Política

Giroto ataca Bernal e oposição diz que PMDB não fará agora o que deixou de fazer em 16 anos

No último debate da campanha eleitoral, seis dos sete candidatos estiveram frente a frente para expor propostas para os próximos quatro anos na Prefeitura de Campo de Grande e o clima esquentou em diversas diversas

Arquivo Publicado em 05/10/2012, às 11h29

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No último debate da campanha eleitoral, seis dos sete candidatos estiveram frente a frente para expor propostas para os próximos quatro anos na Prefeitura de Campo de Grande e o clima esquentou em diversas diversas

No último debate da campanha rumo à Prefeitura de Campo Grande, o candidato governista Edson Giroto (PMDB) partiu para o ataque contra o primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, Alcides Bernal (PP). Por outro lado, os oposicionistas fizeram questão de ressaltar que se o PMDB não conseguiu resolver em 16 anos problemas sérios na saúde não sanará o “caos” no setor em mais uma administração. Neste sentido, apelaram por renovação e ainda criticaram as altas tarifas municipais, a falta de transparência e de diálogo com os servidores.

Em todas as oportunidades que teve, Giroto mirou em Bernal com perguntas ácidas. Bernal mostrou jogo de cintura e respondeu com calma os questionamentos sem deixar de evidenciar os “ataques” do governista. Terceiro colocado nas pesquisas de intenções de votos, Reinaldo Azambuja priorizou as propostas, mas não deixou de fazer duras críticas às administrações do PMDB. Vander Loubet (PT), Marcelo Bluma (PV) e Sidney Melo (PSOL) também atacaram o modo de a atual gestão dirigir a prefeitura, principalmente, os recursos públicos.

Dos sete candidatos, só Suél Ferranti (PSTU) ficou de fora do confronto de ideias em cumprimento à regra da Rede Globo de realizar o debate com no máximo seis postulantes. A exclusão levou em conta pesquisa do Ibope, contratada pela TV Morena, e por seu partido não ter representatividade na Câmara Federal. O debate teve quatro blocos de perguntas entre os candidatos e o quinto para as considerações finais.

Primeiro bloco

No primeiro bloco, com temas definidos por sorteio, Sidney questionou Giroto sobre como irá administrar a Guarda Municipal. Giroto prometeu capacitações para a equipe cuidar das pessoas e se comprometeu a implantar um “plano de carreira e remuneração” para o setor.

Em resposta, Sidney disse que “mais uma vez dizem que vão fazer”. “O que a gente vê é que segurança é feita para coibir movimentos sociais, pra expulsar moradores que buscam lugar para sobrevir, enfim o discurso é bem diferente da prática”, opinou.

Na sequência Giroto questionou Bernal sobre como irá distribuir o orçamento municipal, principalmente, no sentido de resolver “os problemas que tanto critica na saúde”. “O que eu venho fazendo são críticas propositivas”, começou Bernal. “Não falta volume de recursos, o que deixa a desejar é gestão. Vamos contratar mais médicos, pagar melhor os servidores para trabalharem satisfeitos”, emendou.

Giroto, por sua vez, disse que o “candidato é genérico” e que a distribuição do orçamento precisa ser “de acordo com as áreas temáticas”, definidas por lei.

Depois, Bernal perguntou para Reinaldo como irá dirigir as verbas do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) da mobilidade urbana. O tucano disse que a prioridade será ações “para diminuir a violência no trânsito, implantando o que é prioritário, viadutos, corredores, semáforo inteligente”.

Ele ainda criticou radares implantados em vários pontos da cidade como alternativa para reduzir o índice de acidentes na Capital. “Vamos acabar com a indústria da multa, que não resolveu a violência, o que resolve é a educação”, apontou. Reinaldo ainda reafirmou o compromisso de “diminuir a tarifa” do transporte coletivo.

Ainda sobre o assunto, Bernal garantiu “respeito ao dinheiro público e obras planejadas” para não desperdiçar os recursos da prefeitura.

