Frescura será atendido pela defensoria em ação penal por ‘dar balão’ no Gaeco

Réu por corrupção com Claudinho Serra, empresário não entregou celulares durante a Operação Tromper

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Réu por corrupção e, atualmente, preso por compra de votos, Ueverton Macedo da Silva, o Frescura, será atendido pela Defensoria Pública em ação penal na qual é réu por ‘dar balão’ no Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado).

Réu pelos crimes de associação criminosa, fraude em licitação, violação de sigilo em licitação, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, e peculato, ‘Frescura’ revelou à equipe do Gaeco que havia criado uma espécie de bunker (compartimento secreto) em sua casa para esconder o aparelho, mas não revelou onde ficava.

Na ação, o juiz Fernando Moreira Freitas da Silva havia dado prazo para Frescura se manifestar com advogado. Como o período acabou, o magistrado determinou que a Defensoria Pública assuma o caso. “Tendo decorrido o prazo sem apresentação de defesa por parte do réu, nomeio a Defensoria Pública para patrocinar os interesses do acusado”, diz em despacho anexado no fim da tarde de segunda-feira (26).

Celular de Frescura é visto como peça-chave nas investigações

Vale ressaltar que a apreensão do aparelho de ‘Frescura’ na 1ª fase da Tromper foi fundamental para chegar até Claudinho Serra como mentor do esquema de corrupção. Isso porque Ueverton é considerado o ‘líder empresarial’ do esquema.

Ainda segundo o Gaeco, os agentes alertaram Ueverton a entregar os aparelhos, para cumprimento da ordem judicial de busca e apreensão. Então, o Gaeco afirmou que não conseguiu localizar os aparelhos: “A despeito da minuciosa varredura realizada no imóvel pelos policiais, não foi possível encontrar o telefone celular“.

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) foi questionado pela reportagem se tentou nova ordem para realizar outra busca no local e sobre quais medidas adotou para tentar apreender o aparelho. No entanto, não obtivemos resposta até esta publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

À reportagem do Jornal Midiamax, Ueverton confirmou que não entregou o celular, mas negou que possua um compartimento secreto em sua residência. Já seu advogado, Fábio de Melo Ferraz, declarou que ainda não foi citado no processo e só vai se manifestar após tomar conhecimento do inteiro teor da denúncia.

Aparelho poderia revelar mais crimes

A apreensão de aparelhos celulares é vista como ponto-chave das investigações, uma vez que conversas no WhatsApp revelaram detalhes de como funcionava o esquema de corrupção em Sidrolândia, assim como o papel de cada envolvido na trama criminosa.

Rocamora (outro empresário preso na Tromper) inicia conversa com Ueverton enviando foto de maços de dinheiro antes de pedir emissão de notas fiscais. (Reprodução)

O objetivo da apreensão seria, principalmente, a inspeção das mensagens trocadas no WhatsApp: “Importante registrar que o telefone celular, como não poderia deixar de ser, continha farto material de interesse da investigação, em especial no aplicativo whatsapp, até mesmo porque era utilizado pelo denunciado UEVERTON DA SILVA MACEDO para se comunicar com os demais integrantes da organização criminosa para arquitetar os ilícitos perpetrados no âmbito do Município de Sidrolândia”, diz o Gaeco.

A expectativa dos investigadores seria encontrar possíveis outros indícios de crimes e de possíveis outros envolvidos em esquemas criminosos em Sidrolândia.

Isso porque, o Gaeco já monitorava conversas entre Frescura e outros através de interceptações telefônicas, que “demonstram seu conhecimento sobre os esquemas e as pessoas que o envolvem e sua capacidade de articulação com outros indivíduos”, conclui o relatório.

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