Ele confessou a participação na criação dos perfils falsos na rede social

A polícia prendeu na noite desta quinta-feira (10), um guarda civil de Santo André, sob suspeita de envolvimento na morte dos cinco rapazes zona leste de São Paulo. Ele teve prisão temporária decretada or 30 dias.

De acordo com o advogado Ariel de Castro Alves, o agente confessou envolvimento na elaboração dos perfis falsos de garotas em rede social, com intuíto de atrair os rapazes para a emboscada. Porém o agente nega ter participação no assassinato dos jovens.

“É importante que as investigações estão avançando e já temos uma primeira resposta à sociedade e às famílias”, declarou Ariel. Segundo o advogado, apesar de ter confessado a criação dos perfis falsos, o acusado negou ter participado nos assassinatos. Outros guardas suspeitos de participação também estão sendo investigados.

Quatro dos cincos jovens, com idades entre 16 e 30 anos, acumulavam juntos, 29 registros de passagem pela polícia, por atos infracionais (quando menores de idade, ou por suspeitas de crimes quando já maiores.
 

O caso

Os jovens desapareceram no dia 21 de outubro, a caminho num sítio em Ribeirão Pires para a suposta festa com as garotas, que conversavam pela rede social. Familiares fizeram a denúncia sobre o sumiço do grupo à Secretaria de Direitos Humanos e Defesa de Cidadania da Prefeitura de São de Paulo.

Antes de desaparecer, Jonathan Moreira Ferreira, de 18 anos, relatou ter sofrido “enquadro” e “esculacho” da polícia num áudio enviado por WhatsApp para uma amiga.

“Ei, tio. Acabo de tomar um enquadro ali. Os polícia [sic] tá me esculachando. Não vai ter como encostar ai nas duas pistas não, mano. Cê [sic] é louco, o bagulho tá louco”, diz Jonathan no áudio que enviou para o telefone da amiga às 23h no dia do .

No último domingo (6), os corpos foram achados numa área rual em Mogi das Cruzes. A identificação de quatro deles foi confirmada nesta quinta (10).

Segundo o IML (Istituto Médico Legal), um dos cinco corpos encontrados foi esfaqueado enquanto os demais acabaram mortos a tiros. O cadeirante Robson Fernando Donato de Paula, de 16 anos, foi morto a facadas.

O guarda civil preso também é instrutor de tiros e colega de corporação do agente Rodrigo Lopes Sabio, de 30 anos, assassinado em um roubo no dia 24 de setembro. Rodrigo chegava em casa no Jardim Santa Maria, próximo de onde moravam os jovens.

Um dos cincos jovens, Caíque Machado Silva, de 18 anos, estava na lista de suspeito da morte do guarda. A suspeita é que os jovens possam ter sido assassinados por guardas em retaliação ao assassinato do agente.

Depois do assassinato dos jovens, os perfis das garotas foram apagados, levantando a hipotese de que poderia se tratar de uma emboscada. A suspeita do DHPP (departamento de homicídios) foi reforçada quando foram encontradas nos corpos, projéteis de calibres 38 e 12, que são usados por guardas municipais do país.

A Corregedoria da cooporação está acompanhando “a investigação do suposto envolvimento de guardas com as mortes” dos cinco rapazes.