Árvore símbolo de Campo Grande, anualmente, entre os meses de maio a setembro, os ipês enfeitam a cidade com suas cores, cativando aqueles que aguardam ansiosamente para capturar o desabrochar das flores. Em 2023, todas as tonalidades já deram o ‘ar da graça’ na Capital, o que levanta a reflexão: estariam as mudanças climáticas mudando o ritmo da floração dos ipês?
Doutor em biodiversidade vegetal e professor do curso de Ciências Biológicas da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Climbiê Ferreira Hall, explica que, embora pareça adiantada, a floração dos ipês está de acordo com os padrões das diferentes espécies.
“De fato, as mudanças climáticas têm o potencial de influenciar o início da floração, no entanto, neste ano, essa ocorrência se encaixa nos padrões, uma vez que cada espécie tem sua própria janela de tempo para florescer”, destaca ele.

O desabrochar dos ipês se estende de junho a setembro. O ipê-rosa costuma ser o pioneiro, mostrando suas flores já em junho; o amarelo segue entre julho e agosto, enquanto o branco aparece entre agosto e setembro.
Rápidas e marcantes, as floradas costumam durar, em média, uma semana e variam conforme a concentração de água na atmosfera.
Ipê ou Jacarandá?

Nos últimos dias, flores com tons arroxeados têm chamado a atenção dos campo-grandenses. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, essas flores não são um ipê-roxo, mas sim o jacarandá, considerado “primo” dos ipês.
“O Ipê-roxo, na verdade, tem a flor rosa, só que em um tom mais escuro do que as espécies que normalmente chamamos de Ipê-rosa. Essas espécies florescem normalmente de maio até agosto”, esclareceu.

Climbiê explica que o jacarandá tem flores que se assemelham às do ipê, uma vez que ambas pertencem à família Bignoniaceae, mas divergem em gênero.
“A confusão é compreensível, já que as flores são parecidas, mas o jacarandá é apenas um grupo próximo aos ipês”, enfatiza o professor.
Conforme o biólogo, “ipê” é o termo comum que abrange várias espécies diferentes da família Bignoniaceae, normalmente dos gêneros Tabebuia e Handroanthus.
“Temos também o ipê-verde, cujo florescer ocorre de agosto a setembro. No entanto, apesar do nome, o ipê-verde pertence a um gênero diferente da família Bignoniaceae, o gênero Cybistax”, destaca.
A Bignoniaceae é uma família botânica representada por aproximadamente oitocentas espécies em 110 gêneros.

Capital dos Ipês
Conhecida como “Cidade Árvore Mundo”, Campo Grande concentra o maior número de árvores na área urbana, sendo o Ipê a mais tradicional. No Brasil, existem doze tipos de ipês com flor em tons de amarelo. Uma característica que o diferencia das demais árvores é quando suas flores nascem e as folhas caem dos galhos.
