Após completar dois meses do aumento da tarifa do transporte coletivo de e com reclamações diárias sobre as condições precárias dos ônibus do , a Câmara Municipal da Capital vai acionar as empresas de ônibus para pedir melhorias no serviço prestado pela empresa. A reunião acontece na tarde desta quarta-feira (3), no Plenarinho da Casa de Leis.

Reportagens do Jornal Midiamax mostraram que o Consórcio Guaicurus descumpre cláusulas do contrato de concessão com o município e deixa ônibus com média acima da estipulada pela prefeitura. Além disso, há menos ônibus circulando pela cidade. Apesar das irregularidades, as empresas de ônibus devem receber cerca de R$ 32 milhões em verbas públicas somente este ano.

Assim, a Comissão de Transporte e Trânsito da Câmara solicitou a reunião com representantes do Consórcio. Os parlamentares devem cobrar a nova frota dos ônibus, o cumprimento da cláusula contratual da idade média da frota e o horário no período escolar. Nenhuma dessas normas acordadas vem sendo cumprida.

Presidente do colegiado, Alírio Vilassanti (União) disse que vai pedir dados da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos) e da (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) para levar ao encontro.

Idade da frota de ônibus

Em perícia realizada por decisão judicial, em ação que a concessionária pede reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, ficou comprovado o descumprimento da idade média da frota por parte do Consórcio Guaicurus desde 2015.

Conforme a tabela abaixo, produzida pela empresa de perícia, a partir de 2015 a idade média ponderada dos ônibus que circulam em Campo Grande está acima dos cinco anos, que é a idade limite prevista no contrato de concessão.

A reunião acontece na tarde desta quarta-feira (3), no Plenarinho da

Em 2019, a idade média ficou em 5,5 e o número aumentou até 2023, considerando que o Consórcio não renova a frota desde aquele ano, já que as empresas alegam dificuldades financeiras.

Além disso, em 2016 e 2018, circularam 9 e 11 ônibus, respectivamente, com idade acima da permitida pelo contrato.

O número de ônibus em circulação também ficou abaixo do permitido pelo contrato nos anos de 2018 e 2019, quando havia 565 e 552 veículos em circulação, abaixo do mínimo estabelecido em contrato de 575 ônibus. O baixo número de veículos explica os constantes atrasos e baixa frequência de ônibus passando pelos pontos, reclamação constante dos passageiros.

Também é possível constatar um fato já observado pelos passageiros: a redução do número da frota articulada. Enquanto em 2013 eram 50 veículos nessa categoria, o número caiu para apenas 13 em 2019.

Consórcio Guaicurus tirou 140 ônibus de circulação

O Consórcio Guaicurus tirou de circulação 140 ônibus nos últimos três anos, passando de 552 em 2019 para 412 em 2022.

Em contrapartida, Campo Grande ganhou 36 mil novos moradores, saltando de cerca de 906 mil em 2019 para 942 mil no ano passado, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O número está abaixo do mínimo estipulado em contrato, que é de 575 ônibus em circulação. Enquanto isso, passageiros precisam aguardar mais de 1 hora para conseguir um ônibus, dependendo do horário e da linha.

Apesar de denúncias sobre o serviço prestado em Campo Grande, o Consórcio Guaicurus vai embolsar R$ 32 milhões em verbas públicas somente este ano, além dos R$ 31 milhões que recebeu no ano passado.

E, diferente do alegado pela diretoria da concessionária, as empresas de ônibus tiveram lucro líquido de R$ 68 milhões somente nos primeiros sete anos de concessão – entre 2012 e 2019.