Apesar de não serem maioria, mulheres são as que mais se destacaram em 2022 na política nacional e estadual. Senadoras, deputadas e vereadoras de Mato Grosso do Sul foram nomes relevantes para o cenário político deste ano.

Seja na corrida eleitoral ou nas Casas de Leis, as mulheres sul-mato-grossenses ganharam evidência neste ano, como nunca antes. Em 2022, Mato Grosso do Sul teve dois nomes na disputa presidencial: duas mulheres que protagonizaram momentos memoráveis durante as Eleições de 2022.

Ao se manterem como candidatas à presidência da República, Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União Brasil) ocuparam espaço costumeiramente ocupado por homens. Em partidos diferentes, concorrendo ao mesmo cargo, mostraram juntas a urgência de mais mulheres disputando cargos políticos.

Candidatura política de mulheres

Para Simone, senadora por MS, a disputa presidencial foi uma forma política de reivindicar espaço para mulheres em cargos altos. “A minha candidatura foi muito mais política do que eleitoral. Sei do meu papel e da importância de ser uma mulher do interior do Brasil, representando tantas outras mulheres brasileiras”, explicou.

Assim, a candidata sul-mato-grossense estreante na corrida presidencial desbancou candidatos já conhecidos. Simone alcançou o terceiro lugar no primeiro turno, com 4,9 milhões de votos.

“Foi surpreendente superar o Ciro Gomes nas urnas. Sou muito grata aos eleitores que confiaram nas minhas propostas e tanto me apoiaram nessa caminhada”, agradeceu.

Simone Tebet (MDB)

Contudo, pontuou que a “eleição estava extremamente polarizada”. Mesmo assim, considera a trajetória política como pioneira. “Fico extremamente feliz de abrir portas para outras mulheres”, disse.

Do segundo turno à equipe de transição

Simone Tebet
Simone durante ato de campanha de Lula. (Foto: Ricardo Stuckert)

Desde o começo das eleições, Simone garantiu que no segundo turno estaria “em um palanque defendendo a democracia”. Dito e feito, a senadora se posicionou a favor do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva na reta final da disputa e participou da campanha do petista.

Considerada essencial para a vitória de Lula no segundo turno, Simone ganhou ainda mais espaço nacionalmente. Voou até a equipe de transição do presidente eleito e é cotada para assumir algum ministério.

No entanto, reforçou que cargos não são o principal objetivo. “Não estou em busca de cargos. Agora, é hora de avaliar dados, informações, políticas públicas e começar a planejar o Brasil dos próximos anos”, destacou.

Então, na equipe de Desenvolvimento Regional no gabinete da transição, Simone assegura que “não podemos continuar convivendo com esses números miseráveis”. Por isso, “a meta principal do governo Lula tem de ser combater a fome e garantir dignidade ao brasileiro”.

Colegas da corrida presidencial

Soraya Thronicke (União) foi destaque nacional com as participações nos debates. Sobre a companheira da corrida presidencial, Simone diz que “foi muito especial. A Soraya teve um papel importante nestas eleições. Dividiu as bancadas dos debates comigo demonstrando a força da mulher do Centro-Oeste”.

Por sua vez, Soraya demonstrou estima pela colega sul-mato-grossense. “Tenho muito respeito pela senadora Simone Tebet e por todas as minhas colegas de Parlamento”, disse.

Soraya aproveitou para destacar que “nem sempre é fácil para as mulheres estarem no ambiente político e competirem em pé de igualdade de oportunidades com os homens”. No entanto, afirmou que “isso também nos estimula a querer abrir esse espaço para outras mulheres”.

Espaço esse que foi aberto pelas duas senadoras de MS na corrida presidencial. Para ela, a participação das duas nas Eleições de 2022 colocou o Estado ‘no radar do povo brasileiro’.

“Tenho certeza que a política do nosso Estado já está sendo olhada de outra forma”, afirmou. Assim, acredita que “teremos ainda muitos sul-mato-grossenses participando ativamente da política do nosso país”.

“Acredito que essas eleições serviram para comprovar a força da mulher, mas também para nos mostrar quais os problemas em relação à desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres dentro dos partidos”.

Soraya Thronicke (União)

Destaque nos debates

A senadora foi protagonista dos debates entre presidenciáveis no primeiro turno. “O meu intuito nos debates sempre foi apresentar nossas propostas, principalmente o Imposto Único Federal – carro-chefe da campanha”, esclareceu.

Todavia, disse que nem sempre o formato dos debates permite a apresentação das propostas. “Espero que o protagonismo que consegui em alguns momentos, tenha causado um efeito positivo nos espectadores para que se interessem por política”.

Além de protagonizar os debates, ela foi uma das candidatas mais ativas nas redes sociais. Seja a equipe antenada nas trends ou a própria parlamentar descontraída nas respostas, Soraya virou meme diversas vezes.

“A grande repercussão nas redes me deixou surpresa por muitas vezes, tanto durante a campanha como no pós-campanha, pois ainda há uma grande mobilização nas mídias sociais, o que considero positivo”, revelou.

Desde que assumi o mandato como senadora, estou à frente da liderança feminina do meu partido e uma das minhas principais bandeiras tem sido ajudar outras mulheres a entrar para a política e conseguirem se eleger. É muito desafiador, e essa eleição serviu também para deixar claro o que precisa melhorar. Continuarei trabalhando para isso.

