Política

Por 7 a 4, Câmara em MS abre investigação contra vereador suspeito de ‘rachadinha’

Caso veio à tona após divulgação entre ex-secretário-geral e presidente da Casa de Leis

Adriel Mattos Publicado em 19/05/2021, às 14h15

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Foto: Divulgação/CMRRP

A Câmara Municipal de Ribas do Rio Pardo acolheu na noite de terça-feira (18) denúncia contra o vereador Paulo da Pax (DEM) por suspeita de envolvimento em um esquema de “rachadinha”. O caso veio à tona após a divulgação de uma gravação.

A prática consiste na divisão de salários dos assessores. A situação foi revelada após um áudio ser divulgado em que o ex-secretário-geral da Câmara, Paulo Henrique Rodrigues Gaspar, revela que Paulo queria apoio para o ato.

Votaram para dar prosseguimento à denúncia os vereadores Ataíde Feliciano (PSC), Nego da Borracharia (PSD), Anderson Arry (PSDB), Edervânia Malta (DEM), Tania Ferreira (Solidariedade), Rose Pereira (Psol) e o presidente da Casa, Tiago do Zico (PSDB).

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O vereador Paulo da Pax. (Foto: Divulgação/CMRRP)

Paulo votou contra a acusação, assim como Pastor Isac (PTB), Luiz do Sindicato (MDB) e Cascãozinho (PSC).

Foi formada uma comissão processante que vai analisar a denúncia. Edervânia Malta será a presidente, Tania Ferreira vai relatar o caso e Anderson Arry completa o grupo.

A comissão tem cinco dias para notificar Paulo da Pax, que ainda terá dez dias para apresentar sua defesa. Em seguida, o grupo emite após cinco dias parecer recomendando a continuidade ou prosseguimento da investigação.

Se a manifestação for contrária, são necessários seis votos, ou seja, a maioria absoluta para derrubar o parecer e prosseguir com o caso. Se o parecer foi favorável, o documento não vai ao Plenário, e a denúncia segue direto para a etapa de oitiva de testemunhas.

Entenda

Na gravação, que foi divulgada pelo site Rio Pardo News, o ex-secretário conversa com o presidente da Câmara. Gaspar questiona Zico sobre nomeação solicitada por Paulo da Pax após a eleição da Mesa Diretora. “Aí depois que eu comecei a vir, ele me chamou e disse: ‘olha, só que tem aquela questão né, aí ele queria fazer um acordo comigo e tal’, mas eu falei pra ele que não ia fazer”, diz Gaspar.

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Comissão Processante é composta por Tania Ferreira (primeira à esquerda), Edervânia Malta (ao centro) e Anderson Arry (à direita). | Foto: Divulgação/CMRRP

O presidente rebate perguntando que tipo de acordo seria. “Ele queria um acordo de repartir salário?”. Ao que o ex-secretário respondeu. “Ele queria!” Em seguida, Gaspar demonstra repulsa pelo pedido do democrata. “Me chamou na cara dura. Fiquei dois anos aqui e nunca dei brecha”, disparou.

O secretário foi exonerado em março. Paulo da Pax não foi encontrado para se manifestar.

Com isso, o cidadão Everton Mathias denunciou o vereador e pediu a cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar. 

“Os atos do denunciado evidenciam abuso às regras da moralidade, boa conduta e respeitabilidade e, ainda, contribuem para corroer a imagem e o prestígio desta Câmara de Vereadores perante à opinião pública, corrompendo a confiança e a dignidade do mandato parlamentar”, sustentou.

Jornal Midiamax