O presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, disse, semana passada, que os investimentos das montadoras já chegam a R$ 125 bilhões – montante que inclui, além de carros, os investimentos de fabricantes de caminhões e tratores.

Ao receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de inauguração da nova sede da entidade da indústria automotiva, Lima afirmou que os investimentos melhoram a vida da sociedade, geram empregos e dão uma contribuição enorme ao meio ambiente.

“Esses investimentos vão proporcionar crescimento e descarbonização ao País em um gesto de ousadia”, declarou o presidente da Anfavea. Ele disse ainda que, na esteira dos incentivos recebidos pelo setor, as montadoras voltarão a vender 3,8 milhões de veículos, maior marca já registrada em um ano. “Esse é o compromisso da indústria automobilística com o Brasil”, frisou Lima em seu discurso.

Indústria automotiva

O País precisa ver onde errou para conseguir voltar a ser a sexta maior economia do mundo, afirmou há pouco o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula afirmou ter orgulho de dizer que o Brasil viveu o melhor momento da indústria automobilística durante seus mandatos, mas salientou que não consegue entender a evolução do cenário do setor.

“Quando eu deixei a presidência, a última conversa que eu tive com a Anfavea era de que em 2015 estaríamos produzindo seis milhões de carros. Estamos em 2025 e estamos produzindo quase metade do que produzíamos em 2010. Quem errou?”, questionou. “Foram vocês que desconfiaram do Brasil ou o Brasil que deixou de fazer o que deveria ser feito?”.

O presidente defendeu que é preciso “andar para frente sem olhar para trás” e que o governo tem compromisso com “tecnologia nova, inovação, geração de empregos, aumento da massa salarial, e, portanto, com a venda de mais produtos e mais exportação.”

Lula ainda afirmou que é preciso que o País aprenda ser grande e vá ao exterior vender produtos. “Fico imaginando como os vizinhos do Brasil compram um carro de 12 mil quilômetros de distância enquanto estamos aqui”, disse. Ao se dirigir ao vice-presidente Geraldo Alckmin, Lula declarou que 2024 é “o ano da viagem”.

‘Indústria passou a ter confiança no Brasil’

O presidente afirmou que a indústria passou a ter confiança no Brasil, diante, segundo ele, da segurança jurídica e da estabilidade econômica e social promovidas no último ano de governo. Lula também declarou ter carinho especial por setores que crescem e geram oportunidades, ao comentar os incentivos dados à indústria automotiva anunciados no fim do ano passado.

Em discurso na nova sede da Anfavea, o presidente destacou que a conquista da credibilidade pelo governo foi crucial para esse ganho de confiança, além da estabilidade jurídica do País.

“Se Haddad vai negociar a política tributária dentro do Congresso Nacional e não passar credibilidade na proposta e não receber credibilidade dos interlocutores, as coisas não vão dar certo”, disse Lula, que em seguida defendeu que ninguém acreditava que seria possível passar a reforma tributária em um Congresso adverso, mas que a aprovação foi possível a partir da construção de uma relação civilizada e democrática.

Salão do Automóvel

Lula da Silva pediu para que as montadoras retomem o Salão do Automóvel. O presidente defendeu que o evento é um espaço para fazer negócios e disse que “adorava ir à feira”.

O mandatário afirmou que não é possível um País do tamanho do Brasil não ter um salão. “O Salão do Automóvel está para o povo brasileiro como a corrida estava quando o Ayrton Senna era vivo”.

O presidente frisou que o evento é uma oportunidade para atrair visitantes de países para os quais o Brasil deseja exportar. “É importante que o ministro da Indústria convide muita gente para ir vê-lo e convide os ministros da Indústria e do Comércio de outros países”, disse. “Quem quer vender precisa mostrar”.