Postos de saúde de Campo Grande enfrentam falta de 45 medicamentos, o que representa 15% do total de remédios ofertados pela rede pública da Capital. Muitos deles são remédios comuns como para controle da pressão, inclusive o Losartana, que é o 3º no ranking dos mais vendidos no país.

No entanto, conforme apurado pela reportagem do Jornal Midiamax, a maioria dos medicamentos em falta são os de uso controlado. Alguns dos mais receitados como dipirona e AAS podem ser encontrados nas unidades de saúde.

Pesquisas realizadas pelo Jornal Midiamax, nesta segunda-feira (25), mostraram que o Losartana, por exemplo, está disponível em apenas três unidades de saúde da Capital: Vila Almeida, UBS da Vila Margarida e UBS Universitário.

A aposentada Miriam Pizato, 62 anos, faz uso do medicamento e reclama de não encontrá-lo nos postos próximos de sua residência. Segundo Miriam, os farmacêuticos da rede pública indicam aos pacientes que precisam do medicamento que procurem na Popular, onde o medicamento também pode ser conseguido de forma gratuita.

A aposentada e seu marido fazem uso de outro medicamento de hipertensão, que também está em falta na rede pública. O remédio em questão é o Metildopa, utilizado pelo casal duas vezes ao dia.

Há cinco meses, Miriam não consegue encontrar o remédio nos postos de saúde da cidade, tendo que desembolsar todos os meses R$ 116 em quatro caixas do medicamento.

“Cada caixa custa R$ 29, e para quem ganha um salário mínimo faz falta no fim do mês. Eu liguei até na Farmácia Central, e falam que vão fazer o pedido até o fim do mês, mas já tem quase seis meses isso”, afirma.

Medicamentos estão em falta nos postos de Campo Grande

Na USF Dom Antônio Barbosa, uma mulher, que não quis ser identificada, afirma que os medicamentos controlados às vezes faltam, mas nunca foi ao local e viu faltar remédios de uso esporádico, como dipirona. “Os remédios mais especiais faltam sim de vez em quando, os de uso controlado. Mas aspirina e dipirona nunca vi faltar aqui”, afirma.

Nos postos frequentados por Miriam, a situação não é a mesma, já que relata não encontrar também medicamentos para o estômago e para dores no geral, como AAS (Ácido Acetilsalicílico). “Tem 25 anos que moro aqui [em Campo Grande], e nunca aconteceu de faltar esses medicamentos. É a primeira vez que vejo isso. Eles te mandam para a Farmácia Popular, mas lá você paga a metade do preço”, afirma Miriam.

Sesau diz que há falta de remédios no mercado

De acordo com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), os motivos de alguns medicamentos estarem em falta na rede pública de Campo Grande são a indisponibilidade do produto e matéria-prima no mercado, atraso na entrega por parte do fornecedor e entraves burocráticos no processo de licitação.

A secretaria informou que dos 300 medicamentos disponibilizados pelo SUS, cerca de 15%, estão em falta no momento. Um deles é o Metidolpa, que se encontra em fase final de compra e deve ser regularizado em breve.

“Cabe esclarecer ainda que medicamentos para tratamento de diabetes e hipertensão, como Losartana Potássica e Furosemida, por exemplo, são disponibilizados gratuitamente por meio do programa Farmácia Popular, do Ministério da Saúde. Basta a pessoa buscar uma farmácia credenciada com a receita emitida pelo da unidade de saúde e fazer a retirada”, afirma a Sesau.

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