Cotidiano

Estudos não comprovam eficácia da ivermectina contra a covid-19

A ivermectina, usada para tratamento contra parasitas em seres humanos e animais, foi incluída no protocolo de Campo Grande com orientações para tratamento de pacientes em estágio inicial da covid-19. O medicamento tem sido motivo de debate entre especialistas e autoridades que estão na linha de frente do combate à pandemia e muitos afirmam que […]

Matheus Maderal Publicado em 17/07/2020, às 10h40

Foto: Marcelo Casal Jr/ Agência Brasil
Foto: Marcelo Casal Jr/ Agência Brasil - Foto: Marcelo Casal Jr/ Agência Brasil

A ivermectina, usada para tratamento contra parasitas em seres humanos e animais, foi incluída no protocolo de Campo Grande com orientações para tratamento de pacientes em estágio inicial da covid-19. O medicamento tem sido motivo de debate entre especialistas e autoridades que estão na linha de frente do combate à pandemia e muitos afirmam que pode curar – ou prevenir – a infecção contra o coronavírus. Não há, no entanto, nenhum estudo conclusivo comprovando a eficácia do remédio para tratar a covid-19.

No mês passado, cientistas australianos publicaram um estudo informando que o remédio conseguiu parar a replicação do vírus em laboratório. Com isso, muitos correram para obter a medicação que é indicada para tratar de verminose, sarna e bicho geográfico.

Em entrevista concedida à Agência Estado, a Professora associada do departamento de Microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Giliane de Souza Trindade disse que é necessário que as pessoas saibam a diferença de um teste feito em laboratório para outro aplicado em seres vivos. “As pessoas ignoram isso, ficam procurando uma fórmula mágica. É a mesma coisa da cloroquina (que também não tem eficácia comprovada).”

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia divulgado uma nota no começo do mês, informando que os estudos relacionando a ivermectina ao tratamento da covid-19 não eram conclusivos. “O uso desse remédio cria uma falsa sensação de segurança, com efeitos alérgicos e alteração no fígado”, explicou Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Emílio Ribas e Albert Einstein à AE.

Com as novas orientações do protocolo adotado na capital, médicos poderão receitar, com o consentimento do paciente, medicamentos que não possuem indicativo na bula de que podem ser usados no tratamento contra o novo vírus. Além da ivermectina e da hidroxicloroquina, o novo protocolo inclui sulfato de zinco e vitamina D3  para pacientes em estágio inicial da doença.

O protocolo foi motivo de debate promovido pela Câmara Municipal, em que o Conselho Municipal de Saúde manifestou preocupação por não ter tido acesso ao conteúdo do documento.

Jornal Midiamax