Candidato teve pedido de atendimento especial indeferido na inscrição

Acadêmico do último ano de jornalismo, João Guanes, de 48 anos, diz que foi constrangido ao tentar realizar prova do concurso do (INSS) Instituto Nacional do Seguro Social, neste domingo (15), em Campo Grande. Portador de deficiência visual, o candidato não pôde realizar o exame já que sua inscrição não constava atendimento especial e, desta forma, a organizadora do concurso não disponibilizou acompanhamento qualificado para leitura das questões.

João explica que se inscreveu para vaga de nível médio ao cargo de Técnico de Seguro Social, e atendendo e-mail recebido do Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos), compareceu antes do horário previsto para realização da prova na Uniderp da avenida Ceará, mesma universidade onde estuda. No local, foi encaminhado para uma sala, onde foi informado da impossibilidade de realização do certame.

“Fiz inscrição e me encaminharam e-mail falando da data e horário da prova. Fiz tudo certinho e conforme me informaram, procurei o bloco 6, sala 12882. De lá, me encaminharam para outra sala, colocaram meu celular em um saquinho. Achei que estava tudo certo, mas em seguida avisaram que meu pedido de atendimento especial havia sido indeferido. Fiquei nervoso com a notícia, questionei, mas mesmo assim me impediram de fazer a prova e me retiraram de lá. Foi uma situação constrangedora”, diz.

Segundo o candidato, o maior problema foi não ter sido avisado da impossibilidade, o que lhe impediu de tentar recurso. “Eu acompanhei todos os e-mails, estudei muito para fazer essa prova. Até agora estou transtornado com toda essa situação. Deveriam ter me avisado antes, desta forma, tentaria outros meios para garantir meu direito. Na hora da raiva, me falaram que eu deveria tentar entrar com recurso e é o que vou fazer. Amanhã mesmo vou procurar a Defensoria Pública”.

João perdeu a visão há dez anos, quando fez uma cirurgia para tentar corrigir um deslocamento de retina. Desde então, passou por um processo de reabilitação para retomar sua independência. Todo processo foi acompanhado pelo ISMAC (Instituto Sul Mato Grossense para Cegos Florivaldo Vargas). “ Lá aprendi a andar sozinho e retomei meus estudos após aprender braile. Faço sempre as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Medio), para avaliar meu desempenho e tenho me saído bem. Por isso quis fazer este concurso, que seria meu segundo. Fiz outro mas já faz tempo. Estava com boas expectativas de passar”.

O candidato diz ainda que possui um programa especial em seu computador, que possibilita acesso aos e-mails. O jornal Midiamax teve acesso aos e-mails encaminhados pelo Cetremi, organizador do concurso. Entre eles, havia um que confirmava a inscrição de João, porém não havia a marcação de atendimento especial. Em outro documento, consta que o pedido de atendimento especial havia sido indeferido, porém não consta os motivos.

Já o edital do concurso explica que “o candidato que não teve a sua inscrição deferida para concorrer na condição de pessoa com deficiência poderia interpor recurso contra esse resultado”. O prazo estabelecido era entre o dias 5 e 7 de abril, o que não foi feito pelo candidato citado. O problema, que na condição de cego, João não se ateve ao documento que falava do indeferimento e foi realizar a prova, cumprindo ao que estava no e-mail que confirmava sua inscrição.

Ao ser retirado do local de prova, João afirmou que procurou a Polícia e que registrou um boletim de ocorrência sobre o caso. Segundo ele, amanhã tentará na Justiça uma forma de garantir acesso a realização do concurso. “Sou cego, acho que o mais indicado seria que me avisassem desse indeferimento por telefone, mas isso não fizeram. Fui fazer a prova convicto de que estava tudo certinho.

A equipe do Midiamax tentou contato com o Cetreme, para tentar compreender os motivos do indeferimento do atendimento especial, mas até o fechamento desta matéria, não conseguiu contato.