A operação Cascalhos de Areia realizou busca e apreensão em 19 locais na quinta-feira (15) em Campo Grande e Terenos. De acordo com informações obtidas pelo Jornal Midiamax, foram alvos o ex-secretário de Infraestrutura de Campo Grande, Rudi Fioresi, empreiteiros já investigados pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e servidores da pasta.

Entre os empreiteiros estão André Luíz dos Santos, dono da ALS Construtora, Paulo Henrique Silva Maciel e Edcarlos Jesus Silva, donos da Engenex Construções e Serviços Ltda; Adir Paulino Fernandes, da JR Comércio e Serviços Eireli, e Mamed Dib Rahim, da M D Rahim Comércio e Serviços.

Além deles, também foi alvo o engenheiro civil Mehdi Talayeh, que ocupa o cargo de Superintendente de Serviços Públicos na Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos da Prefeitura Municipal de Campo Grande, órgão que também foi alvo de buscas na operação.

Todas as empreiteiras têm contratos desde 2018 na Prefeitura de Campo Grande, ou seja, durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad. Os servidores que foram alvo também foram nomeados pelo ex-prefeito.

Por celular, Rudi Fioresi informou que não faria nenhuma declaração sobre a operação. A assessoria do órgão onde ele trabalha atualmente, a Agesul (Agências Estadual de Gestão de Empreendimentos), informou que Fioresi “é engenheiro e presta serviços para a secretaria. Vamos aguardar as investigações avançarem. Ainda é prematura a possibilidade de pensar em exoneração”.

Contratos milionários

Em investigação, estão os contratos milionários que as empreiteiras mantêm na administração municipal, como a ALS Construtora.

Andre Luiz dos Santos Ltda, o Patrola, tem R$ 24.705.391,35 para realizar cascalhamento de ruas na região do Prosa.

Já a Engenex Construções e Serviços Ltda tem dois contratos de cascalhamento, um de R$ 14.542.150,59 para atender a região do Imbirussu e de R$ 22.631.181,87 para a região do Lagoa.

Para aluguel de máquinas, a JR Comércio e Serviços Eireli, de Adir Paulino Fernandes, mantém um contrato de R$ 219,7 milhões. A MS Brasil Comércio e Serviços Eireli também é de Edcarlos Jesus Silva, um dos sócios da Engenex, e tem contrato único no valor de R$ 108 milhões.

Mamed Dib Rahim, da M D Rahim Comércio e Serviços, esteve envolvida no esquema de superfaturamento de R$ 2,3 milhões na venda de cesta básica durante a pandemia da covid-19 para o Governo do Estado.

À época, a empresa pediu para desbloquear o valor, alegando que o empresário apenas ‘cedeu o depósito’ para armazenar parte das 60 mil cestas básicas adquiridas pela Tavares & Soares, o Farturão.

Operação Cascalhos de Areia

operação deflagrada na manhã da quinta-feira (15), pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), ‘Cascalhos de Areia’, cumpriu 19 mandados em Campo Grande, contra organização criminosa por lavagem de dinheiro de contratos de manutenção de vias não pavimentadas e locação de maquinário. Entre os alvos da ação está o empreiteiro André Luiz dos Santos, o André Patrola.

Os mandados de busca e apreensão foram expedidos por meio da 31ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social, contra o empreiteiro e mais empresários.

Agentes foram até a sede da empresa ALS, localizada no Jardim Monumento, em Campo Grande. Além dos agentes do Gaeco, policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar também estiveram na sede da empresa.

A operação se deu depois de investigação que tramita na Promotoria de Justiça que apurou a lavagem de dinheiro da organização criminosa.

A Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras) também foi alvo da operação. Agentes do Gaeco estiveram no prédio e conversaram com o secretário municipal de Obras, Domingos Sahib Neto, mas nada foi levado da secretaria.

O empreiteiro Adir Paulino Fernandes, chegou a ser preso, mas pagou fiança na delegacia de Terenos, cidade a 28 quilômetros da Capital, e foi liberado. Ele foi detido na Chácara Santa Dirce com um revólver calibre .32 e quatro munições, sendo duas deflagradas e duas intactas.

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, o valor da fiança teria sido de R$ 1.320 e o alvará de soltura foi expedido ainda no início da tarde de quinta.

A organização criminosa praticava crimes de peculato, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, relativos a contratos para manutenção de vias não pavimentadas e locação de maquinário de veículos junto ao Município, que ultrapassam o valor de R$ 300 milhões.