Cotidiano

Petrobras diz que 'risco catastrófico' em termoelétrica de Três Lagoas não é para moradores

Termo foi usado em meio a desentendimento com ONS sobre a manutenção em equipamento da usina

Lucas Mamédio Publicado em 27/09/2021, às 15h53

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(Foto: Divulgação)

Após a revelação de um desentendimento entre Petrobras e ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) sobre a manutenção na termoelétrica de Três Lagoas, inclusive com a utilização do termo 'risco catastrófico' em nota da petrolífera brasileira, o episódio foi minimizado pela própria estatal que disse em resposta ao Jornal Midiamax que a expressão “refere-se a possíveis eventos técnicos que trazem uma indisponibilidade mais prolongada do equipamento, sem risco a pessoas ou ao meio ambiente”.

A Petrobras também pontuou que solicitações de adiamento, postergação ou aprovação de paradas fazem parte da rotina operacional de relacionamento com o Operador Nacional do Sistema Elétrico. “Conforme mencionado anteriormente, a Petrobras seguirá atendendo às necessidades do sistema, sempre que possível, garantindo a segurança operacional de suas unidades”.

Desentendimento entre Petrobras e ONS

O Operador Nacional do Sistema (ONS) pressionou a Petrobras a manter ligada uma termoelétrica que precisava de manutenção. Alegando que precisava evitar "falha catastrófica" na estrutura da unidade, a estatal desligou a usina, conforme mostram comunicados que foram trocados entre a Petrobras, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o ONS obtidos pelo ‘Estadão’.

Diariamente, é o ONS que determina o que será gerado em cada uma das usinas em operação no País, como forma de distribuir essa geração entre as diferentes fontes e garantir o equilíbrio dessa divisão. Com o nível dos reservatórios das hidrelétricas muito baixos por causa da pior estiagem dos últimos 91 anos, o órgão tem exigido que usinas de geração térmica — a gás, diesel, biomassa e carvão — funcionem na capacidade máxima para tentar reter mais água nas barragens. Essas determinações, no entanto, têm testado os limites do sistema.

No primeiro fim de semana de setembro, entre os dias 3 e 5, a Petrobras havia comunicado ao Operador que precisaria paralisar as operações de sua usina térmica de Três Lagoas, uma planta de 386 megawatts de potência instalada em Mato Grosso do Sul, porque tinha de fazer uma manutenção importante na estrutura.

A empresa teve o cuidado de agendar o serviço para o fim de semana, quando o consumo elétrico no País diminui, e apresentou a programação com duas semanas de antecedência. Como é praxe no setor, se tratava de uma parada programada, ou seja, uma operação de rotina. Ocorre que o ONS decidiu rejeitar o pedido.

Três dias antes da paralisação agendada, no dia 31 de agosto, o Operador rejeitou o pedido da Petrobras e, sem dar espaço para justificativas, declarou que "em função do cenário energético, com cargas elevadas e alto despacho térmico", tinha que manter a "máxima disponibilidade de unidades geradoras" e que a paralisação deveria ocorrer apenas no feriado, entre 5 e 7 de setembro.

No dia seguinte, a Petrobras ainda insistiu com o órgão regulador e pediu para que fosse mantida a programação original da intervenção, porque "já não havia tempo hábil para reprogramar a atividade e que essa postergação de data ia contra as recomendações dos especialistas e do fabricante".
O ONS, porém, voltou a rejeitar as alegações da companhia e, por meio de um e-mail, manteve a ordem de adiar a parada, indicando mais uma vez o cenário de crise energética para adiar a intervenção na usina. Restou à Petrobras ignorar o pedido.

Jornal Midiamax