Brasil

Polícia nega choque e apura falha de paraquedas ou mal súbito de atleta

Paraquedista Cláudio Knippel, de 45, morreu durante salto em Boituva

Gerciane Alves Publicado em 20/06/2015, às 16h47

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Paraquedista Cláudio Knippel, de 45, morreu durante salto em Boituva

O delegado da Polícia Civil de Boituva (SP), Silvan Renosto, afirmou nesta sexta-feira (19) à reportagem da TV TEM que descarta a informação inicial de que houve choque no ar durante a queda que causou a morte do paraquedista Cláudio Knippel, de 45 anos, após salto do CNP (Centro Nacional de Paraquedismo) no mesmo dia. Ele ainda trabalha com duas hipóteses para o acidente: falha no equipamento ou ainda mal súbito do atleta. O laudo final deve sair em 30 dias. O corpo do esportista é velado neste sábado (20) em Mogi das Cruzes.

“Descartamos o choque porque nenhum outro esportista ficou ferido”, disse Renosto. Cinco paraquedistas que saltaram com Knippel e o médico que o atendeu foram ouvidos nesta sexta. A polícia ainda analisa imagens da câmera que estava com o paraquedista durante o salto. Na delegacia ainda estavam lacrados o celular e o paraquedas da vítima.

Logo após o acidente, o presidente da Associação de Paraquedismo e diretor do CNP, Nilson Pereira, havia afirmado que a vítima bateu em outro paraquedista em queda livre, desmaiou e depois não conseguiu acionar o equipamento e morreu no local. Ainda segundo Pereira, a vítima caiu em um canavial que fica a um quilômetro do CNP. O acidente aconteceu por volta das 15h, afirmou o Corpo de Bombeiros. A polícia vai apurar a causa da falha no paraquedas de emergência.

Ainda segundo Pereira, a vítima usava o equipamento de segurança, que era para funcionar sozinho na falta de acionamento do paraquedas principal. O outro paraquedista envolvido não sofreu ferimentos, afirma Pereira. “É uma regulamentação da CBPq (Confederação Brasileira de Paraquedismo). Cláudio usava o equipamento, mas por algum motivo ele não foi acionado. A polícia vai averiguar e o CNP também vai apurar o que houve por motivos de segurança, para que o acidente não volte a ocorrer”, explica.

O atleta

Knnipel soma mais de 10 mil saltos e morreu quando fazia um salto a 4 mil metros de altura na modalidade freefly, a mais veloz do esporte e especialidade de Knippel. “No freefly eles atingem até 320 quilômetros por hora, porque caem em direção ao chão. Já em outras modalidades a velocidade da queda é normalmente de 220 quilômetros por hora”, afirma Pereira.

A vítima morava em São Paulo (SP), tinha um escritório de advocacia em Mogi das Cruzes (SP), era casado e deixa dois filhos. O corpo dele foi retirado do local e levado ao IML (Instituto Médico Legal) de Sorocaba (SP). O enterro será na capital paulista.

Há três anos

O último acidente de paraquedista com morte em Boituva ocorreu em 9 de julho 2012, quando Alex Adelmann, de 33 anos,  foi atingido em queda livre pelo próprio avião em que saltou. A vítima morreu devido a um traumatismo craniano. Outros dois paraquedistas que faziam um salto duplo também foram atingidos e sofreram fraturas nas pernas.

Somente dois anos após o acidente, em 2014, é que o inquérito policial foi concluído. O processo indiciou o piloto da aeronave, Douglas Leonardo de Oliveira, por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Jornal Midiamax