Cotidiano

Conciliação entre Consórcio Guaicurus e motoristas termina sem acordo no TRT

Após a demissão de dois motoristas líderes de movimento para o reajuste salarial, a primeira audiência de conciliação do Consórcio Guaicurus e os funcionários terminou sem acordo no TRT-MS (Tribunal Regional de Trabalho). Cerca de 35 funcionários das empresas participaram da audiência junto com advogados e o diretor do Consórcio, João Rezende. Dos cinco itens […]

Mariane Chianezi Publicado em 09/12/2019, às 17h23 - Atualizado às 18h00

Diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, João Rezende | Foto: Leonardo de França
Diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, João Rezende | Foto: Leonardo de França - Diretor-presidente do Consórcio Guaicurus, João Rezende | Foto: Leonardo de França

Após a demissão de dois motoristas líderes de movimento para o reajuste salarial, a primeira audiência de conciliação do Consórcio Guaicurus e os funcionários terminou sem acordo no TRT-MS (Tribunal Regional de Trabalho). Cerca de 35 funcionários das empresas participaram da audiência junto com advogados e o diretor do Consórcio, João Rezende.

Conciliação entre Consórcio Guaicurus e motoristas termina sem acordo no TRT
Foto: Leonardo de França, Midiamax

Dos cinco itens propostos para serem debatidos na audiência, apenas três foram pauta, sendo o valor do vale alimentação, percentual do reajuste salarial e pagamento da PLR (Participação dos Lucros e Resultados).

A categoria inicialmente pediu reajuste no vale alimentação, que atualmente é de R$ 110 e motoristas pediram R$ 170. O valor foi acatado pelo Consórcio Guaicurus, mas na condição de que os funcionários abrissem mão da PLR. No entanto, a categoria não aceitou a medida.

A procuradora-geral Candice Gabriela Arósio, do MPT-MS (Ministério Público do Trabalho) participou da audiência e resgatou a convenção passada entre as partes em que os motoristas tiveram reajuste de 5% no salário e questionou se o ponto das negociações não poderia partir da ocasião.

Arósio propôs os mesmos 5% de reajuste, manutenção da PLR e a mudança no vale alimentação para R$ 170, mas não teve acordo. Depois do episódio em que dois motoristas foram demitidos, alguns funcionários temem mais represálias. “Amanhã eu posso estar desempregado. Meu medo é isso, de ser mandado embora”, disse José Luiz.

O juiz Flavio da Costa Yiga, destacou que o maior impasse é justamente a questão salarial, onde o sindicato dos trabalhadores pediu um reajuste de 13%, mas o sindicato dos empregadores ofereceu 2,55%, o que está a baixo da negociação passada. Yiga comentou que para esse aumento salarial, precisa de uma autorização governamental da prefeitura pois pode impactar na tarifa.

O Consórcio Guaicurus pediu o adiamento da audiência para esta terça-feira (10), para poder debater com a Prefeitura Municipal no reajuste salarial, pois poderia ter impacto na tarifa do ônibus.

Demissões

Dois motoristas que lideravam paralisação e manifesto por reajuste salarial foram demitidos na última sexta-feira pelo Consórcio Guaicurus, formado por empresas que detêm a concessão do transporte público em Campo Grande. Sem o apoio do STTCU (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande), que considerou a manifestação ilegal, os funcionários foram demitidos por justa causa.

Os funcionários da Viação Campo Grande e Viação Cidade Morena, Carlos Eduardo Ferreira da Silva e Thiago Martins de Souza, respectivamente, afirmaram ao Jornal Midiamax que as demissões é uma retaliação das empresas para inibir e intimidar os demais funcionários que planejam participar da paralisação. O movimento iria acontecer nesta sexta-feira, mas após reunião motoristas decidiram adiar o ato.

Em conversa com a reportagem, diretor da empresa, João Rezende, afirmou que não tinha conhecimento das demissões. Outra questão que os motoristas destacaram, foi que as empresas não deram a justificativa para a demissão. “Quando perguntamos sobre a justa causa, apenas disseram que foi ordem lá de cima”, disse um dos motoristas.

Jornal Midiamax