André Luíz dos Santos, empreiteiro que se tornou alvo de operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) nesta quinta-feira (15), é conhecido no meio político como ‘Patrola’.

Ele está implicado na investigação por indícios de corrupção nos contratos de cascalhamento e de locação de equipamentos com a Prefeitura de Campo Grande conquistados em 2018, quando Marquinhos Trad (PSD) era prefeito.

Além disso, o dono da ALS (André Luís dos Santos Ltda) é apontado como pivô de mais focos de indícios de corrupção. Nesta quinta, o promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, titular da 31ª Promotoria do Patrimônio Público de Campo Grande, acompanhou a operação na sede da empresa.

Assim, segundo fontes que acompanham a atuação de órgãos de controle externo e combate à corrupção em Mato Grosso do Sul, ‘Patrola’ seria uma espécie de ‘coringa’ para políticos regionais.

Desta forma, as suspeitas são de que juntos implementariam supostos esquemas de desvio de verbas públicas em contratos de obras públicas com difícil aferição.

Como seria considerado ‘de confiança’, o empreiteiro assumiria a parte arriscada de colocar o CPF e o CNPJ à disposição.

Em troca, supostamente manteria verdadeiro propinoduto em Mato Grosso do Sul com devolução de parte dos lucros inflados para os ‘companheiros’.

Portanto, contratos estrategicamente visados por esquemas de corrupção, como locação de equipamentos, obras mais facilmente ‘disfarçáveis’, como cascalhamentos, manutenção de vias não pavimentadas, seriam os prediletos do esquema.

Com o avanço do sistema, supostamente para diversas prefeituras e órgãos públicos, ‘Patrola’ teria se tornado o “empreiteiro dos políticos”. No entanto, o estilo descuidado e fanfarrão do empresário teria colocado todos na mira de denúncias.

Há relatos de festanças regadas a churrascadas e outros tipos de prazeres que teriam se tornado verdadeiro palco para exposição de esquemas com detalhamento de como funcionariam e quem beneficiariam. Tudo sempre, segundo as testemunhas, intercalado com muita bravata.

André Luiz foi procurado pela reportagem do Jornal Midiamax em três ocasiões e não atendeu as ligações até a publicação da matéria. Todos os contatos foram devidamente documentados e o espaço segue aberto para manifestação.

Quilômetro quadrado mais caro

O dono da ALS Logística e Transportes possui atualmente cinco contratos para rodovias estaduais e mantém, atualmente, R$ 195,8 milhões em obras públicas na região do Pantanal.

Além disso, tem outros R$ 25 milhões só em contratos vigentes com a Prefeitura de Campo Grande, todos para manutenção de vias não pavimentadas com revestimento primário.

No entanto, os valores pagos a outros fornecedores por quilômetro quadrado no interior do Estado são menores, conforme levantamento feito pelo Jornal Midiamax. Há menos de dois anos, um empreiteiro recebeu R$ 27,2 milhões para cascalhar 59,2 quilômetros de uma rodovia pantaneira.

Ou seja, esta empresa fechou a licitação por R$ 459,6 mil o quilômetro de cascalhamento. Já a ALS Construtora recebeu R$ 1,3 milhão por quilômetro, R$ 922,4 mil a mais por quilômetro de cascalho que o outro empreiteiro, para realizar exatamente o mesmo serviço em trecho semelhante da mesma rodovia.

Furto no Damha

O empresário também foi alvo de um furto em 2020 no Damha I, onde mora. Na ocasião, ladrões levaram perfumes, roupas e o cofre da casa.

O caso foi investigado pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros).

‘Cascalhos de Areia’ não deixam nem rastro de patrola

O Gaeco e o Gecoc cumprem 19 mandados em Campo Grande, contra organização criminosa por lavagem de dinheiro de contratos de manutenção de vias não pavimentadas e locação de maquinário. Entre os alvos da ação está o empreiteiro André Luiz dos Santos, o André Patrola.

Os mandados de busca e apreensão foram expedidos por meio da 31ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social, contra o empreiteiro. Agentes foram até a sede da empresa ALS, localizada no Jardim Monumento, em Campo Grande.

Além dos agentes do Gaeco, policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar também estão na sede da empresa.

A operação se deu depois de investigação que tramita na Promotoria de Justiça que apurou a lavagem de dinheiro da organização criminosa.

A Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras) também foi alvo da operação. Agentes do Gaeco estiveram no prédio e conversaram com o secretário municipal de Obras, Domingos Sahib Neto, mas nada foi levado.

A organização criminosa praticava crimes de peculato, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, relativos a contratos para manutenção de vias não pavimentadas e locação de maquinário de veículos junto ao Município, que ultrapassam o valor de R$ 300 milhões.

O serviço de cascalhamento de vias não pavimentadas seria uma espécie de ‘trunfo’ para supostos esquemas de corrupção, pois são de difícil aferição.

Ou seja, depois que um fiscal assina um pedaço de papel com a medição, não sobra nem rastro do suposto serviço realizado. “É o filé do boi, porque não fica nem rastro da patrola e fica difícil alguém dizer que não foi feito depois da medição”, explica auditor à reportagem.