O número de crianças e adolescentes submetidos a trabalho infantil no mundo cresceu nos últimos anos, revertendo a tendência de queda registrada em quase duas décadas de pesquisa. O alerta é do MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul), que realizou debate virtual, na última terça-feira (14). 

De acordo com o último relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o trabalho infantil atingiu um total de 160 milhões de crianças e adolescentes. Entre 2016 e 2020, houve um aumento de 8,4 milhões de meninas e meninos nessa situação, impulsionado em grande parte pelos efeitos nocivos da pandemia de Covid-19.

O webinário Proteção Social e Trabalho Infantil integra a agenda de ações em alusão ao dia 12 de junho, dia nacional e internacional de combate ao trabalho infantil. A procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Gabriela Arosio, chamou atenção para o crescimento no número de crianças e adolescentes submetidos a trabalho infantil no mundo. 

Conforme a procuradora-chefe do MPT-MS, o trabalho infantil tem vínculo direto com a capacidade de sobrevivência das pessoas, estabelecendo uma relação profunda com a ausência de oportunidades e a perpetuação da pobreza. Ela lembrou que mais de 66% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil são pretas ou pardas, conforme aponta a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

“O trabalho infantil é a porta de entrada para outras formas de violações de direitos. Por isso, precisamos romper barreiras culturais, como a aceitação do labor precoce por parte da sociedade. Ele traz inúmeros prejuízos para a educação, sendo a evasão e o baixo rendimento escolar apenas algumas de suas consequências danosas”, alertou Cândice Arosio, em nota divulgada pelo MPT-MS.