Cotidiano

Em pesadelo que dura 45 dias, mulher busca ajuda para se livrar das perseguições do ex-marido

Medida protetiva não intimida o homem, que insiste em reatar o relacionamento com a moradora

Mariane Chianezi Publicado em 27/09/2021, às 16h02

None
De arquivo, Midimax/ilustrativa

Uma moradora de Campo Grande vive um verdadeiro ‘pesadelo’ há 45 dias desde que se separou do ex-marido. Mesmo com cinco boletins de ocorrência registrados contra o ex-companheiro e uma medida protetiva que determina que ele fique a pelo menos 300 metros de distância, parece não ser o bastante, pois perseguições são diárias.

Ela contou ao Jornal Midiamax que a separação aconteceu há um ano, mas o homem continuou morando na mesma casa até ele ter ‘um canto’ para morar. Há 45 dias ele deixou a casa e a vida dela começou a virar de cabeça para baixo.

Moradora recebe mensagens dele todos os dias | Imagem: Reprodução

“Ele passou a me ligar todos os dias, mandar mensagens pedindo para voltar, falando que seria um homem melhor. Eu ignorava porque queria seguir com a minha vida junto ao meu filho, mas aí ele sequestrou [a criança], ficou com ele por 28 dias. Foi um desespero”, contou.

O homem buscou o menino na escola e, sem comunica-la, o levou para casa. Ela relata que precisou acionar a Justiça para recuperar o filho e só após a insistência do oficial de Justiça junto a ela, o menino de 3 anos foi devolvido aos braços da mãe.

Autônoma, ela trabalha em um ramo e conta com as clientes para fazer sua renda. Porém, até atormentar as clientes dela o ex-marido tem feito. “Ele manda mensagens para elas, conta histórias, diz que sou ingrata, que usei ele. Outras clientes ficam com medo [de frequentar o negócio] e ele aparecer. Ou seja, até minha vida profissional se tornou impossível. Minhas clientes têm deixado de vir", contou. 

Sem família em Campo Grande, ela é de outra região do país, e conta que às vezes se sente sozinha e desamparada. "Meu filho sofre muito com essa situação, quase todos os dias a escola dele me liga para buscar porque ele está agitado. Ai eu tenho que parar o meu trabalho para ir buscar, porque não tem ninguém que fique com ele aqui ao não ser eu. Não tenho família aqui", relatou. Na escola foi recomendado que a criança, de apenas 3 anos, passasse por sessões de terapia devido ao estado emocional. 

Para impedir que a violência evolua para algo maior, o advogado da vítima entrou com um pedido de urgência para que o homem fosse monitorado através de uma tornozeleira eletrônica. No último dia 23 de setembro, a juíza Jacqueline Machado da 3ª Vara da Violência Doméstica e Familiar c/ Mulher deferiu o pedido e determinou que o aparelho fosse colocado no homem e proibir que ele mantenha contato por ligações ou mensagens de texto.

No entanto, até esta segunda-feira (27), ele não foi localizado.

Jornal Midiamax