Política

‘Jogam ela contra mim’, diz Bolsonaro sobre Tereza Cristina em reunião de ministros

Durante reunião com todos os seus ministros no dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reclamou que a imprensa tenta jogar a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM), contra ele. Presente no encontro, a ministra não comentou a alfinetada e se ateve a tratar da produção brasileira e o acesso do agronegócio […]

Danúbia Burema Publicado em 22/05/2020, às 18h31 - Atualizado em 07/07/2020, às 21h28

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Durante reunião com todos os seus ministros no dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reclamou que a imprensa tenta jogar a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM), contra ele. Presente no encontro, a ministra não comentou a alfinetada e se ateve a tratar da produção brasileira e o acesso do agronegócio a mercados internacionais.

O conteúdo da reunião veio à tona nesta sexta-feira (22), por meio do STF (Supremo Tribunal Federal). Junto com ele, várias polêmicas de Bolsonaro chamando governadores de ‘bosta’, ‘estrume’ e reclamando da falta de acesso a informações de inteligência da Polícia Federal. Na gravação, há também o presidente orientando seus ministros a ‘ignorarem 100%’ a imprensa, seguindo o exemplo de como ele próprio lida com veículos de comunicação. A recomendação foi feita em conversa sobre assuntos institucionais, sobre os quais os integrantes do Governo têm o dever de prestar contas.

Durante as reclamações contra a imprensa, Bolsonaro reclamou que o Governo estaria sendo pautado pelos veículos e que até a ministra tentavam jogar contra ele. “A gente tá sendo pautado por esses pulhas, pô. O tempo todo jogando um contra o outro. Até a Teresa Cristina contra mim (ininteligível). Mas para jogar a Teresa Cristina … jogam ela contra mim. O tempo todo, tá? Então se a gente puder falar zero com a imprensa é a saída”, enfatizou.

Recentemente, a imprensa nacional noticiou insatisfação da ministra por ser alvo do chamado gabinete do ódio presidencial. Nas redes sociais, ela estaria sendo motivo de comentários simplesmente por defender parceria comercial com a China, principal mercado exportador do Brasil e inclusive de Mato Grosso do Sul. Recentemente, o filho do presidente culpou publicamente o país asiático pela pandemia do novo coronavírus.

Apesar das alfinetadas, a ministra se ateve no encontro a discutir questões voltadas ao agronegócio. Mesmo após a fala do presidente, ela ressaltou após ter participado de reunião do G-20 da Agricultura que o Brasil só não tem autossuficiência na produção de milho. Novamente, a ministra defendeu que é preciso ter acesso aos mercados.

Na sequência, o presidente pergunta qual região seria mais propícia para a produção e a ministra aponta as regiões que estão prontas para o cultivo. “O que nós precisamos é baixar o juros. A agricultura não aguenta nove por cento de juros, é muito alto pra ela”, enfatizou Tereza Cristina.

Concessões

A reunião com os ministros foi marcada para apresentação do Plano Pró-Brasil, prevendo a retomada de investimentos em diversas áreas. A polêmica sobre o encontro foi causada após vir à tona que o presidente reclamou de não ter acesso a dados de inteligência da Polícia Federal.

Durante a conversa, o ministro da Economia defendeu a retomada do crescimento por meio de investimentos privados e criticou a possibilidade de investimentos públicos financiados pelo Governo. Também mencionou a estimativa de quanto seria possível levantar em recursos por meio de concessões, chegando-se ao montante de R$ 250 bilhões.

Então, eu acho um discurso bom, mas nós temos que tomar cuidado e reequilibrar as coisas. Não pode ministro pra querer ter um papel preponderante esse ano destruir a candidatura do presidente, que vai ser reeleito se nós seguirmos o plano das reformas estruturantes originais. Então eu tenho que dar esse recado, nós vamos estar à disposição, nós vamos ajudar tudo, mas nós não podemos nos iludir. O caminho desenvolvimentista foi seguido, o Brasil quebrou por isso, o Brasil estagnou. A economia foi conompi … a política foi corrompida, a economia estagnou através do excesso de gastos públicos. Então achar agora que você pode se levantar pelo suspensório, como é que um governo quebrado vai investir, vai fazer grandes investimentos públicos?”, questionou.

Jornal Midiamax