Política

Enclausurado e no risco de perder mandato, Bernal não desmente boatos sobre renúncia

Desde a última agenda pública oficial, em coletiva, Bernal está 'sumido' e não atende a reportagem. Boataria inclui até hipótese de renúncia para não correr risco de ficar inelegível.

Arquivo Publicado em 04/11/2013, às 15h59

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Desde a última agenda pública oficial, em coletiva, Bernal está ‘sumido’ e não atende a reportagem. Boataria inclui até hipótese de renúncia para não correr risco de ficar inelegível.

O prefeito Alcides Bernal (PP) está sumido desde o dia 25 de outubro, quando concedeu entrevista coletiva para falar sobre a tarifa de transporte coletivo. O isolamento do prefeito não atinge só os partidos políticos, mas também a população, que o elegeu, como ele mesmo diz, com 270 mil votos, e não consegue retorno.

O prefeito evita ao máximo as agendas públicas e só comparece a eventos sob sigilo, apesar de jurar ser inocente. Há boatos, por exemplo, de que ele está se preparando para renunciar ao mandato para não correr risco de ficar inelegível se for cassado pela Câmara, por meio da Comissão Processante, ou pelo Ministério Público Estadual (MPE), que já pediu o afastamento dele do cargo após denúncias dos vereadores.

Para acabar com o boato da saída, que ganhar força a cada denúncia, a reportagem entrou em contato com o prefeito, para saber se ele fica no cargo para tentar provar a inocência, mas ele não aceita falar nem para se defender.

“Olha, estou em uma reunião e não posso falar”, declarou, no já conhecido discurso. A reportagem insistiu, dizendo que tratava-se de uma questão importante para a cidade e ele preferiu se esquivar, afirmando que não seria importante.

Desde que a Câmara começou a investigar os atos do prefeito, que acabou terminando em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), nomeada de CPI do Calote, e depois na Comissão Processante, Bernal prefere se esconder à enfrentar a imprensa e provar que as denúncias não procedem.

Diferente do antecessor, que tinha agendas públicas diariamente, o prefeito prefere manter sigilo do trabalho, o que também levanta críticas. As entrevistas de Bernal são extremamente controladas. Ele fala, diariamente, no programa que já foi dele e hoje é apresentado pelo vereador mais próximo a ele, Cazuza (PP). No programa o prefeito fala o que bem entende, sem ser contrariado.

Além do programa, ele já concedeu entrevista coletiva para falar da abertura da comissão processante e da tarifa de transporte coletivo, por exemplo, mas com uma pergunta para cada veículo e com direito a respostas vazias e sem a contestação da reportagem. No site da prefeitura, a última agenda foi anunciada no dia 24 de outubro, quando ele estava bem longe da Capital, em Brasília, a convite da presidente Dilma Rousseff (PT).

Alguns vereadores entendem que a falta de agenda do prefeito é proporcional a falta de projetos apresentados pela atual administração. O líder da oposição na Câmara, vereador Airton Saraiva (DEM), por exemplo, chega a desafiar o prefeito publicamente, dizendo para ele apresentar duas obras idealizadas e entregues pela atual administração em 10 meses. Segundo Saraiva, em 10 meses, o prefeito só entregou o recapeamento da Avenida das Bandeiras.

O isolamento do prefeito também é criticado pelos próprios aliados, que não entendem qual a estratégia adotada na construção de uma base de sustentação. Ele chegou a ter nove, mas conseguiu perder Rose Modesto (PSDB) e até Waldecy Chocolate, que é do mesmo partido dele.

Atualmente, o prefeito não vive uma boa relação nem com o líder dele na Câmara, vereador Alex do PT. Os dois não se reúnem desde o dia 21 de outubro, quando Alex disse a Bernal que do jeito que tava não dava para continuar. Após a conversa, que teve um tom bastante ríspido, o PT ameaçou deixar a base, mas até hoje continua esperando que o prefeito crie um Conselho Político, escolha um secretário de Governo e amplie a base de sustentação.

Jornal Midiamax