Mães de gerações: Mulheres que criam filhos, netos e bisnetos nos bairros de Campo Grande

Gerações de mulheres contam como continuam a tradição em família e mudanças na educação a cada novo filho
| 06/05/2022
- 08:29
Mães de gerações: Mulheres que criam filhos, netos e bisnetos nos bairros de Campo Grande
Famílias e suas gerações. (Foto: Montagem/Arquivos pessoais)

Mãe é tudo igual, até então, quando falamos dos princípios maternais de dar amor, carinho, lealdade e, claro, disciplina. As mulheres de gerações, que criaram os filhos, netos e bisnetos em bairros de Campo Grande, contam os desafios e as mudanças na criação de cada criança conforme o passar dos anos e em tempos diferentes.

Aguilar é o sobrenome da geração de filhos da indígena Regina Aparecida Aguilar, que foi adotada por da Capital, após sair da Bolívia. Aos 66 anos, ela mantém seu lar no bairro Nova Lima, onde mora até com os bisnetos.

A história de crescimento de cada membro da foi diferente, pois Regina, havia sofrido muito na infância, levando alguns traumas, que até evita contar. Fátima Aparecida Aguilar conta que a mãe não terminou os estudos, tendo que trabalhar muito cedo para se sustentar. Saiu de casa ainda criança, além de tê-la na adolescente, aliás, criou as duas filhas sozinha.

“Ela foi abandonada pela mãe e pai, sendo adotada pela avó Marina, criada por ela. Não temos, de fato, convívio com os pais biológicos dela. Até tentamos resgatar a história, mas não sabemos até que ponto isso pode machucar o passado”.

As dificuldades assolaram a casa por um tempo, as meninas passaram fome, na época, quando Fátima e a irmã, Fabiana Aparecida Aguilar, eram crianças, por volta dos 5 e 7 anos. Para mudar o futuro das filhas, exigiu que elas estudassem e focassem no crescimento financeiro. Que hoje, ambas formadas, deram outra vida aos filhos, em condições opostas.

Ao novos filhos, Fabiana quis reconstruir a criação do entendimento antes do castigo, algo comum às crianças dos anos 80-90. Ainda assim, Regina a ensinou a ser uma mulher forte e independente, além de superprotetora.

Regina e a neta
Regina e a neta. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Me lembro de quando ela ia nas reuniões da escola, sempre que podia e sem entender nada. Minha mãe não tinha muito condições financeira e, acho também, que nem instruções de como educar filhos, mas conseguiu sozinha. Hoje eu tenho certeza que ela fez tudo que podia, tudo que ela tinha no seu alcance para fazer. Deixei o lado bom como exemplo de sempre respeita a mãe independente de qualquer coisas, mesmo que, a mãe fale alto ou fale alguma coisa ruim, jamais levantar a voz para mãe. Mãe é sagrada”.

A neta Thalliane Kamily Aguilar González continua a geração, mas já adianta que os dois filhos crescerão sem ‘ditadura’, por exemplo, não serão obrigados a pedir a “bença, mãe”, ato tradicional em famílias católicas.

“A educação deles é totalmente diferente, não vou cobrar e nem exigir, tem que ter respeito. Eu ensino meus filhos, de 2 e 4 anos, a crescer como um homem de respeito, ter educação, para não ter aquele espírito de racismo e nem preconceito”.

Gerações e tradições de décadas

A família Pereira é gigante, igual ao coração da matriarca Amélia Pereira dos Santos, de 80 anos, que teve 10 filhos, 21 netos, 26 bisnetos e 2 trinetos. Veio de Alagoas para Capital, mas decidiu construir a vida no bairro Nova Lima.

Família Pereira
Parte da família Pereira reunida. (Foto: Arquivo Pessoal)

Na casa, a tradicionalidade de décadas sobrevive, como ajoelhar aos pés dos mais velhos em todas as Sextas-feiras Santas. “A mesma educação que tive pela minha mãe foi passada para meus filhos. Eu ajoelhava no pé da minha mãe, dos meus padrinhos e dos meus tios nesse dia. Assim é na minha casa, meus filhos passaram para meus netos e assim os bisnetos”.

Sem esquecer do nome de nenhum familiar, ela ressalta que para manter todos unidos houve muita conversa, desde o berço. Os domingos, datas comemorativas e aniversários são sagrados para eles. “Do Alagoas, fui para São Paulo, mas aqui no Nova Lima vim morar perto de todos meus filhos”.

Amor e resgate de animais através das gerações em MS

As gerações da família Sivieiro construíram amor por animais em resgate de pets que precisam de assistência. O trio de mulheres se uniu para dar mais conforto a bichos que sofrem com os maus-tratos e abandonos nas ruas da Capital. Inclusive, em um resgate emocionante de uma cachorra prenha escondida em uma tubulação na Avenida Duque de Caxias, Bairro Santa Mônica, em Campo Grande.

A matriarca, Mafalda Sivieiro Leite, de 72 anos, conta que repassou a missão de fazer o bem aos animais para a filha, Ana Paula Sivieiro, que repassou para a neta, Ana Patrícia Sivieiro, morando no bairro Recanto dos Pássaros.

Gerações de mulheres
Ana Paula também educou filha realçando o carinho com os animais. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Fomos formando um modo de sempre pegar, cuidar e dar carinho aos animais. Já perdemos a conta de quantos bichos resgatamos nesses anos. Teve essa que resgatamos no bueiro, no dia seguinte ela pariu cinco filhotinhos, doamos todos. Ela ficou conosco por um tempo, tratando de Leishmaniose, mas tivemos que recorrer à eutanásia para evitar dor e sofrimento dela”, disse.

Por gostar tanto, Ana Paula se formou em medicina veterinária, aliás, é conhecida como Ana Boiadeira, a primeira peoa do Brasil. Até mesmo de cavalo ela já foi buscar a pequena na escola. Quando a filha nasceu, uma das primeiras coisas que fez foi apresentar a menina a sua égua de estimação.

“Fui criada em fazenda em meio aos animais, aprendi a amar os bichos. Sempre tive todo tipo de animal de estimação, desde veado à porco-do-mato. Moro em Campo Grande desde 1993, mas sempre gostei de resgatar, cuidar e depois arrumar tutor responsável para cuidar/adotar. Quando não conseguia, ficava pra gente mesmo. Sou veterinária, me especializei em grandes animais, mas nunca abandonei os pequenos”.

Sobre a neta, Mafalda se orgulha em ver a criança crescendo nos passos que incentivou através das gerações. “É uma satisfação muito grande ver que ela adora fazer o bem para quem não sabe se defender da maldade humana”, finaliza.

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Porém, em comparação a maio último, houve queda de 4,21%.

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