Mãe de adolescente de 13 anos diagnosticado com TEA (Transtorno de Espectro Autista), Karine Albuquerque de Negreiros usou as para fazer sobre as dificuldades que enfrentou ao lado do filho durante voo de retorno a Campo Grande no último dia 25. Conforme informações da mãe, filho fez xixi na calça durante processo de taxiamento da aeronave em solo – quando não é permitido se levantar da poltrona – após comissário não liberar a entrada do adolescente ao banheiro. Em publicação, ela questiona a conduta da empresa aérea em casos excepcionais.

“Ele é uma criança autista e só queria ir no banheiro…Hoje vim fazer uma denúncia difícil, relutei muito em expor, mas entendi ser necessário na nossa luta por uma sociedade melhor e mais inclusiva, especialmente no mês de conscientização do autismo”, começa o desabafo de Karine.

Ao Jornal Midiamax, ela explica que viajou para Porto Alegre (RS) com a família para o casamento do irmão. As dificuldades teriam começado, então, no retorno a Campo Grande. Isso porque uma das viagens atrasou em 45 minutos e fez a família perder a conexão à Capital de MS. A empresa , responsável pela viagem, realocou os passeios no voo 3178 para sair às 22h30 de Congonhas.

“Meu filho autista tem dificuldade de saber identificar suas sensações internas (como a maioria das pessoas com autismo). Assim, ele não pede água porque não sabe que está com sede e só consegue saber que quer ir ao banho quando já não aguenta mais esperar. Foi o que aconteceu. No caso, ele queria fazer xixi”, diz a mãe.

Ao fim da viagem, o adolescente Henrique Albuquerque Barbosa ficou com vontade de ir ao banheiro, mas não conseguiu por questões de segurança dentro da aeronave, que estava em processo de taxiamento em solo campo-grandense.

“Quando o avião começou a taxiar, eles [adolescente e irmã de Karine] levantaram, foram até o banheiro e explicaram ao comissário de bordo, que, por sua vez, mandou ela com o menino voltar que não podia liberar o banheiro. Ela tentou justificar explicando que era uma condição inerente ao autismo e ele insistiu que não ia liberar quando meu filho começou a gritar: ‘Eu não aguento, eu não aguento‘ “, recorda a mulher.

Em seguida, o adolescente fez xixi na calça e só então o comissário liberou a entrada ao toalete.

“Ele [adolescente] estava ali, assustado, com os dedos tapando o ouvido e todo molhado. Ele [comissário] precisou ver meu filho mijado e assustado pra entender o que pedíamos. Começou uma discussão entre eles pela indignação que meu esposo estava com o constrangimento que nosso filho passou”, ressalta.

O que diz a companhia aérea

Ainda segundo Karine, a família fez uma reclamação com a equipe da Latam no aeroporto de Campo Grande após descida do avião. “Passamos por dificuldades o tempo todo, já levamos uma roupa prevendo filas no banheiro ou que o sanitário fosse longe e que ele não aguentasse. Mas dessa vez ele estava na frente do banheiro, era só abrir”, opina.

Assim, o Jornal Midiamax entrou em contato com a companhia áerea Latam e questionou sobre o caso, mais precisamente se existe alguma política de flexibilização das regras em casos excepcionais, como a necessidade de viajantes autistas, e como a equipe à bordo é preparada para lidar com esses casos.

Por meio de nota, a empresa se manifestou:

“A LATAM Brasil informa que se sensibiliza com o ocorrido. A companhia ressalta que segurança é prioridade. Portanto, segue todos os protocolos vigentes do setor para garantir a segurança de seus passageiros”, conclui a companhia.

Conforme a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), taxiamento é o movimento da aeronave sobre a superfície de um aeródromo, em uma velocidade referente ao solo, normalmente, menor do que 37 km/h (20 kt) e com efeito do solo.

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