Política / Transparência

Oficial da PMMS ligado a cigarreiros receberá licença especial de quase R$ 180 mil

Benefício era concedido a cada 10 anos de serviços prestados

Renan Nucci Publicado em 21/07/2021, às 14h30

Tenente-coronel foi alvo da Operação Oiketicus
Tenente-coronel foi alvo da Operação Oiketicus - Arquivo

O tenente-coronel da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Admilson Cristaldo Barbosa, condenado por envolvimento com máfia de cigarreiros, vai receber um benefício bruto de aproximadamente R$ 180 mil em licença especial não gozada. O valor foi calculado com base no salário atual, que é de R$ 23.766,01 em remuneração fixa, multiplicado pelos sete meses e 24 dias de licença a qual tem direito.

Conforme divulgado pela Ageprev (Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul), a licença concedida é referente ao período entre 1 de março de 1995 e 28 de fevereiro de 2015. Até 2008, os servidores da PMMS tinham direito a seis meses de licença a cada 10 anos de serviços prestados. Assim, eles poderiam optar por tirar estes seis meses de ‘férias’ ou recebê-los em dinheiro na aposentadoria.

No caso de Barbosa, ele teve direito a um decênio de 1995 a 2005, e o proporcional de três anos no segundo decênio que terminaria em 2015, mas que acabou em 2008, quando o benefício foi revogado. Assim, ele teve seis meses de direito dos primeiros dez anos e mais um mês e 24 dias referentes ao período proporcional de 2005 a 2008. Assim, irá receber o equivalente a 7 meses e 24 dias com base no salário de R$ 23.766,01.

Investigações 

O oficial da PM foi preso em maio de 2018, em uma das fases da Operação Oiketicus, que investiga organização criminosa integrada por agentes de Segurança Pública. Cristaldo respondeu ação penal e chegou a ser inocentado, em 2019, supostamente por falta de provas. No entanto, em maio do ano passado, ele foi condenado por corrupção pela 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. 

A decisão aconteceu após manifestação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Assim, ele foi sentenciado a 4 anos e 9 meses de prisão em regime semiaberto pela corrupção passiva, chegou a ser beneficiado com habeas corpus, mas voltou para a prisão. Ele tem outras condenações, também responde ação por improbidade administrativa e encontra-se na reserva remunerada, apesar da decisão que o expulsou da corporação.

Jornal Midiamax