Vereadores aprovam moção de protesto contra Eduardo Bolsonaro e fala de deboche sobre tortura

O deputado por São Paulo debochou sobre tortura sofrida por jornalista
| 05/04/2022
- 12:16
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Câmara Municipal de Campo Grande. - Foto: Marcos Ermínio, Jornal Midiamax, Arquivo.

Por 18 votos contra 7, vereadores aprovaram moção de protesto contra falas do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre a ditadura militar. A princípio, a autora da medida, apresentou moção de repúdio, mas os colegas prefiriram substituir por 'protesto'.

Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro debochou da tortura que a jornalista Miriam Leitão sofreu na ditadura. Ele respondeu comentário dizendo que 'ainda estava com pena' e acrescentou um emoji de cobra.

A profissional foi presa e sofreu tortura quando estava grávida. Em uma das sessões, foi deixada nua em uma sala escura com uma cobra.

Para um dos vereadores que votou contra, na Câmara de Campo Grande, Tiago Vargas (PSD), 'eles podem tudo', igualando comentários feitos por ambos os lados políticos.

"Eles 'podem' chamar Bolsonaro de genocida, de acusarem familiares de criminosos", ironizou, pedindo para que os parlamentares votassem contra. Ao todo, foram sete vereadores que se posicionaram contrários.

Vereador Professor João Rocha [que vai sair do PSDB para entrar no PP] votou favorável ao documento, no entanto, pediu que a palavra 'repúdio' fosse trocada por 'protesto', o que foi feito.

Autora da manifestação, (PT) rebateu palavras de que esse não é um assunto que afeta Campo Grande.

"Essa história de que o que acontece em Brasília só impacta eles, não é verdade. Tivemos vítimas em Campo Grande e, quando a gente luta pelo direito de manifestar, luta pelo direito de todas as pessoas". Para a parlamentar, o 'basta aos ataques à democracia' tem de ser dito de todos os lugares.

Votaram sim

"Inadmissível que um mandatário possa dizer que ele tinha dó da cobra, uma senhora, uma pessoa, que estava grávida e ele dizer que tem dó da cobra. Não sabemos o que falar", disse o vereador Delei Pinheiro (PSD).

Ronilço Guerreiro (Podemos) também votou favorável à moção de protesto e afirmou que 'as palavras têm poder'.

O vereador Professor Juari (PSDB) disse que, "como professor de história, seria uma negação dizer que não houve ditadura, seria falta de conhecimento".

(Republicanos) disse que não tolera 'nenhum tipo de violência'. "Como centro-direita, eu voto sim. Não concordo com o que foi dito".

André Luis (Rede) citou que 'quem poupa lobo, sacrifica a ovelha' e que existe imunidade parlamentar, mas que o mecanismo não pode ser usado para ofender. "É vergonhoso o que ele fez".

A favor foram: além dos vereadores acima citados, Professor Riverton (PSD), Silvio Pitu (PSD), Zé da Farmácia (Podemos), Professor João Rocha [que saiu do PSDB para entrar no PP], João Cesar Mattogrosso (PSDB), Jamal Salem (MDB), Edu Miranda (Patriota), Ayrton Miranda (Patriota), Marcos Tabosa (PDT) e Dr. Victor Rocha (PP).

Votaram contra

O vereador Loester (MDB) disse que representa Campo Grande, por isso vota contra moção de protesto ao parlamentar de São Paulo e que, absurdo por absurdo, ouve de ambos os lados.

Já o vereador Papy (SD) afirmou discordar das falas do filho do presidente, mas que não vota moção de 'repúdio nem de protesto'. Ainda votaram contra: Tiago Vargas (PSD), Coronel Alírio Villasanti (União Brasil), Willian Maksoud (PTB), Sandro Benites (Patriota), Clodoilson Pires (Podemos).

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Relator da Comissão Processante votou pelo arquivamento do processo, que recebeu dois pareceres favoráveis para continuação

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