Em questionamento de Bluma a Vander sobre iluminação pública, o petista disse que a taxa é abusiva e prometeu uma “cidade iluminada através das subprefeituras”. O candidato do PV concordou com o alto preço do serviço e afirmou que é “fundamental dar transparência, rever critérios da Cosip e espalhar para os bairros iluminação para combater a insegurança”. Vander completou “que o que falta é vontade” para reduzir o preço do serviço. “Por habitação são pagos R$ 240”, informou.

Segundo bloco

No segundo bloco, o tema das perguntas foi livre e Vander abriu perguntando para Giroto “porque não congelar o IPTU?” O governista disse que a “lei de responsabilidade não permite”. “Quem se sentir injustiçado deverá pedir revisão e nós vamos rever com uma atuação equilibrada”, acrescentou.

O petista rebateu. “Se a lógica fosse verdadeira, a presidente Dilma (Rousseff) não teria reduzido a tarifa de energia”. Vander também disse ser possível congelar o imposto levando em conta o aumento nas administrações do PMDB. “O IPTU aumentou nos últimos quatro anos em média 125%, enquanto a inflação foi de 23% no mesmo período. Isso não é justiça e a proposta não vai abalar as contas da prefeitura, porque o imposto representa R$ 200 milhões num orçamento de R$ 2,6 bilhões”, explicou.

Na réplica, Giroto atribuiu o aumento do serviço “à grande expansão mobiliária e a valorização dos imóveis”. Na sequência, ele não desperdiçou nova a oportunidade de escolher Bernal para fazer outra pergunta ácida sobre o que levou o candidato a vir se tratar na Santa Casa, quando teve problema de saúde no Paraná “se o atendimento na saúde é tão ruim assim em Campo Grande como o senhor repete?”

“Primeiro que o candidato demonstra gostar de agredir as pessoas e usar questões pessoais na campanha”, iniciou Bernal. “Quem gosta de Campo Grande valoriza tudo. Na nossa administração, a Santa Casa vai ser respeitada, vamos conversar com todos os segmentos para sanar problemas financeiros e tornar o atendimento eficiente”, emendou. Para finalizar, disse que “o hospital não é problema é a solução, basta que a verba investida tenha razão de ser”.

Giroto aproveitou para ironizar o candidato. “Impressionante como o candidato se contradiz, falava bem e falava mal da saúde”. Depois, acabou admitindo deficiências no setor ao frisar que “a saúde é problema em todo o país”. Em resposta, Bernal ponderou que o PMDB teve 16 anos para resolver o “problema seríssimo”, mas não conseguiu. “Vai resolver quem gosta de gente e uma gestão séria”, concluiu sobre a pergunta do rival.

Na vez de Bernal perguntar escolheu Reinaldo para indagar se o tucano vai implantar a eleição direta de diretores nas escolas municipais. Presidente regional do partido, responsável pela Secretaria de Educação, nas últimas administrações do PMDB, Reinaldo elogiou o trabalho, mas admitiu que coisas devem melhorar.

“Sabemos que evoluiu e se deve a um trabalho competente”, começou. “Temos compromissos e um deles é a eleição direta, com critérios escolhidos pela comunidade escolar. Também vamos implantar a hora/atividade, valorizar e qualificar os servidores e professores”, prometeu.

Na sua vez, Bernal lembrou processo movido pelo governador André Puccinelli (PMDB) contra implantação do piso salarial dos professores. “Essa administração é conhecida como inimiga da educação, pela política implementada pelo líder maior”, disparou. Reinaldo aproveitou para incluir entre as metas “trabalho democrático e o fim da ditadura imposta”.

Em questionamento a Bluma sobre sustentabilidade, o tucano disse que a atual administração “só recicla 1% do lixo” e recordou de “licitação milionária no apagar das luzes para prorrogar ainda mais o serviço”.

Terceiro bloco

No terceiro bloco, os temas das perguntas voltaram a ser sorteados e destaque para questionamento de Bernal a Vander sobre recursos aplicados em pavimentação. “Falta de planejamento, são gastos R$ 5 milhões por mês com tapa-buraco, R$ 60 milhões por ano, dinheiro suficiente para pavimentar 60% das ruas”, informou o petista. “E a gente ainda vê o candidato do governo dizer que vai fazer agora, porque não fez antes?”, indagou o petista.

