Política / Transparência

Após vexame no MT, promotor é afastado para tratamento de saúde em Campo Grande

Conselho Superior afastou o promotor

Evelin Cáceres Publicado em 09/08/2017, às 12h50

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Conselho Superior afastou o promotor

Promotor substituto há quatro meses no MPE-MT (Ministério Público Estadual do Mato Grosso), Fábio Camilo da Silva foi afastado pelo Conselho Superior do órgão estadual e estaria em Campo Grande em tratamento, segundo informações do Ministério.

No último dia 4 de julho, o Conselho afastou o promotor por unanimidade em reunião extraordinária, após o servidor ser flagrado por policiais dirigindo supostamente embriagado. Ele teria ofendido os policiais, que registraram boletim de ocorrência por desacato. O promotor foi abordado na entrada da cidade de Terra Nova do Norte, a 647 quilômetros de Cuiabá (MT) e já trabalhou no Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, e também tentou ser juiz aqui no Estado.

Os conselheiros acataram na íntegra o voto do Corregedor-Geral do Ministério Público, procurador de Justiça Flávio Cesar Fachone. No relatório, ele apontou vários fatos envolvendo o promotor de Justiça substituto que, segundo ele, são graves e demonstram a total inaptidão do mesmo para o exercício do cargo.

O procurador-geral de Justiça, Mauro Benedito Pouso Curvo, também determinou a remessa do relatório e dos documentos obtidos até o momento para o NACO (Núcleo de Ações de Competência Originária) para apuração dos crimes, em tese, cometidos e eventual propositura de denúncia.

Apesar do órgão determinar o afastamento, o próprio promotor tem outro pedido de afastamento por tempo indeterminado para tratamento de saúde.

Discussão com militares

Na discussão que teve com militares, no sábado, Silva chegou a tomar “banho” de cerveja e ameaçou prender um policial durante a discussão. Imagens feitas durante a abordagem mostram o membro do MPE desacatando os militares.Após vexame no MT, promotor é afastado para tratamento de saúde em Campo Grande

Em um dos vídeos, feito por um PM, o promotor tira a camisa para brigar com um dos policiais. Ele desafia o militar a algemá-lo e atirar nele. “Pode algemar. Aproveita que estou de costas e atira”, falou.

Em seguida, ele avisou a um conhecido que o acompanha, identificado como Daniel. “Se ele atirar em mim, aí você tem que matar ele, tá? E aí, vai todo mundo preso por homicídio.”. O colega do promotor informou que iria indo embora e o membro do MPE suplicou. “Ô, Daniel, vai, não. Fica aqui. Se ele me matar, você é testemunha”, pediu.

Em outro momento, o promotor fez questão de mostrar que era autoridade e ironizou a patente dos militares, que haviam anunciado que chamariam o coronel responsável pelo batalhão. “Segundo o código penal militar, o promotor equivale ao coronel, tá certo?!”, disparou.

Outro vídeo mostra Fábio Camilo da Silva ameaçando prender um dos militares que conduziu a ocorrência, pois afirmou que estava sendo desrespeitado. “Eu não queria te prender, cara”.

Em outras imagens registradas durante a ocorrência, Fábio Camilo da Silva fez o sinal da cruz com uma caneca com líquido que aparenta ser cerveja e disse. “Até para curar é mais rápido, daqui a cinco minutinhos não tenho mais nenhum hematoma. Daqui a cinco minutos nem machucado eu estou, porque saro rápido”, narrou.

Em seguida, ele questionou se os militares duvidavam sobre os supostos benefícios trazidos pelo “banho” com o líquido que aparentava ser cerveja. Diante da ausência de resposta dos PMs, ele virou o copo contra a própria cabeça.

Jornal Midiamax