O período chuvoso tem contribuído para o aparecimento de caramujos nos gramados de Campo Grande, algo que representa riscos à saúde pública porque animais podem transmitir várias doenças graves ao ser humano. Diante das opções de lesmicidas existentes no mercado, o afirma que os produtos não são indicados para ambientes urbanos porque podem ocasionar um ‘desequilíbrio ambiental’. Assim, a forma mais eficaz de combater os caramujos é com água sanitária. Veja como preparar ao longo desta matéria.

Conforme pontuado pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), os produtos que combatem os caramujos são para uso em lavouras e plantações diversas. Assim, a aplicação de lesmicidas não é recomendada na zona urbana.

“[Os lesmicidas] podem conter níveis de toxicidade elevados e prejudiciais para outros animais, como insetos, passarinhos, e até mesmo gatos e cães de rua que eventualmente tenham contato com o produto, podendo o seu uso de maneira indiscriminada causar um desequilíbrio ambiental”, ressalta.

Desta forma, não há orientação para que a população em geral faça a aquisição e aplicação destes produtos. O recomendado é sempre procurar uma empresa ou profissional capacitado. 

Como fazer o manejo de caramujos

Para realizar o manejo dos caramujos, a pessoa deve usar EPIs, como luva e botas, podendo ser utilizado até mesmo um saco plástico nas mãos, evitando que haja direta da pele.

Após o recolhimento individual dos animais, deve ser feita a chamada “inativação” com o uso de água sanitária. O CCZ ensina como preparar a proporção:

  • A solução deve ser preparada na proporção de uma parte de água sanitária, para três de água potável;
  • Os animais deverão ser depositados no mesmo recipiente;
  • Pode ser utilizado uma bacia ou balde para depositar os animais, de preferência com tampa;
  • Os mesmos devem permanecer emergidos nesta solução por um período de 24h.

Os moluscos e conchas podem ser postos em uma sacola plástica e destinados à coleta de lixo comum ou até mesmo enterrados.

“Não há risco de contaminação do solo. Em locais onde há cães e gatos, o ideal é descartar na coleta de lixo, uma vez que os animais podem acabar desenterrando os caramujos mortos”, diz o CCZ.

Proliferação na cidade

A chuva acima da média registrada em 2023, em Campo Grande, tem contribuído para a proliferação dos caramujos. No bairro Portal do Panamá, do Jornal Midiamax registrou dezenas de caramujos da Rua Jorge Evora Asencio. “Na rua toda é a primeira vez que vejo esse monte de caramujos pela rua, antes eles ficavam mais concentrados no terreno baldio”, disse.

Médica veterinária do Serviço de Controle da Raiva e outras Zoonoses do CCZ, Maria Aparecida Conche Cunha explica que o tempo úmido favorece a proliferação dos caramujos, principalmente em terrenos baldios, onde tem mato e lixo, que podem servir de alimento para esses animais.

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(Foto: Nathalia Alcântara/Jornal Midiamax)

A psicóloga Maria Paula Leite afirma à equipe de reportagem que tem muito problema com o aparecimento dos animais na sua residência. “Meu quintal é bem grande com vasta vegetação. Além do mais, o terreno vizinho está abandonado, cheio de mato, propício para proliferação de caramujos”, lamenta.

Outros cuidados com caramujos

É importante que a população não encoste nos animais se tiver desprotegido, sem luvas, por exemplo. “No dia a dia a população deve lavar bem frutas, verduras, não utilizar a concha desses animais para nenhum fim, manter o quintal limpo e não jogar lixo em terrenos baldios”, diz a especialista.

Os caramujos maiores são os africanos, espécie que foi introduzida no país na década de 1980. Por não serem nativos, não há predadores para o animal, que pode ser transmissor de duas graves zoonoses, causadas por vermes do mesmo gênero.

Uma delas é a meningite eosinofílica, causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis. Normalmente, ratos são o destino final do parasita, mas o homem pode se envolver acidentalmente neste ciclo. Devido ao difícil diagnóstico, a doença pode ser fatal.

Outra grave zoonose é a angiostrangilíase abdominal, causada pelo Angiostrongylus costaricensis. A doença costuma ser assintomática, mas, como os vermes se alojam nas paredes intestinais, podem causar a ruptura e, consequentemente, até mesmo o óbito das vítimas, dentre as quais estão humanos.

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