove fica impossível transitar. Além disso, têm mães que estão há 3 anos tentando vagas em creche e ainda não conseguiram, são crianças indígenas e merecem respeito”, elencou.

(Alicce Rodrigues/Midiamax)

A líder comunitária afirma que mora no bairro há 19 anos, e considera que durante o período, a região pouco evoluiu. “Nós temos três ruas asfaltadas dentro do Noroeste e a minha não tem, quando chove fica intransitável”, detalhou.

“Agora, nessa semana, tivemos uma chuva de 20 minutos, onde um senhor da aldeia Água Funda, um senhor de povos originários, enfartou e o socorro foi acionado, mas a viatura do Samu atolou e infelizmente ele veio a óbito. Nossa unidade de saúde até que é boa, mas nós necessitamos de um posto 24 horas aqui. Moradia digna, segurança, uma base da guarda”, enfatizou.

Assim como ela, João Lopes da Silva, de 42 anos, morador do Noroeste há 7 anos, relata a insatisfação de viver em uma região com poucos recursos. “O bairro hoje está crescendo graças a população, graças aos empresários que investem no bairro, mas a prefeitura e o poder público não olham para as necessidades”, pontuou.

Cerca de 35 pessoas participam do ato, realizado na Av. Min. João Arinos, desde as 7h30 deste sábado (2). Segundo os moradores, caso não tenham resposta em até 15 dias, a avenida será interditada por tempo indeterminado.

Outros relatos

Dentre os relatos, estão um morador que precisa pular o muro do vizinho para ir trabalhar e crianças impedidas de voltar para a casa depois da escola, pois as vias estão intransitáveis. Na terça-feira (27), um indígena morreu após sofrer uma parada cardíaca e a ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) atolar em uma das ruas.

Maísa, viúva de Leolpoldo, que morreu após ambulância do Samu atolar | (Alicce Rodrigues/Midiamax)

Enxurrada forma erosões e deixa rua intransitável

As dos últimos dias causaram danos na Rua Indianápolis, no Jardim Noroeste, em Campo Grande. Moradores relatam que não há como passar pelo trecho entre as Ruas Ubatuba e Almeida a pé ou com veículos.

Rosiete Ferreira diz que a vizinhança fica ilhada em dias de chuva, pois há diversos pontos de erosões e pedras arrastadas pela força da água, o que favorece o risco de acidentes.

“Minha filha estuda à noite e ontem (28) ela foi para aula, mas não conseguiu voltar porque não tem iluminação na rua, não dá para ver nada. Ela teve que dormir na casa de uma amiga, pois é impossível voltar pela rua da minha casa”.

(Alicce Rodrigues/Midiamax)

Não é a primeira vez que o Jornal Midiamax relata a situação da rua conhecida pela precaridade. O trecho não possui asfalto e frequentemente deve receber manutenção, já que as valetas não permitem a passagem de pedestres e veículos.

Em nota, a Sisep (Secretaria Municipal de e Serviços Públicos) informou que equipes estão no Jardim Noroeste, executando ações emergenciais nas vias mais afetadas pela chuva, como a Rua Água Funda e que a Rua Indianápolis também está na programação da Pasta.

“A Sisep ressalta ainda que está na programação a manutenção da iluminação da Rua Indianápolis”.

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