Cotidiano

Homofobia: Sesau repudia mulher que recusou vacina e chamou servidor de 'viado' em Campo Grande

A situação aconteceu no sábado (21), quando a autora recusou aplicação da dose e ofendeu um profissional de saúde por causa da sua orientação sexual

Nathália Rabelo Publicado em 22/08/2021, às 11h30

Sesau emitiu nota de repúdio neste domingo (22)
Sesau emitiu nota de repúdio neste domingo (22) - Foto: Reprodução/Sesau

Para os negacionistas que ainda acreditam que a homofobia não existe no Brasil, caso ocorrido em Campo Grande neste sábado (21) é exemplo que reflete puramente o preconceito escancarado que tange toda a sociedade. Na manhã deste domingo, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) emitiu uma nota de repúdio após um ato de homofobia em um dos pontos de vacinação de Campo Grande.

De acordo com as informações da Sesau, uma mulher havia comparecido ao drive de vacinação Albano Franco, ontem, para vacinar a sua filha adolescente. Na ocasião, ela usou um termo homofóbico ao se referir ao profissional de saúde responsável pela aplicação. Depois, ela ainda foi embora sem deixar que sua filha tomasse a dose do imunizante.

“A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) manifesta o seu mais profundo repúdio a episódio de homofobia ocorrido no sábado, dia 21 de agosto, no drive de vacinação Albano Franco. Na ocasião, uma mulher teria usado de termo pejorativo e homofóbico ao se referir a um profissional de saúde e se opôs que o mesmo vacinasse sua filha adolescente. Ela deixou o local sem que a filha recebesse o atendimento”, escreveu.

“A Sesau lamenta esse tipo de situação e reforça que dará todo o suporte necessário ao profissional”, finalizou a nota.

Nas redes sociais, o cirurgião dentista – que não será identificado – postou o relato completo da péssima experiência vivenciou. “Hoje acordei cedo, com muito ânimo para vacinar mais um dia no Albano Franco e tratar as pessoas com maior carinho e atenção que merecem em um momento tão especial”, começou.

A tarde, enquanto terminava de dar as orientações as pessoas que haviam vacinado, percebi que estava havendo uma confusão no carro de trás, porém continuei dando atenção a quem eu havia atendido. Após terminar, me dirigi para o carro de trás, onde ocorrida uma grande discussão”.

A mulher, no caso, estaria discutindo com outra servidora e jogou os documentos no chão, revoltada pela sua filha ser vacinada por um “viado”. Mas foi quando o rapaz chegou ao veículo que o verdadeiro problema aconteceu.

Esbravejando, a senhora desceu de seu Corolla Branco, pegou os documentos do chão e apontou seus dedos para mim dizendo: “Eu não quero que minha filha seja vacinada por esse tipo de gente, um viado”.

Da surpresa à decepção, ele relatou que ficou muito triste com a situação. “No momento, por alguns minutos, meu mundo parou e fiquei sem reação pois jamais imaginei passar por tal situação[...] A senhora começou a discussão pois já chegou ao box gritando dizendo de que não queria que eu vacinasse sua filha ou chegasse perto. Isso sem me conhecer ou ao menos trocar uma palavra comigo, apenas por puro preconceito”.

A vítima foi acolhida pelos profissionais do Albano Franco em seguida

Homofobia é crime

Depois de muita luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+, a que mais morre no Brasil vítima de atos como o mostrado acima, a homofobia passou a ser considerada crime no país.  Em junho de 2019, o STF decidiu pela criminalização da homofobia e da transfobia, determinando que a conduta passe a ser punida pela Lei de Racismo (7716/89). A pena pode variar de três a cinco anos de prisão, mais multa.

Portanto, para quem achava que poderia sair impune de situações como essa, a lei está aí para mostrar que o preconceito pode, sim, levar à cadeia. Agora, a equipe da prefeitura está investigando as câmeras de segurança do local para identificar a placa do carro, encontrar da autora e abrir processo de crime de homofobia.

Confira o relato completo da vítima:

Jornal Midiamax