Foto: Reprodução; Redes Sociais.

Para o próximo ano, Soraya pretende manter o foco em pautas da economia. Para ela, essa é a “a área mais sensível do nosso país, o que envolve avançarmos nas reformas necessárias, como a Tributária”.
No mesmo sentido, deseja explorar pautas econômicas em MS. “Temos um potencial muito grande para ser explorado na região, com investimentos em infraestrutura rodoviária, portuária e aérea”, disse.

Deputada mais votada em MS

A única mulher na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) nos últimos anos, Mara Caseiro (PSDB) se tornou a deputada estadual eleita com mais votos em 2022. A candidata tucana superou o presidente da Casa de Leis, Paulo Corrêa (PSDB), e assumiu o papel de parlamentar mais votada em MS.

Assim, os 49,5 mil votos são vistos como uma ‘grande conquista’. “Não só para mim, mas para todas as mulheres que representam a maioria do eleitorado sul-mato-grossense”, pontuou a deputada.

No final de 2020, a deputada assumiu a cadeira de Onevan de Matos, que faleceu em novembro daquele ano. Como suplente, Mara foi a única mulher na Alems durante o último mandato e discutiu os altos índices de violência contra mulher no Estado.

“É triste, lamentável e terrível que muitas sul-mato-grossenses tenham sido vítimas de feminicídio. Por isso, continuarei fazendo tudo o que estiver ao meu alcance para que esse tipo de crime acabe de vez em nosso Estado”.

Mara Caseiro (PSDB)

Se alegrou ao lembrar que outra mulher ocupará uma cadeira na Assembleia. Lia Nogueira (PSDB) foi eleita como deputada estadual. “É muito bom saber que terei uma colega no parlamento. Aumenta o espaço para debates e ações relevantes para a sociedade e que só são enxergados pelas mulheres”, lembrou.

A expectativa da deputada mais votada é que juntas poderão criar “políticas públicas de diminuição da desigualdade de gênero e de combate a todo tipo de violência, seja contra a mulher, criança ou idoso”.

Pequenos passos, grandes avanços

Se pensarmos em percentual, duas mulheres representam apenas 8% das cadeiras na Assembleia Legislativa de MS. Composta por 24 deputados, a eleição de mulheres ao cargo ainda é um desafio.

mulheres assembleia de ms

Contudo, nas eleições de 2018 nenhuma deputada estadual foi eleita em MS. Assim, 8% de representatividade se torna um grande avanço.

“Embora as mudanças estejam ocorrendo gradativamente, infelizmente ainda prevalece o machismo estrutural no cenário político estadual e nacional”, afirmou a deputada. Mara destacou que “temos avançado muito, mas as mulheres ainda são discriminadas, subjugadas e impedidas, mesmo que veladamente, de buscarem projeção social e profissional”.

Por fim, disse que “muitos obstáculos já foram superados e acredito que está no nosso horizonte, um cenário político mais maduro”. Então, acredita que o resultado será “uma sociedade com mais igualdade e justiça social”.

Enquanto isso, a deputada afirma que irá “continuar trabalhando pelos municípios, ouvindo as lideranças, conversando com as pessoas”. No próximo mandato, Mara pensa em ocupar a presidência da Mesa Diretora da Casa de Leis.

“Tenho esse direito assim como qualquer um dos 24 deputados estaduais”, pontuou. O presidente estadual do PSDB, governador Reinaldo Azambuja, confirmou ao Midiamax que a deputada é cotada para a disputa do cargo.

Uma entre oito

A saga de ser a única mulher na bancada de MS foi passada para Camila Jara (PT), eleita como deputada federal pelo Estado. Assim, ocupará uma cadeira das oito reservadas para MS na Câmara dos Deputados.

Apesar de considerar a posição como uma ‘grande responsabilidade’ e tarefa que ‘não será fácil’, Camila espera mudar o cenário da bancada de MS. “Trabalho diariamente para no futuro a notícia ser ‘mulheres são a maioria na bancada de MS’ porque, afinal, somos a maioria da população brasileira”, afirmou.

Contudo, a deputada eleita já passou por situação parecida na Câmara de Campo Grande, onde foi a única vereadora nos últimos dois anos. “Agora, o que acredito que será um desafio é concentrar todas as demandas das mulheres de MS”, apontou.

“Ao ocupar um cargo público, você tem a obrigação de trabalhar para reduzir as desigualdades porque, como mulheres, vivemos todos os dias o peso das desigualdades”.

Camila Jara (PT)

A vaga conquistada por Camila na Câmara da Capital segue com representatividade feminina. Luiza Ribeiro é suplente da parlamentar eleita e deve assumir os próximos dois anos no Legislativo de Campo Grande.

“Tem experiência como vereadora e estamos muito alinhadas com a continuação de um mandato ativo e aberto para todas e todos. Confio na Luiza para termos dois mandatos lutando pelas mulheres e pelas minorias de MS em cada uma das instâncias”, disse.

Para o mandato como deputada federal, Camila levará discussões de igualdade social e combate à pobreza no país. “Meu foco é a redução das desigualdades”, ressaltou.

Contudo, também irá atuar pela defesa do meio ambiente, educação e povos indígenas. “Vou continuar lutando pelo direito das mulheres e das minorias, e como filha de professores, eu sei o peso da educação para transformar as coisas”.