Bernal mais uma vez disse que “falta planejamento” e questionou “porque priorizam tapa-buraco em vez de recapear e fazer obras eficientes?”. Vander engrossou a crítica. “Passam o rolinho para tapar buraco e vem a chuva e leva tudo”, ponderou.

Na vez de perguntar, Vander escolheu Reinaldo para questionar sobre o plano do tucano para resolver o “caos na Santa Casa”. “A intervenção não funcionou, aumentou a dívida de R$ 50 milhões para mais de R$ 100 milhões e o rombo quem vai pagar?”, indagou. No sentido de frisar que dinheiro não falta, ele informou que R$ 700 milhões estão previstos no orçamento de 2013. “É preciso parar de construir um pouco e atender as pessoas”, defendeu.

Vander, por sua vez, se comprometeu a “devolver para a sociedade mantenedora” o comando da Santa Casa e abrir um pronto-socorro municipal. Reinaldo acrescentou dar “transparência e acabar com licitação de envelopinho” na terceirização de serviços no maior hospital do Estado.

Na primeira oportunidade que teve, o tucano escolheu Giroto para perguntar sobre o Plano Diretor, no sentido de melhorar o trânsito e resolver os problemas de enchentes na Capital.

O candidato da situação aproveitou para cutucar Reinaldo, que se aproxima do segundo lugar, como mostram pesquisas de intenções de voto do DATAmax. “Nada a ver (Plano Diretor) com cheias e trânsitos”, cutucou. “Tenho orgulho do nosso Plano Diretor, que planejou avenidas orientadas, removemos as favelas, preservamos mata ciliar”, se vangloriou.

Reinaldo não deixou barato a provocação. “Nota-se que o candidato não conhece de Plano Diretor, se contradiz, fala que não tem a ver com trânsito, mas fala em avenidas”, rebateu. Na réplica, o governista disse que o tucano “confunde trânsito com transporte” e insiste em criticar.

No final do terceiro bloco, Sidney disse que as mesmas empreiteiras vencem praticamente todas as licitações da Prefeitura de Campo Grande. “As mesmas que bancam campanha de candidato, basta ver a prestação de contas”, disparou.

Quarto bloco, o mais quente

No quarto bloco, as perguntas voltaram a ter temas livres e Giroto escolheu mais uma vez Bernal. Ele questionou o principal adversário como fará projetos para melhorar o atendimento no setor se “como vereador não apresentou um projeto sequer” sobre saúde.

Bernal voltou a registrar a preocupação do governista em atacá-lo. “Na Câmara, fui o vereador que mais realizou audiências públicas e, depois de visitar postos de saúde, apresentei várias indicações para tentar resolver os problemas, proposições que não foram atendidas pela sua administração”, rebateu.

Em resposta, Giroto voltou a ironizar o adversário. “Fala bonito, mas não resolve, não tem propostas”, atacou.

Bernal reagiu com firmeza. “Por isso que quero ser prefeito, para contratar mais médicos, implantar um plano de cargos e carreira, dar estrutura e não vir aqui para falar fiado e dizer que vai fazer o que não fez em 16 anos”, provocou Bernal.

Encerrado o tempo do embate com o governista, ele voltou a escolher Reinaldo para perguntar sobre a situação das 30 ambulâncias disponíveis para atendimento do Samu. “A maioria está em cima do toco, paradas e não estão atendendo a população”, denunciou o candidato do PSDB. “Saúde será prioridade na nossa administração, além de gestão eficiente para disponibilizar o atendimento a quem liga pedindo socorro”, completou. Bernal acrescentou informando que “das 30 ambulâncias 16 estão no toco”.

O tema tapa-buraco voltou a ser assunto de indagação de Reinaldo a Vander. Na ocasião, o candidato do PSDB repetiu denúncia feita no programa eleitoral da última segunda-feira (1). “A Proteco, empresa do cunhado do Nelsinho, foi a que mais ganhou licitações”, declarou no debate da TV Morena, afiliada da Rede Globo, emissora com maior audiência no Brasil.

