Sem transporte público nas ruas de Campo Grande devido à paralisação, os meios alternativos não tiveram descanso, principalmente em horário de pico desta quarta-feira (18). Um ponto de mototáxi na região do Moreninhas lotou de passageiros que precisavam ir ao trabalho.

Proprietário de uma loja de móveis, em frente ao ponto, Humberto Vieira, de 43 anos, notou, desde as 5h, cerca de 18 a 25 pessoas esperando a corrida de moto para o destino e outros dividindo carro por aplicativo. Ele conta que se solidarizou com três conhecidos do bairro e os levou até o serviço, próximo à Avenida Guaicurus.

Humberto ainda disse que não teve prejuízo na rotina, pois o único funcionário já mora na região e não depende do coletivo. “Acho que muitos desacreditaram que ia parar. Tinha uma menina que tinha R$ 8 e o carro de aplicativo deu R$ 35. Outro rapaz estava indo para o primeiro dia de trabalho”.

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Humberto ajudou três conhecidos (Foto: Henrique Arakaki)

Uma doméstica, que preferiu não se identificar, estava atrasada para o horário de chegada no trabalho, próximo ao Shopping Campo Grande. “Tinha que entrar 9h. Meu patrão disse que ia passar [carro de app]”.

Um dos mototaxistas disse que trabalham outros cinco colegas no ponto e o movimento começou intenso já nas primeiras horas de abertura. “Aqui abre às 8h. Em 40 minutos eu fiz umas 10 corridas, sem parar, chegava e já tinha cliente esperando”.

Retorno da paralisação

Os ônibus do transporte coletivo de Campo Grande devem voltar às ruas na próxima quinta-feira (19), conforme afirma o presidente da Federação dos Trabalhadores do Transporte de Mato Grosso do Sul e diretor financeiro do sindicato de Campo Grande (STTCU-CG), William Alves da Silva. Todos os veículos do Consórcio Guaicurus amanheceram nesta quarta-feira (18) parados na garagem.

A paralisação desta quarta-feira está ligada à reivindicação de reajuste salarial de 16% dos trabalhadores do transporte referente a 2022. A negociação ocorre desde dezembro do ano passado. A empresa ofereceu aumento de 6,4% sob a alegação que é preciso primeiro definir o novo valor da tarifa do transporte, um percentual que tem sido rejeitado pela categoria.

“Não é o intuito da categoria prejudicar a população. Nós só estamos defendendo um direito legal do trabalhador do transporte coletivo que é ter seu reajuste salarial. Para ficar claro, hoje não é greve. Para ser greve tem todos os procedimentos burocráticos. Hoje é uma paralisação. Provavelmente amanhã voltam ao normal os ônibus”, frisou William Silva, em live do Jornal Midiamax.

Nesta quarta-feira, foi publicado um edital que convoca 1,5 mil trabalhadores do transporte para uma assembleia geral extraordinária no próximo sábado (21), com a primeira chamada às 8h30. O documento é assinado pelo STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande). 

Na reunião será discutida a pauta de reivindicações da categoria, os desdobramentos jurídicos e o indicativo de greve. No final da tarde de terça-feira (17), o juiz plantonista negou o pedido do Consórcio Guaicurus de suspender a paralisação de hoje. 

*Com Clayton Neves e Thalya Godoy.