Política

Deputados de MS em comissão do impeachment são alvos de ações

Também receberam dinheiro de doadores envolvidos na Lava Jato

Jessica Benitez Publicado em 18/03/2016, às 19h00

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Também receberam dinheiro de doadores envolvidos na Lava Jato

Os dois deputados federais sul-mato-grossenses que ocupam suplência na comissão que vai analisar pedido de impeachment da presidente da República Dilma Rousseff (PT), Carlos Marun (PMDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM), respondem por ações que apontam irregularidades quando ambos foram titulares em secretarias. Além disso, receberam doação de verba para campanha eleitoral de empresa investigada na Operação Lava Jato.

O democrata, por exemplo, está envolvido no polêmica 'caso do Gisa'. Isso porque Mandetta era titular da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), em 2009, quando o consórcio encabeçado pela Telemidia Technology venceu a licitação para implantação do Gisa.

Indícios de irregularidades no processo levaram o MPF (Ministério Público Federal) a ajuizar duas ações que citam o democrata como um dos responsáveis pelas falhas. Em fevereiro de 2015 o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux, assinou despacho explicando que a abertura do inquérito visa a “investigação instaurada para apurar fatos referidos na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde, no curso da qual surgiu menção ao Deputado Federal Luiz Henrique Manderra (sic), razão pela qual os autos foram remetidos a este Supremo Tribunal Federal”. 

Outro despacho, de 6 março do ano passado, revela uma determinação do Supremo acerca da condução das investigações contra o parlamentar. “(…) Encaminhem-se os autos à Polícia Federal, por 90 dias, para realização das oitivas solicitadas (…)”.

Além dele, seu primo e ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PTB), estão na lista de denunciados do MPF por improbidade por fraude na implantação do sistema Gisa, que custou quase R$ 10 milhões aos cofres públicos e nunca chegou a ser utilizado plenamente.

Já Marun é alvo de ação civil ingressada pelo MPE (Ministério Público Estadual) em 2013 por suposta improbidade administrativa. À época ele respondia pela Agehab (Agência de Habitação Popular do Estado de Mato Grosso do Sul) na gestão do então governador do Estado, André Puccinelli (PMDB).

A solicitação teve como base inquérito instaurado junto a 29ª Promotoria de Justiça em junho de 2008. A apuração foi acerca de “eventuais irregularidades no tocante à prestação de serviços da empresa DígithoBrasil Soluções em Softwares Ltda. À Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul – AGEHAB, cujos funcionários terceirizados estariam exercendo funções diversas das atividades periféricas ou instrumentais da administração (atividade-meio), ao exercerem funções que constituem atividade- fim da administração”.

Vale lembrar que a DígithoBrasil, segundo a força-tarefa da Operação Lama Asfáltica, faz parte do conglomerado gerido por João Baird, dono da Itel Informática. Somente em 2014, quando o peemedebista se elegeu à Câmara dos Deputados, ele recebeu R$ 103 mil do grupo JBS, investigada na Lava Jato.

Deste total R$ 50 mil foram repassados pela então candidata ao Senado Simone Tebet (PMDB) e o restante por Nelsinho, que à época tentava a sucessão estadual pelo PMDB. Mandetta ficou com R$ 69,4 mil, valor vindo de Reinaldo Azambuja (PSDB) atual governador do Estado. As informações são das prestações de contas eleitorais de 2014, disponíveis no site do TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul).

Jornal Midiamax