Em resposta, Vander garantiu que, se eleito, fará “licitações através de pregões, tudo transmitido ao vivo pela internet”. O petista ainda se comprometeu a criar comissão tripartite para “abrir espaço para os novos empresários e dar fim a vitória nas licitações dos mesmos”.

Reinaldo reforçou o compromisso de governar com “ética e abrir licitação pública por pregão eletrônico para assegurar a transparência em tempo real”. “Pode até não ser ilegal, mas é imoral”, acrescentou sobre a denúncia de suposto favorecimento nas licitações em Campo Grande. “Isso mostra porque as ruas estão cheias de remendo e porque priorizam esse tipo de empresário”, acrescentou Vander.

Em indagação de Bluma a Sidney sobre cargos comissionados, o candidato do PSOL prometeu diminuí-los. “Vamos diminuir os cargos comissionados até para acabar com prática de obrigá-los a declarar voto”, cutucou fazendo menção a vídeo divulgado pelo Midiamax, que mostra o governador em reunião com servidores abrindo o voto a Puccinelli. “Para acabar com esse tipo de coação, vamos nortear a escolha dos profissionais levando em conta a competência técnica”, acrescentou Sidney.

Ele continuou o ataque ao grupo que comanda a prefeitura da Capital e o Governo do Estado com pergunta a Giroto sobre como dois médicos passaram pela administração de Campo Grande e não conseguiram resolver o “caos da saúde”. “Seria descaso ou incompetência?”, indagou.

O questionamento irritou o candidato da situação que avisou não ser “pau mandado”. Ele ainda deixou claro ser responsável por montar sua equipe. “Ninguém disse que era pau mandado, o candidato mostrou que se irritou por não ter explicação”, rebateu Sidney. “Temos condições de resolver temos dinheiro, basta uma gestão competente, respeito ao servidor”, sugeriu. “Está na hora de mudar”, concluiu.

Considerações finais

No quinto e último bloco, a TV Morena abriu espaço para os seis candidatos apresentarem suas considerações finais. Na ocasião, Bluma defendeu a renovação na administração da Capital e se colocou como a opção certa para promover a mudança “sustentável”.

Bernal lamentou panfletos anônimos espalhados pela cidade e vídeos apócrifos postados na internet com ataques pessoais contra ele. “Fomos agredidos, sujaram a cidade e acreditamos que a cidade será limpa dia 7 de outubro”, disse apostando em sua vitória ainda no primeiro turno da eleição.

Para finalizar, ele prometeu nortear a escolha se sua equipe em currículos técnicos. “Teremos assessores profissionais e a administração pública será séria”, concluiu.

Candidato pelo PSOL, Sidney manteve o estilo de ataque até o final do debate. “Quero agradecer meu partido, me vice Lucien Rezende, que não precisamos esconder”, cutucou em referência a boatos de que o vice de Giroto, Dagoberto Nogueira (PDT) teria sido afastado da campanha para não prejudicar o candidato a prefeito da situação. A decisão lavaria em conta sua alta rejeição. Sidney ainda lamentou a ausência de Suél do debate. “Um trabalhador como a gente”, disse sobre o candidato a prefeito do PSTU.

Vander aproveitou o espaço final para destacar que a garantia de segundo turno na eleição depois de 12 anos de vitória fácil do PMDB. “A primeira grande vitória nossa é levar a eleição para o segundo turno”. O petista ainda destacou sua boa relação com o governo federal, comandado por seu partido. “Conheço Brasília e é importante os recursos federais”, finalizou.

Giroto, por sua vez, frisou querer ser “prefeito para continuar a andar nos bairros e dar continuidade às melhorias” promovidas em 16 anos de administração do PMDB, seu partido, em Campo Grande.

Último a se manifestar, por sorteio, Reinaldo Azambuja aproveitou para destacar o apoio do seu candidato a vice-prefeito, vereador Athayde Nery (PPS) e a receptividade dos eleitores. “Agradeço meu vice Athayde e pessoas que nos receberam em suas casas”. Para finalizar, o tucano reafirmou o compromisso com a ética. “Serei implacável com a corrupção e sempre vou dialogar com você para construir um novo tempo em Campo Grande”, concluiu.

Jornal Midiamax