Cotidiano

‘Forte odor de putrefação’: empresa que causa mau cheiro no Lageado já foi investigada

A empresa de fertilizantes, que é acusada por moradores como causadora do meu cheiro, já foi alvo de Ação Civil Pública, instaurada pelo MPMS.

Dândara Genelhú Publicado em 03/03/2021, às 14h00 - Atualizado em 04/03/2021, às 09h02

Empresa de fertilizantes fica próxima ao aterro, na BR-262. (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)
Empresa de fertilizantes fica próxima ao aterro, na BR-262. (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax) - Empresa de fertilizantes fica próxima ao aterro, na BR-262. (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

Na última segunda-feira (1º), o Jornal Midiamax expôs a situação que moradores da região do Dom Antônio e Lageado passam todos os dias. De acordo com quem vive nos bairros, o mau cheiro e forte odor que permanece todos os diasé resultado da Organoeste. A empresa de fertilizantes acusada já foi alvo de Ação Civil Pública, instaurada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Localizada em Campo Grande, a empresa enfrentou a ação proposta em maio de 2013. O autor foi o então promotor de Justiça, hoje procurador de Justiça da 22ª Procuradoria de Justiça Criminal, Alexandre Lima Raslan. Assim, o Ministério destacou dois problemas ambientais graves cometidos pela fábrica de fertilizantes.

O primeiro apontamento é que a “localização da empresa, que está situada nas proximidades do aeroporto de Campo Grande, causa a atração de pássaros com a sua atividade, colocando em risco a segurança viária”. E a segunda, diz respeito a própria “poluição ambiental, pela inadequação do processo produtivo e instalações”.

Então, no segundo problema destacado, o MPMS destaca que está diretamente relacionado com o “forte odor de putrefação”. A 34ª Promotoria de Justiça lembra que o município de Campo Grande foi inserido na ação, por ter concedido a licença ambiental para a empresa. Segundo a promotoria, a gestão municipal não ocasionou “medidas efetivas e seguras para eliminar os riscos gerados pela operação do empreendimento”.

Ações contra a empresa

Entre as medidas que o MPMS solicitou na ação, estava a suspensão da licença ambiental para a empresa operar. Foi requisitada a interdição das atividades licenciadas, até mesmo as de recebimento, beneficiamento e armazenamento de resíduos orgânicos e fertilizantes orgânicos. Outras atividades relacionadas ao atrativo de fauna, remoção do empreendimento de lugar e o protocolo de Projeto de Recuperação de Área Degradada também foram pedidas.

Assim, a primeira decisão foi protocolada pelo atual desembargador Amaury da Silva Kuklinski, em dezembro de 2013. O desembargador, que era juiz na época, decidiu que a liminar não seria deferida. Então, o MPMS entrou com recurso por não concordar da ação.

No entanto, a ação novamente foi indeferida, pois, o recurso foi negado pelo Tribunal de Justiça. Porém, os réus foram citados e apresentaram resposta e a decisão foi reconsiderada. Assim, houve deferimento da liminar, que determinou a fiscalização no local da empresa e que o município não autorizasse atividades realizadas na região do aeroporto.

Com isso, as atividades da fábrica de fertilizantes não foram suspendidas ou interrompidas. Por fim, a Promotoria destacou que houve perícia no local, que confirmou que “o odor pode ser tornar mais forte dependendo do horário e temperatura do dia”.

Mau cheiro insuportável

Depois da reportagem do Jornal Midiamax, que relatou o cenário de mau cheiro que os moradores da região do Dom Antônio vivem, vereadores de Campo Grande cobraram providências da empresa. Em busca de solução, há quem defenda até o remanejamento da fábrica de fertilizantes do perímetro urbano.

O vereador Clodoilson Pires (Podemos), disse que esteve no aterro sanitário no período de pré-campanha e descobriu que o mau cheiro na região não vem daquele local. “Vem da Organoeste que é aquela compostagem que fica em frente ao aterro. Porque toda vez que eles mexem e reviram o próprio lixo, é dali que vem o mau cheiro”, afirmou o vereador.

“Acredito que esse tipo de empresa eles têm que ficar fora dos arredores da cidade, não dentro do perímetro urbano”, finalizou. A mudança da fábrica poderia trazer aos moradores da região um pouco de qualidade do ar atmosférico. De acordo com eles, às vezes o odor é tão forte que chegam a passar mal.

Em entrevista ao Jornal Midiamax, o físico especialista em poluição atmosférica, Widinei Alves, disse que o mau cheiro é mais forte quando o vento está na direção Oeste. “Eles vão sofrer realmente quando os ventos estão vindo pelo Oeste ali naquela região, pela proximidade com o aterro, lixão e a própria Organoeste”, explicou.

Moradores chegam a passar mal com o odor

'Forte odor de putrefação': empresa que causa mau cheiro no Lageado já foi investigada
Odor fica mais intenso durante a tarde, segundo moradores. (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

Moradores do Dom Antônio Barbosa, Parque do Sol, José Teruel Filho, Parque do Lageado, Jardim Colorado e Pênfigo têm uma rotina impregnada pelo mau cheiro, literalmente. O odor que atinge a região causa dores de cabeça e até leva moradores ao atendimento no posto de saúde.

A promotora de vendas Viviane Rodrigues dos Santos, de 29 anos, diz que já foi parar no posto de saúde por cinco vezes, por conta do odor forte no bairro. Apesar de alguns moradores estarem quase habituados ao transtorno, ela não consegue se acostumar com o pesadelo de conviver com o cheiro ruim dentro de casa. “Há dois anos já teve até paralisação dos moradores, na BR-262, em frente à empresa de adubo”, relembra.

A empresa de fertilizantes apontada como a causa do transtorno aos moradores é a Organoeste. O gestor da empresa, Flávio Pereira, conversou com a reportagem do Jornal Midiamax e discorda da posição dos moradores. “A nossa empresa não é uma perfumaria, trabalho com resíduos. A gente recebe o resíduo faz o tratamento e não existe um cheiro que comprometa os bairros”, disse.

Pereira cita que a empresa de fertilizantes fica próxima ao aterro sanitário e da rede de tratamento de esgoto. “Aquela região é uma região que provoca odores. É muito simplista querer determinar que uma empresa, que alguém seja responsável”.

Jornal Midiamax