Mesmo com proibição da comercialização e produção, campo-grandenses relatam ao Jornal Midiamax facilidade de encontrar vapes e pods – como também são conhecidos os cigarros eletrônicos – expostos à venda na Capital. Os depoimentos detalham que o acesso é fácil, inclusive, com lojas especializadas e nada clandestinas.

Nesta semana, operação da Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo), da Polícia Civil, terminou com a prisão do proprietário de uma tabacaria na Rua Zulmira Borba, no bairro Nova Lima, em Campo Grande, além da apreensão de cigarros eletrônicos contrabandeados.

A ação da Decon ocorreu após denúncias que chegaram à polícia. Além dos cigarros eletrônicos, foram apreendidos tabacos de sabor, sendo que, além de serem produtos contrabandeados, não possuem permissão para serem comercializados no Brasil.

Mas, o que se fala nas ruas é que os cigarros eletrônicos comumente vistos em festas, entre dedos e mãos de jovens, nem sempre está exposto em prateleiras, justamente por conta da facilidade em virar alvo de denúncias. Assim, os itens proibidos são ofertados em meios mais discretos, mas ainda fáceis de achar.

Proibidos, mas “por aí”

João Pedro, que não é fumante, foi um dos que reforçou a facilidade de encontrar os cigarros eletrônicos. Afinal, segundo ele, está sempre rodeado de colegas que fazem o uso dos dispositivos. Ele destaca ainda que concorda com a proibição.

(Henrique Arakaki, Midiamax)

“A maioria dos meus amigos fumam, e eles acham rápido aqui na cidade, principalmente nessas tabacarias e conveniências. Eu respeito a decisão deles, mas não concordo, porque para mim não faz sentido. Eu penso que [os cigarros eletrônicos] deveriam ser proibidos porque faz muito mal para a saúde”, disse.

A questão está normatizada em resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicada em 24 de abril de 2024, que proíbe a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar, popularmente conhecidos como cigarros eletrônicos.

Segundo levantamento da Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégia) com dados de 2023, 2,9 milhões de pessoas consomem vapes no país. O número é cinco vezes maior do que o divulgado na pesquisa feita no ano anterior, quando 2,2 milhões de brasileiros afirmaram consumir os dispositivos. Em 2018, o número era de 500 mil pessoas.

(Henrique Arakaki, Midiamax)

Além do risco à saúde, vício pode gerar prejuízos financeiros

Raicca Silva também concorda com a proibição do item. Ex-fumante, ela afirma que o motivo de fazê-la parar de consumir foi o risco à saúde. A estudante também relata que várias pessoas próximas fazem o consumo do cigarro eletrônico livremente, inclusive sua irmã, que gasta ao menos R$ 150 por semana com o item.

(Henrique Arakaki, Midiamax)

“Eu acho muito ruim porque faz mal para o pulmão. Minha irmã fuma e ela costuma comprar entre 6 e 9 pods por semana, e é complicado porque além de fazer mal ela gasta um bom dinheiro que poderia ser usado para outras finalidades. É muito fácil de encontrar e ver gente usando, inclusive nas escolas, o pessoal usa dentro dos banheiros. Conheço várias pessoas que fumam infelizmente”.

Para o professor David José Pereira, 44, falta uma maior fiscalização na Capital. Perguntado sobre o cenário de aumento no consumo de cigarro eletrônico em Campo Grande, ele chama atenção para o risco que os dispositivos eletrônicos provocam, não apenas no fumante, mas em quem convive próximo.

“Eu respeito as decisões das pessoas que fumam desde que respeitem quem está próximo. Tem um estudo que diz que os cigarros eletrônicos fazem mais mal que o cigarro convencional, inclusive. Se a pessoa que fuma não parar, além de fazer mal a si próprio, faz mal também para as pessoas que estão em volta”, disse.

“O índice de tabagismo reflete na questão muitas vezes emocional, então eu acredito que devemos ter uma maior fiscalização e conscientização. Tenho tios e familiares que fumam e eu acho isso prejudicial”, complementou o professor.

(Henrique Arakaki, Midiamax)

Polícia Civil de Campo Grande apreende mais de mil itens relacionados a cigarros eletrônicos nesta semana

Uma batida da Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo), da Polícia Civil, em uma tabacaria na Rua Zulmira Borba, no bairro Nova Lima, em Campo Grande, apreendeu cigarros eletrônicos contrabandeados, na última quinta-feira (23).

A ação aconteceu após denúncias que chegaram à polícia. Além dos cigarros eletrônicos, foram apreendidos tabacos de sabor, sendo que, além de serem produtos contrabandeados, não possuem permissão para serem comercializados no Brasil. 

Informações apuradas pela reportagem do Jornal Midiamax são de que existem outras duas tabacarias do mesmo grupo, sendo uma na Avenida Júlio de Castilho e outra na Rua Brilhante, também alvos da polícia.

(Henrique Arakaki, Midiamax)

Na loja da Avenida Júlio de Castilho foram apreendidos 36 cigarros eletrônicos, 843 acessórios para cigarro eletrônico, além de 13 pacotes de tabaco, 4 latas de tabaco, 90 pacotes de tabaco, sem registros no Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).

Na tabacaria localizada no Nova Lima, foram apreendidos: 19 maços de cigarro contrabandeados, 64 essências de tabaco sem registro no Mapa, 46 essências líquidas, 16 potes de tabaco sem registro, 32 unidades de cigarro eletrônico e 216 acessórios de cigarro eletrônico.

O que diz a Anvisa?

De acordo com o texto da Anvisa, os dispositivos eletrônicos para fumar são “produtos fumígenos cuja geração de emissões é feita com auxílio de um sistema alimentado por eletricidade, bateria ou outra fonte não combustível, que mimetiza o ato de fumar”. Neste sentido, estão incluídos na categoria e, portanto, proibidos:

  • produtos descartáveis ou reutilizáveis;
  • produtos que utilizem matriz sólida, líquida ou outras, dependendo de sua construção e design;
  • produtos compostos por unidade que aquece uma ou mais matrizes: líquida (com ou sem nicotina); sólida (usualmente composta por extrato ou folhas de tabaco – trituradas, migadas, moídas, cortadas ou inteiras, ou outras plantas); composta por substâncias sintéticas que reproduzam componentes do tabaco, de extratos de outras plantas; por óleos essenciais; por complexos vitamínicos, ou outras substâncias;
  • produtos conhecidos como e-cigs, electronic nicotine delivery systems (ENDS), electronic non-nicotine delivery systems (ENNDS), e-pod, pen-drive, pod, vapes, produto de tabaco aquecido, heated tobacco product (HTP), heat not burn e vaporizadores, entre outros.

A publicação proíbe ainda o ingresso no país de produto trazido por viajantes por qualquer forma de importação. A proibição inclui a modalidade de bagagem acompanhada ou bagagem de mão. “O não cumprimento desta resolução constitui infração sanitária”, destacou o órgão no texto.