Sindicato quer paralisar obra denunciada por escravidão em Campo Grande

Trabalhadores do nordeste estariam em alojamento precário na obra
| 20/02/2022
- 18:48
Sindicato quer paralisar obra denunciada por escravidão em Campo Grande
(Foto: Divulgação/Sintracom )

Após denunciar uma empresa de construção civil por manter 50 trabalhadores nordestinos em condições análogas à escravidão em obras no Parque Dallas e Jardim Nova Era, em Campo Grande, o Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de CG) pretendem retornar e paralisar a obra nesta segunda-feira (21).

Segundo o sindicato, irão realizar uma manifestação junto aos trabalhadores do local às 7h, pois, mesmo após a vistoria e denúncias, os funcionários relatam que a situação nos alojamentos continuam precárias. "Vamos parar a construção porque a empresa responsável pela contratação dos trabalhadores já foi comunicada das irregularidades pelo Sindicato e pelo Ministério do Trabalho e nada fez até agora", diz José Abelha, presidente do Sintracom.

Na última terça-feira (15), o Ministério do Trabalho e o sindicato estiveram no principal alojamento dos trabalhadores que fica em frente à obra, na Rua Joaquim Murtinho, onde encontraram 21 trabalhadores, vindo do Maranhão e Piauí, dividindo espaço da casa, dormindo no chão e em péssimas condições de higiene. A denúncia menciona até mesmo ratos nos dormitórios.

“Os trabalhadores foram enganados com a promessa de um trabalho decente e condições dignas de moradia. Passados alguns meses, observaram que a situação era bem diferente. Então pediram para a empresa os demitirem. No entanto, a empresa – segundo os trabalhadores – disse que se alguém quisesse sair do emprego teria de assinar a demissão por justa causa”, disse Abelha.

A prática para este tipo de conduta seria “amarrar” o trabalhador à obra. “Caso concordem com a demissão por justa causa não teriam direito às verbas indenizatórias e não teriam condições financeiras de retornarem ao estado de origem”.

Outra irregularidade no alojamento é a falta de refeitório, os trabalhadores faziam as refeições sentados em ferros, e sem água gelada. Além disso, os trabalhadores não dispunham de todos os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

 

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