Os indígenas de Dourados, a 229 km de Campo Grande, expressaram desagrado sobre a proposta do presidente Lula (PT) de comprar terras para os povos originários do município sul-mato-grossense. A intenção foi apresentada, nesta sexta-feira (12), ao Governador Eduardo Riedel (PSDB), durante evento em frigorífico em Campo Grande.

“Vamos nós, juntos, comprar em sociedade uma terra pra salvar aqueles Guarani que vivem perto de Dourados. Quero lhe dizer que se você encontrar a terra, para que a gente recupere a terra daquele povo. O governo federal será parceiro”, prometeu Lula a Riedel.

O Kuñangue Aty Guasu – a Grande Assembleia das Mulheres  Kaiowá e Guarani, organizadas no Cone Sul de Mato Grosso Do Sul –  foi às redes sociais para explicar que a luta indígena não é sobre a compra, mas sobre a demarcação de terras reivindicadas pelos indígenas. 

“Essa proposta de compra de terras abre um precedente PERIGOSO, que inclusive foi aberto no debate sobre o Marco Temporal no STF. Isso descaracteriza inclusive o direito originário, bem anterior à própria Constituição de 1988”, afirmam. 

O grupo também acusa que, assim, o presidente Lula com uma mão assopra e com a outra “fortalece o extrativismo de petróleo, hídrico, mineral e a monocultura”. 

As indígenas apontam que Mato Grosso do Sul seria o Estado com o maior número de retomadas de Terras Indígenas do Brasil, mas que até o momento nenhuma foi demarcada e homologada nesta gestão. 

“E não é sobre comprar terras, e sim Demarcar as Terras Indígenas REIVINDICADAS em MS, que não chega a 3% da extensão territorial de Mato Grosso do Sul, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022 era de 357.142,082 km²”, alertam.