O que parecia improvável está prestes a acontecer: o prédio do antigo Hotel Campo Grande está próximo a mudar de dono, além de possivelmente por fim a um inventário que se estende por quase três décadas e ainda promover a ocupação do Centro da cidade após a restauração da estrutura para tornar-se um… hotel.

Quem adiantou as novidades foi o empresário Wagner Marcelo Monteiro Borges, que há 5 anos reside na Cidade Morena, mas que já atua no Estado há 12. Ao Jornal Midiamax, Borges detalhou investimentos e em que pé está a negociação do prédio, vendido por R$ 15 milhões pelos herdeiros de seu antigo proprietário, o empresário José Candido de Paula.

“Já recebemos a autorização judicial e, provavelmente até segunda-feira (21), vai ser passada a escritura. Saindo essa documentação a gente já começa a agilizar. Já foram feitos vários orçamentos, já antecipamos tudo isso, já contratamos arquiteta. Só vai precisar mesmo das licenças para a reforma, mas a Prefeitura está bem sensível para isso. Estamos recebendo total apoio”, detalhou o empresário.

Segundo ele, a expectativa é que sejam investidos 30 milhões na recuperação da estrutura que voltará a ser um hotel. Só o nome do empreendimento é que está em análise. Isso porque, segundo Wagner Borges, os antigos proprietários não pagaram as taxas para manter o direito de utilização do nome.

“A gente até pretende usar Hotel Campo Grande, mas já tem um hotel utilizando esse nome na Calógeras [antigo Hotel Advanced, em frente ao Alemão Conveniência]. Não sabemos ainda por conta dessa questão, mas seria o ideal. Porém, temos o nome Slavieiro, que é uma rede muito bem conceituada. Seremos o padrão deles”, explica.

Café famoso e restaurante de peso

Nem só de hotelaria, porém, viverá a estrutura imponente que se destaca na Rua 13 de Maio. “Nossa ideia é que tenham algumas lojas-âncora, para atrair mais clientes além do hotel. Estamos fechando contrato, ainda, e não vou citar nomes, mas estamos negociando contrato com um café muito famoso. Também teremos um restaurante de peso para começar a movimentar isso”, explica.

Com isso, Borges espera também uma movimentação no entorno, tal qual o Centro de Campo Grande precisa.

O antigo Hotel Campo Grande, a propósito, foi alvo de imbróglio polêmico quando, em 2018, a Prefeitura de Campo Grande demonstrou intenção de inscrever a obra num edital de revitalização federal, transformando-o em moradia, no Condomínio Menino do Mato. Contudo, sem apoio popular e dos empresários do Centro, o projeto não foi para frente.

Mas, porque um investimento que pode se aproximar dos R$ 50 milhões, contando a posse do imóvel à sua reforma? Wagner Borges diz que os estudos apontam para um aumento de fluxo de pessoas por Campo Grande, sobretudo devido a grandes investimentos em cidades próximas – o que fará da hotelaria um ramo promissor.

“Se você pensar que aqui do lado, em Ribas do Rio Pardo, teremos a Suzano, numa cidade na qual não há muita infraestrutura, teremos um fluxo muito grande também de pessoas de lá para cá. A mesma coisa ocorrerá com Inocência depois que o grupo chileno instalar a fábrica, também. Tudo vai cair em Campo Grande. No futuro, teremos um fluxo muito maior de gente. E a cidade está crescendo, também. Fizemos um trabalho bem feito e temos estudo para esse ramo. Vamos fazer algo que Campo Grande merece”, conclui.

Hotel das estrelas, espólio de 27 anos

Com atividades encerradas em 2001, cinco anos após o falecimento do proprietário, o prédio imponente na Rua 13 de Maio foi alvo de longas especulações, até o espólio no qual estava inserido tornar-se uma incógnita e arrastar-se por 27 anos. Agora, aproxima-se de seu fim.

O imóvel que hospedou celebridades e figuras importantes terá novo dono, o empresário Wagner Marcelo Monteiro Borges, conforme manifestação no espólio, em negociações que tiveram início em dezembro do ano passado – referente à aquisição do prédio e de um terreno de 480 m² contíguo ao Edifício.

Parte do dinheiro será usado para pagamento de dívidas do espólio. Só de tributos municipais do Hotel Campo Grande são R$ 3,1 milhões e de tributos federais mais R$ 6 milhões, totalizando R$ 9,1 milhões. Já a corretagem da venda do Hotel Campo Grande, de 5%, equivale a R$ 750 mil.

Na época em que ingressou na ação como parte interessada, o empresário Wagner Borges enfrentou problemas. Isso porque a Justiça determinou que os R$ 15 milhões referentes à compra fossem depositados integralmente em juízo, como é feito em casos semelhantes. 

A decisão foi questionada, já que os herdeiros têm feito a quitação gradual da dívida à União e pediram baixa dos débitos municipais prescritos para que sejam pagos em um segundo momento.