Cotidiano

Olimpíadas começam com torcida e decepção da comunidade japonesa em Campo Grande

O impacto negativo dos reflexos da pandemia, que forçou o adiamento do evento de 2020 para 2021, é clara no espírito dos descendentes de japoneses

Lucas Mamédio Publicado em 23/07/2021, às 07h00

None
(Foto: Divulgação)

A comunidade nipônica de Campo Grande não está muito animada com a abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão. O impacto negativo dos reflexos da pandemia, que forçou o adiamento do evento de 2020 para 2021, é clara no espírito dos descendentes de japoneses.

Para muitos, as Olimpíadas não deveriam nem ser realizadas. Essa é a opinião de Eduardo Kanashiro, presidente da Associação Okinawa. “A falta de público, o boicote de alguns atletas e delegações, tudo isso tira a graça do evento. O povo japonês merecia um evento melhor”.

A abertura será realizada às 7 horas da manhã, horário de MS, no Estádio Nacional, na capital japonesa, sede dos jogos. Segundo os organizadores, a ostentação que tradicionalmente marca o evento, seja de dinheiro e recursos tecnológicos, seja de calor humano, dará lugar ao comedimento.

O desfile das delegações, por exemplo, ponto alto das cerimônias de abertura, será bem menor, segundo o Comitê Organizador. Ainda não se tem ideia de quantos participarão da cerimônia, mas já se sabe que serão bem menos participantes.

Bernardo Tibano, um dos diretores da Associação Nipo Brasileira em MS, diz que está com uma mistura de sentimentos. “Por um lado fico muito triste com tudo que está acontecendo, o adiamento, a falta de público, mas tenho certeza que amanhã, vendo a abertura, tudo vai mudar. Vou ficar grudado em frente à TV”.

Filho de japoneses, Bernardo acredita na seriedade do povo de quem descende. “O japonês leva muito a sério tudo que faz, então acho que apesar de tudo, eles vão dar um show de organização e demonstrar para o mundo sua capacidade de superar desafios”.

Polêmicas na abertura

O Comitê Organizador dos Jogos sofre para colocar a cerimônia de pé. Houve ao menos três trocas na direção. Antes da pandemia, quando se imaginava uma festa luxuosa, ela coube ao premiado ator japonês Mansai Nomura. Com o adiamento da Olimpíada devido à pandemia, tudo pensado anteriormente foi jogado fora.

A mensagem que seria passada ganhou peso maior do que a estética. Nomura, então, foi substituído pelo publicitário japonês Hiroshi Sazaki, responsável pela parte japonesa da cerimônia de encerramento da Rio-2016.

Em março, Sazaki fez uma piada gordofóbica contra uma popular comediante japonesa, não houve alternativa que não afastá-lo dos Jogos. Ele foi substituído por Kentaro Kobayashi, que pediu demissão nesta quarta-feira (22), após as polêmicas envolvendo piadas suas sobre o Holoausto.

Jornal Midiamax