A tragédia na Favela do Mandela, região norte de Campo Grande, completa o 5º dia. Nesta segunda-feira (20), moradores e equipes municipais continuaram a limpeza dos destroços do incêndio que devastou os barracos. Com o futuro incerto sobre o lote para reerguer os lares, a queda nas temperaturas da cidade amenizou o calor dentro das tendas improvisadas.

Adir Diniz, presidente do FAC (Fundo de Apoio à Comunidade), relatou que o mutirão permanece no local, inclusive, com serviços de encaminhamento de 15 pessoas ao mercado de trabalho, pela Funsat (Fundação Social de Trabalho), além do apoio da SAS (Secretaria de Assistência Social). Continuam sendo doados alimentos e roupas, mas a maior demanda que precisa ser suprida é de roupas íntimas, produtos de higiene e materiais de construção.

A servidora esclarece que as tendas onde as famílias foram realocadas tiveram tempo estabelecido pelo Exército Brasileiro de 10 dias, sendo hoje o quinto. O município estaria estudando sobre o destino das 300 pessoas desabrigadas.

‘Parece um forno’

Por medo de perder o “pedaço de terra”, muitos preferiram não ir para abrigos e permanecer na favela durante o trabalho de reconstrução. A alternativa das tendas se distanciava do conforto, pois muitos reclamavam da sensação de abafamento diante do calorão dos últimos dias. A chegada da frente fria amenizou a sensação térmica.

Deuzélia dos Anjos Moia, 37 anos, mora há quatro anos na comunidade com o filho de 17 anos, que tem paralisia cerebral. O fogo atingiu uma parte e comprometeu o barraco. Ela está acomodado na tenda com outras três famílias. Diante do calor intenso, alguns colocaram os colchões e dormiram ao ar livre.

“Essa noite foi mais tranquilo por causa da chuva, mas de dia é um forno, parece que estamos assando. Espero que [a situação] normalize. Não pela falta de assistência, mas não é o que a gente esperava, por exemplo, não é nossa casa. Tem fila para tomar banho, não tem fogão para fazer almoço… Só consegui salvar a minha TV”, diz.

Famílias foram alocadas juntas (Nathalia Alcântara, Midiamax)

Evelin Gamarra, de 27 anos, está dividindo o espaço com o pai, sogra e uma tia. Antes, cada um tinha seu barraco, que foi destruído pelo fogo. “É uma situação tensa, difícil. Queria uma casa, mas está difícil, estão na incerteza”.

Adaptações

Segundo as lideranças e servidores municipais, uma patrola auxiliou na retirada do entulho. Alguns trechos de risco foram interditados, como de fossas que estavam escondidas pelos destroços. Diante do perigo de queda, os buracos foram tapados.

A concessionária de rede elétrica Energisa instalou postes de luz ao redor do espaço, ligações e tomadas diretas nas tendas.

Trabalhos de limpeza (Nathalia Alcântara, Midiamax)