As quatro pessoas detidas durante confusão, na manhã desta quarta-feira (29), em ação de desocupação da Cidade de Deus, irão passar a noite na delegacia. Elas irão aguardar audiência de custódia, onde será definido se responderão em liberdade.

O delegado que recebeu o caso na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, Lucas Caires, disse que eles responderão pelos crimes de esbulho possessório (invasão de propriedade), e injúria qualificada. Porém, ainda será apurado quem responderá, também, por desacato.

De acordo com Caires, os quatro teriam atirado pedras na equipe da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e resistido à ordem de tirar os barracos na área invadida.

Outro lado

Entre os detidos está uma jovem, grávida de 3 meses. A mãe dela, Valquíria Mendes, 38 anos, disse à reportagem do Jornal Midiamax que os guardas entraram na casa onde moram, que fica em um terreno particular, ao lado da área invadida.

Relato semelhante é contado por Sebastiana Ferreira de Souza, 43 anos, mãe de um rapaz detido. Ela disse que o filho estaria apenas tentando explicar aos guardas que a menina grávida não estava nos barracos da invasão. Ainda conforme a mulher, os guardas entraram na casa onde mora – que também não faz parte da área invadida – atirando balas de borracha.

A mãe de outro rapaz que está detido, Aira Chaves, 49, disse que mora nesse outro terreno e que a equipe da GCM entrou no quintal deles e o rapaz tentou explicar a situação, mas foi levado para a delegacia.

Entretanto, as versões das mães são descartadas pelo delegado. Ele afirmou que a soma das penas por esses crimes ultrapassam 4 anos e, por esse motivo, não será possível arbitrar fiança.

Mais cedo, o diretor da Amhasf (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), Eneas José de Carvalho Neto, afirmou que a ocupação se trata de ação de cunho político.

Sem fim

Após o terceiro dia consecutivo de tentar desocupar a área, os cerca de 200 moradores do local já começaram a reerguer os barracos. Eles afirmam que vão permanecer na área até que a prefeitura reassente eles em um outro local.

Por outro lado, o diretor da Amhasf afirmou que não vai ceder a pressão e as ações de desocupações vão continuar até que todos se retirem do local.