Política / Transparência

Ex-deputado tenta no STF anular condenação por agressão a jornalista

O ex-deputado federal e ex-secretário de obras de MS, Edson Giroto, ingressou com recurso para levar ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedido de nulidade do acórdão que manteve condenação de pena de detenção de um mês e 15 dias, em regime aberto, por agredir a jornalista Mariana Rodrigues. Conforme o recurso apresentado pelos advogados Eres […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 08/12/2020, às 08h51 - Atualizado às 08h54

Foto: Giroto foi condenado a um mês e 15 dias de detenção por agredir jornalista em pleno exercício da profissão | Foto: Arquivo
Foto: Giroto foi condenado a um mês e 15 dias de detenção por agredir jornalista em pleno exercício da profissão | Foto: Arquivo - Foto: Giroto foi condenado a um mês e 15 dias de detenção por agredir jornalista em pleno exercício da profissão | Foto: Arquivo

O ex-deputado federal e ex-secretário de obras de MS, Edson Giroto, ingressou com recurso para levar ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedido de nulidade do acórdão que manteve condenação de pena de detenção de um mês e 15 dias, em regime aberto, por agredir a jornalista Mariana Rodrigues.

Conforme o recurso apresentado pelos advogados Eres Figueira da Silva Júnior e Wellyngton Ramos Figueira, a peça requer provimento do recurso extraordinário a fim de anular julgamento proferido pela 1ª Turma Recursal de MS, tendo em vista que, segundo a defesa, a turma foi composta por magistrado impedido. O recurso também requer reforma do acórdão no sentido de absolver Giroto das imputações.

Para sustentar os pedidos, a defesa alega que desde a sentença de primeiro grau não mencionou a tese defensiva sustentada, então, pela Defensoria Pública, na qual foi sustentada “atipicidade de conduta”, uma vez que a agressão ocorrida teria sido “tentativa de desobstruir a passagem” na ocasião em que Giroto apresentou-se à Polícia Federal.

Para os advogados, a sentença é omissa quanto ao alegado pelas testemunhas e por ausência de exame de corpo de delito. Os advogados também questionam que o acórdão expedido no último dia XXX de novembro “mantém incólume a sentença, sem atacar o mérito da sentença e contrariando jurisprudência desta Corte, do STJ e do próprio TJMS, também por considerar “indevidamente a existência de antecedentes criminais”.

Assim, a defesa requer que o recurso seja remetido ao STF, com fundamento no artigo 102, III alínea a da Constituição Federal, a fim de que o acórdão seja reformado. O recurso requer justiça gratuita, por tratar-se de “réu preso (em outro processo), sem condições de arcar com as custas processuais”.

Condenação

Acórdão do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) de novembro manteve condenação de Edson Giroto a um mês e 15 dias de detenção, em regime aberto, por contravenção penal (vias de fato) uma jornalista do Midiamax, em março de 2018. A repórter foi agredida por Giroto com um tapa no rosto em frente ao prédio da Polícia Federal, em Campo Grande.

A agressão ocorreu no dia em que Giroto se apresentou a Polícia federal, que tinha mandado de prisão em aberto em seu desfavor. A repórter estava na frente da PF fazendo o registro jornalístico da chegada de Giroto, quando ele desferiu o tapa no celular, que atingiu a boca da jornalista, e seguindo ao interior das instalações da PF.

O processo correu na 11ª Vara do Juizado Especial Central de Campo Grande e resultou na condenação, em setembro de 2019, que considerou, entre demais fatores, maus antecedentes (Giroto é um dos principais réus das ações civis e criminais decorrentes da Operação Lama Asfáltica).

A pena de detenção, conforme a sentença, é de um mês e 15 dias de prisão simples, sem aplicação de atenuantes, em regime aberto. Giroto também foi condenado ao pagamento das custas judiciais. Atualmente, Giroto, que tem 61 anos, já têm condenações em processos da Lama Asfáltica, mas, em razão da pandemia do novo coronavírus, encontra-se em prisão domiciliar.

“A pena de detenção deverá ser cumprida, inicialmente, em regime aberto, nos termos do art. 6º do DL 3.688/41.Em face do que dispõe o artigo 44, inciso III do Código Penal, deixo de substituir a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, posto que o acusado não preenche os requisitos subjetivos”, traz a sentença.

A defesa de Giroto recorreu da sentença em embargos de declaração, na qual destaca que a repórter não chegou a se ferir a partir da agressão e que a intenção de Giroto foi de afastar o telefone celular para não ser gravado. Em decisão interlocutória, a juíza Simone Nakamatsu rejeitou os embargos, alegando que a sentença não omitiu apreciação de provas e que concluiu corretamente pela tipicidade do delito de vias de fato.

Foi quando a defesa de Giroto resolveu apelar para as Turmas Recursais do Egrégio Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, cuja remessa ocorreu em abril deste ano. No último dia 5 de novembro, por unanimidade, os desembargadores da 1ª Turma Recursal Mista negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.

Jornal Midiamax