Após se tornar alvo de reações negativas na internet, motivo de piadas e de notas de repúdio, o vereador Delegado Wellington (PSDB) decidiu pedir para a Câmara Municipal de retirar dos registros da sessão de terça-feira (7) trechos do discurso dele que relacionaram mulheres sem acesso a salão de beleza, igrejas fechadas e homens com vontade de cometer feminicídio ao reclamar da quarentena contra o na capital de . O estado já tem 2 mortes e atingiu 80 casos confirmados da doença.

Em sua fala de ontem, o político, que é delegado da Polícia Civil de MS, disse que marido nenhum aguentaria uma mulher sem fazer as unhas, sobrancelha e cabelo, ao defender que salões de belezas poderiam entrar no contexto de serviço essencial, assim como igrejas, mecânicos, porque ‘alguém precisa destes serviços'. No caso dos templos religiosos, disse que um homem com pretensão de matar esposa e filhos buscaria uma igreja para auxílio. Encontrando-a fechada, poderia interpretar como ‘sinal' para cometer tal crime.

Após repercussão da matéria do Jornal Midiamax, o parlamentar procurou a reportagem e, em um primeiro momento, disse que a notícia estava equivocada e que não incentivou o feminicídio. A matéria, no entanto, não afirma que o delegado incitou alguém a cometer crime, e se limitou a descrever o que ele disse durante a sessão. O trecho no qual faz os comentários foi transmitido em vídeo e pode ser conferido na íntegra no canal do Youtube da Câmara Municipal de Campo Grande.

Pouco depois, em nota encaminhada por Wellington, o vereador afirmou que seu compromisso é pela luta dos ‘direitos da mulher e no combate ao feminicídio e à violência doméstica'.

‘Interpretada como machismo'

Reforçou que citou os exemplos para mostrar que todos estabelecimentos são essenciais, dependendo do ponto de vista. “Neste ponto, minha fala foi interpretada como machismo, ao invés de somente exaltar a mulher, os profissionais da área estética e a importância da autoestima feminina”.

Encerra afirmando que lamenta a ‘impressão equivocada de nosso trabalho junto a sociedade campo-grandense' e que vai pedir a retirada da fala da ata de sessão da Câmara, na próxima quinta-feira (9).

O discurso do vereador Wellington de Oliveira ocorreu no fim da sessão de terça-feira. Na ocasião, o plenário estava cheio de parlamentares, mas nenhum deles se pronunciou ou respondeu, ao menos durante a transmissão, às falas do colega.

Após reação negativa, vereador vai retirar fala que cita salão de beleza e feminicídio ao criticar quarentenaApós veiculação da matéria, na tarde de ontem, alguns vereadores se posicionaram. Nova colega na bancada do PSDB, a vereadora afirmou que, ao dizer que marido não ‘aguenta mulher que não tem alguns cuidados estéticos, reforça cultura machista que permite agressões de toda ordem'.

“A despeito de propor abertura de algumas atividades comerciais, não podemos aceitar que usem argumentos misóginos e machistas”. Cida repudiou a fala do colega e disse esperar que ele, ‘pela pessoa que é', se retrate.

Luciana Azambuja, subsecretária estadual de Políticas para as Mulheres, também se manifestou em sua rede social, afirmando que fazer o enfrentamento à violência contra as mulheres não é só atuar na prevenção e combate, mas ‘também evitar a repetição de estereótipos de gênero que limitem as mulheres a ‘belas e recatadas', sempre prontas para servir e a cuidar – da casa, do marido, dos filhos, dos pais'.

Após reação negativa, vereador vai retirar fala que cita salão de beleza e feminicídio ao criticar quarentena“Em tempos de distanciamento social, nós, mulheres – assim como os homens -, estamos preocupadas com a prevenção ao contágio, com a saúde mental no confinamento e com a economia mundial pós Covid-19. Em ano eleitoral, estamos preocupadas que tenhamos mais mulheres na política, para discutimos mais frequentemente feminismos e políticas para mulheres”.

O vereador João César Mattogrosso também emitiu comunicado como presidente municipal do partido. “O PSDB declara absoluto apoio às mulheres e defende amplamente a participação feminina na política e em nossa sociedade, sendo veementemente contra toda forma e expressão de preconceito ou qualquer ato de inferiorizarão às mulheres”. O parlamentar também participava da sessão no momento em Delegado Wellington fez seu pronunciamento.

O PDT e a Ação Mulher Trabalhista também emitiram nota de repúdio contra os comentários. Pediram, ainda, que a Câmara de Campo Grande tome providências no sentido de censurar as falas do parlamentar.

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