Enquanto os números do coronavírus (Covid-19) causam apreensão em Campo Grande, que reúne os maiores volumes de casos positivos (8.187) e de óbitos (90), a situação da pandemia em Corumbá –a 419 km da Capital– também preocupa a Secretaria de Estado de Saúde. Dados compilados pela pasta apontam, por exemplo, que a taxa de letalidade da Covid-19 na região pantaneira é mais que o dobro da registrada em Campo Grande.

O coeficiente de mortalidade é ainda maior, apontando que o total de óbitos por 100 mil habitantes em Corumbá é o maior entre as macrorregiões de Saúde do Estado. A cidade é hoje a terceira em número de casos positivos (991 desde o início da pandemia) e em mortes (28, duas delas registradas entre a tarde e a noite de sexta-feira).

A taxa de letalidade é a proporção entre o número de mortes causados por uma doença e o total de infectados pela mesma. Em Mato Grosso do Sul, o percentual médio é de 1,4%, mas o índice varia em relação às quatro macrorregiões de Saúde.

Em Campo Grande, por exemplo, a taxa de letalidade está em 1,2%; chega a 1,4% em Três Lagoas (592 casos e 11 óbitos) e a 1,5% em Dourados (4.115 infectados e 51 mortes). Já em Corumbá o percentual é de 2,6%. “É mais que o dobro da de Campo Grande”, frisou o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende.

O mesmo foi destacado em relação ao coeficiente de mortalidade (o total de óbitos registrados a cada 100 mil habitantes) em Corumbá, que chega a 21,5.

Mato Grosso do Sul tem uma taxa média de 10,5 óbitos por 100 mil pessoas –são 292 vidas perdidas para a doença em um universo de 2,78 milhões de habitantes. Em Campo Grande, a taxa é de 9,1 (são aproximadamente 900 mil habitantes); chega a 7,7 em Três Lagoas (121,3 mil moradores); e a 13 em Dourados (223 mil pessoas).

Os dados ainda acompanham projeção da SES referente à média móvel –comparativo entre períodos sequenciais– de casos confirmados por município. A base de dados avalia apenas os testes RTPCR (considerado “padrão ouro” na identificação de infecções) e que atestou alta em todas as macrorregiões.

Ao longo de 14 dias, essa média teve um aumento de 47% em Campo Grande, de 23% em Dourados (que vinha registrando queda no volume de novos infectados) e de Três Lagoas (50,8%). Já em relação a Corumbá, a alta chegou a 103,4%.

“Em Corumbá, o coeficiente de mortalidade é altíssimo, em 21,5%. Isso mostra que precisamos de intervenções também no sentido de buscar parcerias para que aqueles que precisem de leitos de UTI tenham tratamento mais efetivo, para evitar uma taxa de letalidade tão alta e a mortalidade crescendo a cada dia que passa”, afirmou o secretário, durante boletim que apontou mais de 21 mil casos positivos de coronavírus e 292 mortes no Estado.